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ECONOMIA

TARIFAÇO: Setor calçadista perde empregos no RS após medida dos EUA; veja outros dados da indústria gaúcha

Dados são do Novo Caged, Abicalçados e Fiergs; saiba detalhes

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 03/11/2025 às 14h:59
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O governo brasileiro aguarda contrapartidas do governo dos EUA para iniciar as negociações efetivas sobre o tarifaço. Desde o dia 6 de agosto, os produtos nacionais que entram em solo norte-americano pagam tarifa total de 50%. Enquanto a solução não vem, a indústria gaúcha sente os impactos da medida também na empregabilidade.

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Produção de calçados brasileiros é afetada pelo tarifaço Trump | abc+



Produção de calçados brasileiros é afetada pelo tarifaço Trump

Foto: Igor Müller/Arquivo/ges

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De acordo com dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Renda (MTE), na soma de agosto e setembro deste ano, a indústria do RS perdeu 6.141 postos formais de trabalho. O mês 8 registrou menos 4.046 vagas e setembro fechou com saldo de -2095 postos formais de emprego.

A Fiergs lembra que historicamente, agosto e setembro tendem a registrar saldos negativos na Indústria de Transformação, em razão da forte sazonalidade do setor de tabaco (encerramento do beneficiamento da safra). Ainda assim, quando analisados os segmentos com maior atuação no mercado dos EUA, o resultado ficou abaixo da média histórica do mês.

Em setembro de 2025, a diminuição nos empregos no Estado foi puxado pelo setor de Couro e calçados (-417), seguido de Máquinas e equipamentos (-328), Madeira (-280) e Veículos automotores (-178). Somando o mês de agosto, o setor coureiro-calçadista registrou saldo de -959 vagas formais de emprego. 

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Impacto no calçado

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) destaca que o estado mais atingido pelo tarifaço do governo norte-americano contra produtos brasileiros, no setor calçadista, é o Rio Grande do Sul. “Desta forma, podemos avaliar que existe, sim, um impacto mais forte no nível de emprego do Estado, tanto que, mesmo com a criação, em nível nacional, de 857 postos em setembro, temos resultado negativo no Rio Grande do Sul”, reforça.

A entidade calçadista afirma que este movimento de desaceleração na empregabilidade não é efeito apenas do tarifaço Trump. “Também registramos quedas importantes nas exportações para a Argentina, outro importante destino do calçado gaúcho”, diz a entidade em nota enviada ao Jornal NH/ABCmais.

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O que esperar?

Sobre as negociações para resolução do imbróglio entre os governos brasileiro e norte-americano, a Abicalçados mantém um otimismo comedido diante dos avanços das relações. “Certamente, resolvido o impasse, teremos resultados positivos nos próximos meses, tanto na produção quanto no nível de emprego, em especial no Rio Grande do Sul”, avalia a entidade calçadista.

Para a Fiergs o impacto poderia ser maior. Muitas indústrias repensam as demissões ao levar em consideração o elevado custo e a expectativa de melhora nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

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Por outro lado, de acordo com a Sondagem Industrial realizada pela Fiergs, pelo quarto mês consecutivo o índice de número de empregados da indústria gaúcha ficou abaixo da marca de 50 pontos, indicando retração. O recuo no emprego em setembro foi menos intenso e disseminado do que agosto, mas acima do padrão histórico para o mês.

Já as expectativas de emprego na indústria apontam queda no número de empregados nos próximos seis meses: em outubro de 2025, o índice foi de 47 pontos, abaixo do observado em setembro/25 (47,8), indicando uma projeção de perda de vagas por estar abaixo dos 50 pontos.

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