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TARIFA DE TRUMP

Calçadistas e Taurus são exemplo de perdas na indústria gaúcha a partir do tarifaço; RS é o Estado mais prejudicado

Presidente da Fiergs, Claudio Bier, afirma que apenas 14,3% do setor industrial do Rio Grande do Sul foi beneficiado com isenções anunciadas por Trump

Calçadistas e Taurus são exemplo de perdas na indústria gaúcha a partir do tarifaço; RS é o Estado mais prejudicado
Publicado em: 01/08/2025 às 18h:36 Última atualização: 01/08/2025 às 18h:37
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“Os Estados Unidos são os nossos principais compradores de produtos manufaturados, a China não nos compra um prego. Absolutamente nada industrializado.” A frase do presidente da Fiergs, Claudio Bier, deixa claro o tamanho dos problemas para o setor industrial gaúcho a partir das tarifas de 50% determinadas pelo governo americano aos produtos brasileiros.

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O tarifaço passa a vigorar nesta quarta-feira (6), afetando 85,7% da pauta exportadora gaúcha. “Apenas 14,3% foram beneficiados pela isenção. Destes, 8,2% são de celulose, que já tinha uma solução.” Bier se refere a CMPC, empresa sediada em Guaíba. “Eles têm uma planta no Chile que exporta para a China e a do Brasil [exporta] para os EUA. Para solucionar, isso seria invertido”, pontua.

Coletiva da Fiergs sobre o tarifaço  | abc+



Coletiva da Fiergs sobre o tarifaço

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial

Segundo o Sistema Fiergs, 1,1 mil indústrias gaúchas exportam para os Estados Unidos, representando 10% das exportações nacionais. “Os EUA são os maiores parceiros comercias do nosso setor.” Aproximadamente 145 mil trabalhadores podem ser afetados. “Pode ter um desemprego muito grande no nosso Estado. Todas as empresas que exportam, umas mais e outras menos, vão ter uma certa dificuldade.”

Entre os ramos mais prejudicados, Bier destaca dois setores ligados aos Vales do Sinos, Caí e Paranhana: calçadista e armamentista. “O setor calçadista, por exemplo, tem um tipo de calçado que é específico para os Estados Unidos, até porque eles fabricam já com a marca do comprador deles. Não tem como colocar a marca no Brasil ou outro local do mundo.”

O presidente da Fiergs enfatiza ainda a dificuldade em conquistar o mercado externo. “Outra coisa, não se faz um mercado exportador de uma hora para a outra. É um trabalho a longo prazo, de confiança.”

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Permanência no Brasil

No que se refere ao setor das armas, Bier afirma que conversou com dirigentes da Taurus, sediada em São Leopoldo. “Vai mexer com a economia de São Leopoldo, são 3 mil empregos diretos. 85% do faturamento da empresa é do mercado americano.”

No entanto, não há possibilidade da Taurus deixar o Brasil. “Não é viável transferir a planta para os Estados Unidos. Com esse problema, que mandaram os imigrantes embora, a mão de obra ficou muito escassa. Transferir uma empresa para lá é praticamente impossível.” Além disso, a questão da matéria-prima também é considerada um empecilho. “Seria taxada da mesma forma.”

Claudio Bier, presidente da Fiergs | abc+



Claudio Bier, presidente da Fiergs

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial

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Proposições CNI-Fiergs

Para evitar demissões, Bier avalia necessário ter apoio dos governos federal e estadual. “É o caminho mais perto e curto.” Para isso, a Fiergs e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaboraram uma série de proposições.

A primeira delas é que se realize o pagamento imediato dos pedidos de ressarcimento de saldos credores de tributos federais (PIS/Cofins e IPI) já homologados pela Receita Federal, garantindo compensações mais ágeis. Na sequência, é solicitada a ampliação do programa Reintegra, criado em 2015, que permite que empresas exportadoras apurem crédito para reembolsar, parcial ou totalmente, o resíduo tributário em sua cadeia produtivo. A elevação de 3% nas alíquotas também é demandada.

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Confira outras:

  • Reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE) com aperfeiçoamentos
  • Criar linha de financiamento emergencial do BNDES, com juros de 1% a 4% aa, específicas para capital de giro para empresas que tiverem exportações afetadas e suas cadeias produtivas.
  • Ampliar, de 750 dias para 1,5 mil dias, o prazo máximo entre a contração e a liquidação do contrato de câmbio de exportação nas modalidades de ACC e ACE, especialmente aqueles que estão em andamento, realizados por bancos públicos e desenvolvimento, após o embarque da mercadoria ou após a prestação de serviço.
  • Prorrogação do prazo de vencimento dos regimes fiscais especiais como o Drawback
  • Criação de linha de crédito do BRDE de R$ 100 milhões para empresas exportadoras afetadas pelas novas tarifas.
  • Liberação do Saldo Credor ICMS na Exportação.

“Que a gente não retalhe os Estados Unidos”

Questionado sobre a questão política do tarifaço, Bier afirmou que a Fiergs não vai tomar lado. “Para que a indústria seja mediadora.” Também reiterou que o Brasil não deve utilizar a Lei de Reciprocidade. “Que a gente não retalhe os EUA, se não, essas tarifas podem piorar.”

Ele lembrou a inflação e citou o medo de retorno. Sabemos que ele [Trump] quando é fustizado, aumenta sua raiva e sua maneira de agir.”

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