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ECONOMIA

TARIFAÇO: Exportadores gaúchos miram na Argentina e Indonésia; entenda cenário diante da guerra comercial com os EUA

Recorte da Fiergs, divulgado ao ABCmais, traz os números dos envios para os EUA e para outros mercados

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 13/11/2025 às 15h:53 Última atualização: 13/11/2025 às 16h:49
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O tarifaço imposto pelo governo norte-americano completou três meses no último dia 6 de novembro. A cobrança de 50% para produtos nacionais que entram nos EUA segue causando queda nas exportações da indústria gaúcha. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do RS, os embarques para o país liderado por Donald Trump recuaram 34% nos últimos três meses, período em que vigoram as tarifas de 50% impostas pelo governo americano sobre produtos brasileiros.

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Tarifaço impacta as exportações do Rio Grande do Sul | abc+



Tarifaço impacta as exportações do Rio Grande do Sul

Foto: Divulgação

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De agosto, quando a tarifa teve início, até outubro, o valor embarcado somou US$ 299,6 milhões, redução de US$ 154,4 milhões em relação ao mesmo período do ano passado.

A retração atingiu todos os ramos industriais com destino ao mercado norte-americano, mas alguns setores foram mais prejudicados. Processamento de tabaco (-69,2%) e armas e munições (-69,2%) responderam, juntos, por quase 20 pontos percentuais do impacto total. Em seguida aparece o setor de transformadores e conversores, com queda de 50,8%.

Nos dois meses sob vigência integral das tarifas (setembro e outubro), as vendas externas somaram US$ 171,2 milhões, queda de 42,2% frente a 2024.

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Mercados em evidência

Com as dificuldades dos envios para os EUA outros mercados passaram a ter mais destaque no cenário das exportações da indústria de Transformação do Rio Grande do Sul. Um deles é a Indonésia, que desde o início do ano tem mostrado aceleração nos embarques do processamento industrial de tabaco, justamente o setor fortemente impactado pelo tarifaço. 

A Fiergs explica que a aceleração de forma contínua reflete o aumento da demanda na Indonésia e a consolidação do RS como fornecedor relevante desse produto. “O avanço foi sustentado por um ritmo consistente de crescimento ao longo do ano, com aceleração expressiva no primeiro semestre (sobretudo em fevereiro e no segundo trimestre) e reforço em outubro”, diz levantamento da unidade de Estudos Econômicos da Fiergs.

O estudo mostra também que o desempenho foi fortemente concentrado em dois ramos industriais, o processamento industrial de tabaco e também óleos vegetais em bruto. Em outubro de 2024, os embarques para o país asiático representavam cerca de 19,5 milhões de dólares e em outubro deste ano, o valor ultrapassou 70 milhões de dólares.

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No acumulado de janeiro a outubro de 2025, as exportações gaúchas da Indústria de Transformação para a Indonésia somaram US$ 425,1 milhões, frente a US$ 161,0 milhões em igual período de 2024, o que representa um aumento de US$ 264,1 milhões e variação de 164,1%.

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Outro mercado que vem se consolidando é o da Argentina. Conforme o recorte feito pela Fiergs, as exportações da Indústria de Transformação do Rio Grande do Sul para a Argentina somaram US$ 1,28 bilhão no acumulado de janeiro a outubro de 2025, frente a 859,6 milhões de dólares no mesmo período de 2024, um aumento de 418,9 milhões de dólares, equivalente a 48,7%.

A entidade industrial explica que o avanço foi sustentado também por um crescimento contínuo ao longo do ano, com resultados positivos em todos os trimestres e aceleração nos meses de maio, junho e outubro.

“O desempenho reflete a recuperação da demanda argentina por bens industriais, após um período de retração, e consolida o país vizinho como um dos principais destino das exportações industriais gaúchas
em 2025.”

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Números do agro

A Farsul divulgou, nesta quinta-feira (13), os resultados das exportações gaúchas de outubro de 2025. Na comparação com o mesmo período de 2024, houve um aumento de 3% no valor exportado (um total de 1,62 bilhão de dólares em comparação com 1,57 bilhão de dólares no mesmo período de 2024, mas uma queda de 8% no volume, um total de 2,5 milhões de toneladas. Em outubro de 2024, o estado exportou 2,7 milhões de toneladas. Esse aumento de valor se deve muito em parte pelas exportações de carnes bovina e suína e de fumo.

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No acumulado do ano, entre janeiro e outubro de 2025, foram exportados 12,3 bilhões de dólares, um valor 1,7% menor do que o mesmo período do ano anterior.

Na comparação com outubro de 2024, as exportações para os Estados Unidos tiveram aumento de 17% no valor e de 145% no volume. Esse número, entretanto, pode ser explicado pela exportação de celulose. A Farsul lembra que no período de 2024, o Estado não havia exportado esse tipo de produto, enquanto em 2025, o setor vendeu 9 milhões de dólares e 27,6 mil toneladas.

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Por outro lado, o tarifaço trouxe grande impacto em alguns segmentos. De acordo com a Farsul, o setor de carne bovina in natura teve queda de 100% na comparação com 2024 e couros/peles de bovino crust registrou diminuição de 95% no valor e 94% no volume.

Apesar da disputa comercial, alguns produtos ainda conseguem ter acesso ao mercado norte-americano, como a carne bovina industrializada, que teve aumento de 52% no valor e 40% no volume. Calçados de couro, sebo bovino e produto apícolas e papel também tiveram crescimento na região.

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