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ECONOMIA

Tarifaço completa três meses contabilizando dificuldades na indústria

Na expectativa da negociação entre Brasil e Estados Unidos, indústrias encaram queda no faturamento e redução de vagas

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Publicado em: 04/11/2025 às 14h:02 Última atualização: 04/11/2025 às 14h:03
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Há três meses, o início do tarifaço dos Estados Unidos, impondo taxas de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, deixou empresários apreensivos, impactando também a região.

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Durante este período, com a nova taxação sobre os produtos fabricados por aqui, as empresas têm se adequado à nova realidade e aguardam por mudanças do cenário.

Segundo entidades empresariais, não só as grandes empresas que exportam aos Estados Unidos foram afetadas, como também as pequenas, mesmo não sendo exportadoras, tiveram algum impacto no fornecimento de peças e componentes para as maiores.

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico de São Leopoldo (Sindimetal RS), Sergio Galera, diz que as empresas têm feito manobras para contornar a situação. “As empresas estão trabalhando numa situação que precisa ter uma solução.”

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Indústria é um dos setores mais afetados pelo tarifaço na região



Indústria é um dos setores mais afetados pelo tarifaço na região

Foto: Arquivo/GES

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Redução

Segundo Galera, na indústria metalmecânica do Rio Grande do Sul houve uma queda de 23% no faturamento nestes últimos três meses, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).

“Algumas tiveram até 50% de queda, mas no geral foi 23%”, afirma, ressaltando que o empresário é muito otimista e por isso segue atuando, buscando outros mercados, embora isso não ocorra de uma semana ou de um mês para outro. Mas segundo o dirigente, esta tem sido estratégia dos empresários.

“A questão das medidas tarifárias dos Estados Unidos fogem um pouco da área econômica. O entrave tem se dado na área política.”

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Conforme o presidente do Sindimetal RS – entidade que abrange 35 municípios e tem suas bases em São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapiranga, São Sebastião do Caí e Montenegro – , a tarifa de 100% que poderá ser imposta para a China também deve ter reflexos aqui, pois os chineses também vão procurar outros mercados e os preços dos produtos chineses são mais atraentes e competitivos.

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Indústria da borracha está na expectativa para retomada de tarifa anterior

O presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha do Rio Grande do Sul (Sinborsul) – com sede em São Leopoldo – , Sérgio Luiz Ferandin, diz que a entidade vem acompanhando o movimento nas empresas desde o início da medida tarifária dos EUA em 6 de agosto.

Segundo ele, a indústria da borracha, em sua maioria, não foi afetada diretamente. Indiretamente, no entanto, sofre o impacto, pois muitas empresas do setor são fornecedoras de produtos para quem exporta. “Fornecem, por exemplo, peças para máquinas que são exportadas.”

O setor de transformação de artefatos de borracha do Rio Grande do Sul é o segundo maior do Brasil. No Estado são cerca de 400 indústrias deste setor. Segundo o dirigente, “o setor está na expectativa para a retomada da condição anterior”. E o encontro na Malásia, entre o presidente Lula e o presidente norte-americano Donald Trump traz esperança e boas perspectivas para o fim do tarifaço.

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“Qualquer expectativa para 2026 é mera especulação”

Fazer uma projeção para 2026, segundo Ferandin, ainda é difícil. “Qualquer expectativa para o próximo ano é mera especulação”, afirma. “No momento, a expectativa é que se reverta esta situação”, destaca o presidente do Sinborsul, que tem cerca de 70 empresas associadas ou filiadas no Estado, em sua maioria situadas na região do Vale do Sinos e na Serra.

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Magnitude imprevista

A diretora Administrativa da Fecorte, de Sapucaia do Sul, Caroline Goulart Costella Foerth, afirma que o tarifaço teve impacto representativo para a indústria metalúrgica. “Classificamos este evento como de magnitude imprevista, não contemplado em nenhuma projeção de cenário, por mais pessimista que fosse. Já no mês de julho, com o anúncio, recebemos suspensões de alguns pedidos.”

Conforme Caroline, inicialmente a Fecorte buscou por medidas de contenção, reprogramando pedidos junto aos fornecedores e implementando um programa de férias emergenciais. Em seguida, em busca de ajustar a empresa à nova realidade de produção, demissões precisaram ser feitas. “Paralelamente, os esforços para o fechamento de novos projetos e parcerias se mantêm constantes, visando uma reversão de cenário em 2026. Estamos trabalhando neste objetivo.”

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A diretora entende que o encontro entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva foi mais de 90 dias atrasado para que pudesse ser dito que foi dada a devida atenção e urgência que o tema exige. “No entanto, mesmo que tardiamente, a expectativa é que seja feita a negociação necessária com o objetivo da imediata reversão da taxação.”

*Colaborou: Eduardo Zanotti

 

 

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