O cenário internacional trouxe consequências para a economia brasileira e em especial para a gaúcha em 2025. Entre os fatores, o economista-chefe da Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs, Giovai Baggio, destacou a guerra na Europa, a intensificação do conflito no Oriente Médio e, claro, as tensões políticas e comerciais resultantes do governo Trump.

Foto: Juliana Nunes/GES-Especial
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“Por outro lado, também surgem oportunidades para o próximo ano, como o acordo Mercosul–União Europeia, a abertura de novos mercados na Ásia e a possível estabilização da Argentina. Além disso, contamos com um agronegócio robusto, impulsionado por uma boa safra no Brasil”, disse o economista-chefe.
A economia global deve encerrar o ano com expansão de 3,2%, seguida por uma projeção de 3,1% para 2026. Os Estados Unidos devem crescer 2% em 2025 e 2,1% no ano seguinte. Os dados foram analisados durante a coletiva de fim de ano da Fiergs, que ocorreu nesta terça-feira (9), na sede da entidade, em Porto Alegre.
O evento contou também com o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, a diretora-executiva e de Relações Institucionais, Ana Paula Werlang, e a diretora-geral do Sesi-RS, Senai-RS e IEL-RS, Susana Kakuta.
Reflexos no PIB gaúcho
O cenário internacional reflete no Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul que deve encerrar o ano de 2025 com crescimento de 1,6% no. O resultado fica abaixo da projeção para o Brasil, estimada em alta de 2,1%. É reflexo também, conforme Baggio, da retração de 4,7% no PIB da agropecuária, fortemente impactada pela estiagem.
Para 2026, a entidade gaúcha prevê uma retomada mais robusta da economia estadual, com avanço estimado de 2,9% no PIB, superior à expectativa de 1,9% para o Brasil. O desempenho deverá ser impulsionado sobretudo pela agropecuária, que pode registrar forte recuperação e crescer 17,6%.
A indústria, por sua vez, deve apresentar expansão modesta, da ordem de 0,8%. O setor de serviços também tende a acompanhar o movimento de crescimento, embora em magnitude menor (1,7%) que a agropecuária.
“As expectativas para o próximo ano são de uma boa safra. O Rio Grande do Sul deve crescer mais do que o Brasil, impulsionado pelo agronegócio. Já a indústria deve apresentar crescimento menor devido aos juros elevados e às tarifas americanas, que nos impactam significativamente”, avaliou Giovani Baggio.
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Exportações
A cobrança de 50% em produtos brasileiros que entram no mercado dos Estados Unidos, que teve início em agosto, afetou fortemente a indústria do RS. Entre agosto e novembro, conforme dados do Sistema Fiergs, as exportações industriais gaúchas para o mercado norte-americano resultaram em uma perda de US$ 252 milhões, em comparação com o mesmo período de 2024.
A isenção da taxa para alguns segmentos não trouxe alívio ao Estado, já que os principais produtos exportados para os EUA ficaram de fora como setor de máquinas e calçados. O economista-fechefe lembrou que caso as condições se mantenham, a projeção é de que a Indústria de Transformação do RS exporte cerca de US$ 1,1 bilhão aos EUA em 2026, ante aproximadamente US$ 2 bilhões em um cenário sem tarifas, uma perda estimada de cerca de US$ 900.
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Investimentos do Sistema Fiergs
O Sistema Fiergs encerra 2025 com avanços nos atendimentos à indústria e na oferta de educação e saúde aos trabalhadores. Ao todo, quase 11 mil empresas foram atendidas, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior.
“Este foi um ano de consolidação do nosso projeto Fiergs do Futuro, que guiou nossas ações com foco em gestão integrada, resultados e valorização do interior gaúcho. Importante destacar que esses resultados foram alcançados com praticamente a mesma receita e uma significativa redução de despesas. Fizemos muito mais com menos”, afirmou o presidente Claudio Bier.
Foram anunciados R$ 419 milhões em investimentos até 2027 em unidades do Sesi e do Senai no Estado. Estão previstas a inauguração de duas novas escolas de Ensino Médio, em Novo Hamburgo e Santa Cruz do Sul, além da ampliação da unidade do Senai em Horizontina em 2026. Em Novo Hamburgo, o espaço ficará dentro da Feevale e deve ser ativado em março de 2026.
Ações da Fiergs
O ano também foi marcado pelo Rota Fiergs, iniciativa de interiorização da entidade. Os encontros, realizados nas 10 regiões do estado, resultaram em 52 demandas prioritárias voltadas a educação, tecnologia, infraestrutura e atração de investimentos.
A necessidade de qualificação e retenção de trabalhadores especializados impulsionou programas como Indústria do Amanhã, Plataforma Oi, Seja Pro+, Soldado Cidadão, Indústria Acolhedora e Carretas do Saber.