Meteorologistas de diferentes partes do mundo preveem há dias um cenário desolador para a Jamaica. Apesar do “pior cenário possível”, como já havia alertado a meteorologista Estael Sias, da MetSul, o furacão Melissa seguia ganhando força no começo desta terça-feira (28), antes de atingir o país caribenho.
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Foto: CIMSS/MetSul
A tempestade descrita como “um monstro, literalmente uma besta na atmosfera”, atingiu categoria 5, máximo da escala, na segunda (27), e superou hoje a intensidade do furacão Katrina, que devastou a Flórida em agosto de 2005. Conforme Estael, Melissa deve atingir a Jamaica entre esta terça e a quarta (29) com ventos acima de 300 km/h. “Trata-se de um furacão catastrófico e um dos mais intensos da história moderna.”
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A meteorologista pontua que, desde o fim de semana, “o cenário apenas piorou com a tempestade testando os limites da física ao atingir intensidade no limite quase máximo que um furacão pode alcançar nesta época do ano no Atlântico”. Ela diz ainda que o furacão vai atingir, com potência total, de Norte a Sul do país de 3 milhões de pessoas.
“Localidades podem ser varridas do mapa”
“O nível de devastação será tamanho em parte da Jamaica que algumas localidades podem ser varridas do mapa. Se tornarão inabitáveis por anos”, salienta Estael.
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) alerta para risco de colapso estrutural total. “É linguagem formal e técnica para dizer que em alguns pontos tudo será destruído e nada vai sobrar em pé.”
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São previstas rajadas de vento do 300 km/h a 350 km/h em uma extensa área do país caribenho. Além disso, haverá chuva intensa que deve passar de mil milímetros em poucos dias, o que provocará inundações catastróficas e deslizamentos de terra que podem soterrar vilarejos e partes de pequenas cidades inteiras nas áreas de relevo.
Na costa, há chance de tsunami durante o avanço da tempestade.
Melissa não é qualquer tempestade
A meteorologista da MetSul destaca que Melissa será histórico. “É um furacão que entrará para os livros de história, tal sua intensidade e o comportamento da sua formação com lentíssimo deslocamento sob águas muito mais quentes do que deveria estar no Caribe, pelas mudanças no clima.”
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Como furacões se tornam históricos
A intensidade dos furacões que entram para rankings não é medida pelo vento, mas por quão baixa é a sua pressão central. O caso de Melissa, que caiu para 901 milibares, faz com que se torne o sexto mais violento e intenso já vistos na bacia do Atlântico desde 1979, quando as medições de pressão passaram a ser feitas.
“Para se ter ideia de quão violenta é a tempestade, a pressão de hoje de manhã [terça], de 901 mb, deixa Melissa logo à frente de Katrina, que em 2005 alcançou 902 mb, e reforça o caráter extremo e potencialmente devastador da tempestade.”
O furacão desta semana fica ao lado de sistemas como:
- Wilma, em 2005, que atingiu 882 mb;
- Gilbert, em 1988, com 888 mb;
- Milton, em 2024, e Rita, em 2005, ambos com 895 mb;
- e Allen, em 1980, com 899 mb.
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