abc+

NO PRATO PRINCIPAL

"Uma roubada": Especialista fala sobre acordo Mercosul-UE; veja outras questões do cenário geopolítico

Igor Morais participou de evento da ACI e falou também sobre impactos da guerra na economia brasileira

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 24/03/2026 às 17h:47 Última atualização: 24/03/2026 às 17h:48
Publicidade

A edição de março do Prato Principal ocorreu nesta terça-feira (24), no Swan Novo Hamburgo, e trouxe os desafios da economia brasileira em 2026. Igor Morais, economista-chefe e sócio da Vokin Investimentos e economista do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs), abordou os principais riscos do cenário geopolítico internacional, agravados após o ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irã.

Publicidade

O evento é uma realização da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV).

Morais durante palestra no evento da ACI | abc+



Morais durante palestra no evento da ACI

Foto: Juliana Nunes/GES-Especial

 

Morais também abordou o acordo Mercosul-União Europeia (UE) que chamou de “roubada”. “Eu vejo como uma roubada.  O  Brasil “dormiu no ponto” por 25 anos. O maior fornecedor de café na Europa é Brasil, também fornecemos muita celulose, assim como minério de ferro, soja, são segmentos em que não precisamos de tarifa. O setor metalmecânico não consegue competir com a China. O acordo nos engessou. Entre os países do Mercosul temos uma realidade muito diferente. Alguns setores podem até se beneficiar, mas outros não. O ideal é analisar cada setor de acordo com sua demanda de mercado. O acordo ficou mais político que técnico”, avalia.

No panorama internacional, o economista ressaltou que disputas como a rivalidade entre Estados Unidos e China, os conflitos no Oriente Médio e os ataques digitais na Europa vêm reconfigurando o comércio global.

O economista também abordou a possibilidade de uma crise energética, considerando que três em cada quatro barris de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o abastecimento mundial e que segue fechado.

Publicidade

Além disso, Morais lembra que os Estados Unidos ampliaram o incentivo à produção local de semicondutores e reforçaram a exportação de gás natural liquefeito para a Europa, redesenhando cadeias produtivas e relações comerciais. “Todos os movimentos dos EUA têm fundo comercial, envolvendo questões de logística e energia”, observa.

Entre os desafios na economia brasileira Morais destacou as eleições presidenciais de 2026, em que acredita que Flávio Bolsonaro (PL) sairá vencedor, crescimento econômico desigual, questões demográficas, trabalhistas e previdenciárias.

“O Brasil tem dificuldade de ter um projeto de País e não de partido. A eleição será importante para isso, para estas questões serem colocadas ‘na mesa’ O Brasil precisa avançar em ajustes fiscais e políticas estruturais para enfrentar um cenário de incertezas, reforçando a importância do acompanhamento constante do ambiente econômico global”, diz o economista.

Publicidade

O Estado, segundo o especialista, também enfrenta desafios relevantes, como o envelhecimento populacional, a queda na população jovem e a migração para outras regiões. 

 

Publicidade