Na manhã desta sexta-feira (26), enquanto equipes de resgate vasculhavam escombros sob pressão de horas contadas, um site criado para registrar pessoas ainda não localizadas acumulava 50 mil nomes. Cada entrada representava uma família aguardando notícias sobre alguém soterrado após os dois maiores terremotos registrados na história moderna da América Latina.

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Os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 sacudiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), atingindo uma região a cerca de 160 km a oeste de Caracas. O balanço de mortos chegou a 920 nesta sexta-feira (26), com outras 3.360 pessoas feridas, segundo Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana. A atualização foi divulgada originalmente pela CNN Brasil.
Escombros e escala da destruição
La Guaira, cidade litorânea nos arredores de Caracas, concentrou os danos mais severos. Pelo menos 100 edifícios desabaram na região, entre eles prédios de apartamentos de vários andares. De acordo com Rodríguez, 383 residências foram total ou parcialmente destruídas, a maioria no estado de La Guaira, e mais de 4 mil pessoas estão desabrigadas.
As equipes de busca e salvamento trabalham dentro da chamada “janela de ouro”, o período de até 72 horas após o terremoto em que as chances de encontrar sobreviventes com vida entre os escombros são maiores. O próprio ritmo das operações sugere que o número de mortos ainda crescerá; o Serviço Geológico dos EUA projeta que as vítimas fatais podem chegar a 10 mil à medida que os trabalhos avançam.
Resposta governamental irregular
Delcy Rodríguez anunciou na sexta-feira (26) a militarização do estado de La Guaira como parte da resposta ao desastre. O governo da presidente interina, que assumiu o cargo após a prisão de seu antecessor pelos Estados Unidos em uma operação realizada em 24 de janeiro, prometeu mobilização em massa de assistência.
Na prática, porém, a resposta foi desigual na quinta-feira (25). Bombeiros, policiais, agentes da defesa civil e militares estavam presentes em algumas localidades, mas ausentes ou com atuação mínima em outras. A lacuna na cobertura das equipes oficiais contrasta com a magnitude de um desastre que atingiu os venezuelanos durante um feriado nacional.
O que ainda permanece incerto é a dimensão real do número de desaparecidos. Os 50 mil nomes registrados no site de rastreamento na manhã de nesta sexta-feira (26) representam um indicador parcial e em constante atualização, dependente da própria capacidade das famílias de acessar e usar a plataforma em meio ao caos. A “janela de ouro” se fecha enquanto essa contagem ainda cresce.