O La Niña está com os dias contados. Dados analisados pela MetSul indicam que o fenômeno se encontra nos últimos dias e deve chegar ao fim muito em breve.
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Foto: NOAA/MetSul
O último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, mostra que a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacifico Equatorial Central-Leste está em -0,7°C, valor na faixa de La Niña de fraca intensidade (entre -0,5°C e -0,9°C).
A meteorologista Estael Sias explica que em nenhum momento o fenômeno alcançou intensidade moderada e se trata de um episódio muito fraco e curto de La Niña, como, inclusive, já havia sido antecipado.
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No Pacífico Equatorial mais a Leste, perto das costas do Peru e do Equador, a anomalia de temperatura do mar na chamada região Niño 1+2 está em -0,3°C. “Essa zona em especial do oceano costuma ter impacto na chuva do Rio Grande do Sul e quando se resfria nesta época do ano tende a reduzir a chuva no estado gaúcho com impactos na agricultura.”
Onda quente submersa influencia fim do La Niña
Nas últimas semanas, meteorologistas que monitoram o clima global passaram a observar mudanças importantes na temperatura das águas abaixo da superfície do Pacífico Equatorial, região que funciona como o “coração” dos ciclos de La Niña e El Niño.
Segundo Estael, “o ponto central dessa virada é o surgimento de uma forte onda quente submersa, detectada pelas boias TAO, uma rede internacional de instrumentos que monitora continuamente o Pacífico”. “Essa onda, chamada de onda Kelvin de subsidência, é uma massa enorme de água mais quente que se desloca em profundidade”, esclarece.
Esse fenômeno empurra a água fria para baixo e faz com que a água quente se aproxime da superfície, ou seja, justamente o oposto do que mantém o La Niña ativo. Deste modo, a água que antes estava mais fria começa a perder força, abrindo espaço para temperaturas mais elevadas que levam o Pacífico a um estado neutro ou até mesmo ao início de uma fase de El Niño.
“O Pacífico está esquentando de baixo para cima, e esse aquecimento submerso é o gatilho que normalmente marca a transição para uma nova fase climática”, aponta a meteorologista.
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Transição para El Niño
A tendência é de que o mês de fevereiro seja de neutralidade. No entanto, um El Niño deve se desenvolver ao longo do próximo outono e inverno.
Se o fenômeno for confirmado, ainda não será possível saber qual será sua intensidade. “Um cenário de El Niño forte não pode ser descartado.”
La Niña x El Niño
O La Niña é caracterizado por temperaturas abaixo do normal na superfície do Oceano Pacífico equatorial central e oriental.
Essa condição contrasta com o El Niño, sua contraparte quente, e faz parte do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que influencia os padrões climáticos em todo o mundo.