Chegou a hora de saber do que a seleção de Carlo Ancelotti é capaz. Se o Brasil será apenas um coadjuvante – mais uma vez, infelizmente – ou se vai ter as atenções voltadas à sua evolução e entrar na lista dos favoritos, ao lado de Argentina, França e Espanha – a nossa torcida e esperança.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Claro que este desafio deste sábado, contra os emergentes marroquinos, é só o primeiro jogo e a história das Copas traz diversos exemplos de seleções que chegam sem favoritismo, mas despontam a cada fase.
A Itália que nos eliminou em 1982 é um exemplo. Acreditem: ela passou a primeira fase sem vencer um jogo sequer. Empatou com Polônia, Camarões e Peru. Aí, venceu a Argentina na segunda fase e bateu o Brasil naquela trágica tarde em Sarriá. Acabou campeã batendo a Alemanha, que, aliás, havia perdido na estreia daquela Copa para a Argélia.
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Ou seja, a estreia é um momento de brilhar ou de repensar. O Brasil sabe disso. Em 1994, desacreditada, a seleção foi se reinventando e acabou campeã até sem ter – algo impensável para nós – um camisa 10 (o Raí deu lugar ao Mazinho nas oitavas e o time encaixou). Em 2002, o centro do País torcia o nariz para a “família Scolari”. Deu penta.
O adversário perigoso e emergente
O Marrocos é um emergente. E não joga retrancado. Busca o ataque. Vai ser assim neste sábado. Quarta colocada na Copa de 2022, a seleção africana já vinha subindo no ranking da Fifa desde 1998, quando alcançou o décimo lugar (foi a primeira seleção africana da história a entrar no top 10). Caiu nos anos seguintes, mas voltou ao top 10 nos últimos anos e hoje está em 7.º lugar, logo atrás do Brasil (6.º), que acima tem Portugal (5.º), Inglaterra (4.º), França (3.º), Espanha (2.º) e Argentina (1.º).
É a atual campeã do Campeonato Africano das Nações (em vitória no tapetão sobre o Senegal, é verdade) e da Copas das Nações Africanas e da Copa Árabe da Fifa. Desde a Copa de 2022, somou 58 jogos, com 44 vitórias e apenas três derrotas. São 122 gols marcados e 24 sofridos. Uma trajetória de respeito. Claro, em sua maioria contra times africanos e asiáticos.
Um Brasil instável
O problema do Brasil é sua instabilidade. Falhas na defesa (como a do recente jogo contra o Egito), um meio-campo que produz pouco (é a crônica falta de um camisa 10 na era Neymar, seja pelas lesões ou mesmo pelos apagões do craque santista) e um ataque de estrelas – que brilham na Europa, mas se apagam na seleção – que perde muitos gols e às vezes exagera no “toquinho” a mais. Sem falar que parece falta um entrosamento, aquele lance de dar um toque que é capaz de desmontar o adversário. Temos individualidade, mas falta o coletivo.
Mas isso foi antes da Copa. A partir deste sábado, a seleção começa uma nova história. Foi assim , por exemplo, em 1994 e 2002, quando o Brasil vinha desacreditado pelas mudanças de técnico e resultados ruins. Deu tetra e penta. Invictos. No caso do penta, com sete vitórias em sete jogos, uma campanha só comparável ao tri, do México, onde a seleção também venceu todos os jogos (na época eram seis).
Desde 1938 sem derrota na estreia
Perder em estreia é algo inimaginável para o Brasil. Isso não acontece desde 1934, quando perdemos por 3 a 1 para a a Espanha, em um jogo eliminatório na primeira fase. Tínhamos perdido em 1930 também. Mas era outro tempo. Desde 1938 acumulamos uma série invicta de 20 estreias sem perder. Desde 1978, quando empatamos com Suécia, só empatamos uma vez nestes anos todos: 1 a 1 com a Suíça em 2018. No mais só vitórias. Nada avassalador, é verdade, mas vencemos.
O que se espera desta estreia é um jogo seguro. Se der 1 a 0 já dá para comemorar. Não se espera goleada sobre o Marrocos (até seria ótimo, mas vamos com calma). O que se espera é solidez. Sem afobação. Algo que a seleção raramente mostrou neste ciclo pós-Copa de 2022.
Esperança no hexa
Mas é preciso acreditar. É hora de deixar tudo para trás e escrever uma nova história. E, como já disse, vale até se prender em alguma superstição. Nunca ficamos mais de 24 anos sem um título. E dá até para forçar e lembrar que Vicente Feola, o primeiro técnico a levar o Brasil a um título de Copa , em 1958, era descendente de imigrantes italianos. Hoje temos um italiano nato, o Carletto, que faz o seu primeiro jogo como técnico de uma seleção em Copas do Mundo.
Ah, e vale lembrar que naquela Copa de 58, coincidentemente, a Itália também não foi. Como agora.
Óóóó… Vamos acreditar! O Hexa pode estar logo ali.