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ECONOMIA

Veja os benefícios e desafios para o RS com a formalização do acordo Mercosul-UE

Agronegócio e calçado estão entre os setores que terão impacto positivo

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 12/01/2026 às 10h:23 Última atualização: 12/01/2026 às 10h:24
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O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) deve ser assinado no sábado (17), no Paraguai, país que ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano. O pacto cria a maior zona de livre comércio do mundo. Na última sexta (9), o Conselho Europeu deu sinal verde para a formalização do acordo com a aprovação política. Falta ainda a parte jurídica, sendo necessário o aval de pelo menos 15 países do bloco europeu, representando cerca de 65% da União Europeia.

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Indústria coureiro-calçadista sente impactos do tarifaço também na empregabilidade | abc+



Indústria coureiro-calçadista sente impactos do tarifaço também na empregabilidade

Foto: Abicalçados

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O Rio Grande do Sul será impactado com a concretização do pacto comercial. “O acordo Mercosul-União Europeia impulsionará o crescimento econômico por meio do aumento das exportações, além de atrair novos investimentos estrangeiros, parcerias e joint-ventures, consolidando a inserção estratégica do Brasil nas cadeias globais de valor, aumento da diversificação econômica e fortalecimento do Mercosul”, ressalta o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier.

Bier lembra que em 2025, a UE foi o segundo principal destino como bloco econômico das exportações gaúchas (US$ 2,7 bilhões), representando 13% do total exportado e a quarta principal origem das importações (US$ 1,4 bilhão), representando 11,1% do total importado. No mesmo ano, o Rio Grande do Sul foi o sexto estado brasileiro que mais exportou para a União Europeia e o oitavo que mais importou do bloco.

Setores

Entre os segmentos da indústria de transformação do RS que devem ser mais beneficiados com formalização do acordo estão tabaco (atualmente US$ 410,5 milhões), químicos (US$ 138,3 milhões), couro e calçados (US$ 84,3 milhões), alimentos (US$ 63,8 milhões) e celulose e papel (US$ 7,4 milhões).

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O Sistema Fiergs destaca também a redução de custos das importações de alta tecnologia, gerando ganhos de produtividade e modernização em áreas que a indústria nacional ainda não atua; aumento dos fluxos de investimentos estrangeiros, aperfeiçoamento institucional do Mercosul, entre as oportunidades geradas.

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Envios do couro e calçado

O mercado europeu é fundamental para o setor calçadista. Conforme dados da Abicalçados, foram embarcados para países do bloco mais de 17 milhões de pares em 2025, representando mais de US$ 105 milhões. A França é o país da UE que mais importou calçado brasileiro, a soma em 2025 chegou a quase 2,2 milhões de pares e mais de US$ 35 milhões. Depois vêm Espanha, Portugal e Itália. Entre os materiais, o sintético e o couro aparecem como destaques. Em 2025, as exportações geraram ao todo US$ 958,2 milhões por 103,94 milhões de pares embarcados, queda de 1,8% em receita e aumento de 6,7% em volume no comparativo com 2024.

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O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) acompanha a evolução do Acordo Comercial entre União Europeia e Mercosul. Os recentes desdobramentos, que abrem caminho para a assinatura do tratado e sua posterior ratificação, trazem um horizonte positivo de expectativa para a indústria brasileira até a confirmação oficial.

A União Europeia é um importante mercado para as exportações de couros do Brasil, com participação de cerca de 20% nas exportações do Brasil anualmente em valores. Três países no top 10 de principais destinos para o nosso couro: Itália, Alemanha e Espanha.

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Maior concorrência interna

A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI/NH/CB/EV/DI/IV) reforça que o pacto deve beneficiar setores como alimentos, agronegócio e calçados. “Hoje estes setores exportam para a União Europeia com uma carga mais onerosa e com o acordo de livre comércio há esta tendência de aumentar margens tendo baixo custo pra aquisição destes insumos”, avalia o diretor da entidade, Fauston Saraiva, que também traz o outro lado da situação.

“Claro que estes países também poderão exportar mais para o Brasil, ou seja, devemos ter maior concorrência interna para determinados produtos. É preciso que o governo estabeleça políticas de redução de impostos que automaticamente possam trazer benefícios para toda a cadeia.”

Entre os setores que devem enfrentar desafios, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico de São Leopoldo (Sindimetal RS), Sergio Galera, destaca o de máquinas utilizadas no processo produtivo, segmento muito forte na Europa.

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