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FUTURO

Brenno Schulz supera limites e revela potencial no atletismo paralímpico

Atleta de 10 anos faz parte do projeto desenvolvido pela Prefeitura de Campo Bom em parceria com o Instituto Viva Esporte

Jorge Grimaldi
Publicado em: 02/06/2026 às 14h:53
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O projeto piloto “Iniciação ao Atletismo Inclusivo nas Comunidades”, desenvolvido pela Prefeitura de Campo Bom em parceria com o Instituto Viva Esporte, já começa a revelar histórias inspiradoras. Entre elas está a de Brenno de Moura Schulz, de 10 anos, aluno da Escola Municipal Borges de Medeiros, que encontrou no paratletismo uma nova forma de superar desafios.

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Brenno iniciou as atividades no projeto há cerca de dois meses. Antes disso, nunca havia praticado atletismo. Hoje, participa dos treinamentos semanais realizados na pista do Parcão, sob orientação da professora Luciana Sagrillo, coordenadora da iniciativa.

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Recentemente, o jovem atleta recebeu uma prótese e realizou seu primeiro treinamento utilizando o equipamento. A mudança foi imediata. Acostumado a se locomover com o auxílio de muletas, Brenno percebeu mais liberdade para correr e se movimentar. “Melhor”, resumiu, ao comparar a nova experiência com a rotina anterior.

Apesar da timidez nas respostas, o entusiasmo aparece dentro da pista. Além do atletismo, Brenno também pratica futebol, handebol e basquete na escola. Com a nova prótese, o jovem segue ampliando suas possibilidades no esporte e acumulando evolução a cada treinamento.

Talento que chama atenção

Segundo Luciana, o potencial do menino impressiona. Ela conta que o Instituto Viva Esporte, que mantém uma equipe adulta de paratletismo em Porto Alegre, buscava novos talentos quando surgiu a parceria com a Prefeitura de Campo Bom. Atualmente, sete estudantes participam do projeto, que atende jovens de 10 a 17 anos. “Dos sete atletas, pelo menos cinco têm muito talento. O Brenno, inclusive, é um deles. Temos esperança de conseguir grandes resultados para ele”, afirma a treinadora.

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A evolução do garoto chamou a atenção da equipe técnica. De acordo com Luciana, a prótese chegou para acelerar um processo que já vinha sendo promissor. “É o primeiro treino dele com a prótese. Antes, ele corria utilizando muleta e tinha muitas limitações. Por incrível que pareça, em apenas um treinamento ele já chegou próximo do movimento de corrida que buscamos. É um talento absurdo”, destaca.

A professora também elogia a dedicação do atleta. “Ele tem uma força de vontade extrema. Às vezes eu preciso pedir para que pare de treinar, porque ele quer continuar tentando e melhorando.”

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Além dos resultados que já apresenta, Brenno desperta expectativas para o futuro. Luciana acredita que, mantendo a dedicação e a evolução demonstradas nos treinamentos, ele poderá se tornar um atleta paralímpico nos próximos anos.

Primeira competição

O próximo desafio está marcado para 1º de agosto, quando Brenno e os demais integrantes do projeto disputarão o Meet Paralímpico do Comitê Paralímpico Brasileiro, em Porto Alegre. A competição servirá como seletiva para a Paralimpíada Escolar Nacional, prevista para novembro, em São Paulo.

Brenno deverá competir nos 60 metros rasos e no lançamento de pelota, modalidade utilizada como preparação para futuras provas de lançamento de dardo. Para quem há pouco tempo ainda dava seus primeiros passos no atletismo, a pista já se transformou em um lugar de novas conquistas e grandes possibilidades.

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Uma batalha vencida desde os primeiros dias de vida

Antes de se destacar na pista, Brenno já havia enfrentado seu maior desafio. O menino nasceu prematuro, com apenas 31 semanas de gestação, após complicações na gravidez da mãe, Quetlin Michaela de Moura.

O nascimento trouxe uma surpresa para a família. Nenhum exame durante a gestação havia identificado a deficiência. Logo após o parto, Brenno foi encaminhado para a UTI Neonatal, onde permaneceu internado por dois meses.

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Os médicos diagnosticaram a Síndrome da Brida Amniótica, uma condição congênita rara que ocorre quando filamentos do saco amniótico se rompem e acabam se enrolando em partes do corpo do bebê durante a gestação. No caso de Brenno, a condição comprometeu o desenvolvimento da perna esquerda. “Em nenhuma ecografia apareceu que ele tinha deficiência. Quando nasceu, foi um choque para nós”, relembra Quetlin.

Inicialmente, a equipe médica estudou a possibilidade de reconstrução do membro. No entanto, devido ao agravamento do quadro e ao início de necrose na região afetada, Brenno precisou passar por uma amputação de urgência com apenas quatro dias de vida. “Graças a Deus, ele se recuperou bem da cirurgia, mas continuou internado por dois meses. Sempre que parecia perto de receber alta acontecia alguma coisa e ele precisava permanecer na UTI”, conta a mãe.

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A adaptação começou ainda na primeira infância. Antes de completar um ano, Brenno passou a ser atendido pela Associação Canoense de Deficientes Físicos (ACADEF), em Canoas, onde recebeu acompanhamento multiprofissional. Aos 18 meses, ganhou a primeira prótese e iniciou o processo de reaprendizado da caminhada. “Todas as próteses que ele teve foram fornecidas pela ACADEF. Hoje a gente procura a instituição apenas para ajustes ou quando precisa trocar por uma nova”, explica Quetlin.

Recentemente, Brenno recebeu uma nova prótese, que já está utilizando nos treinamentos de atletismo. O equipamento representa mais um capítulo de uma trajetória marcada pela superação desde os primeiros dias de vida.

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