abc+

MUNDO

Plano de paz em Gaza: O que se sabe sobre proposta do presidente dos EUA para acabar com guerra

Apesar de ter aceito proposta, primeiro-ministro de Israel afirmou que não irá cumprir com certos requisitos; confira também o que o mundo acha do plano dos EUA

Publicado em: 30/09/2025 às 11h:26 Última atualização: 30/09/2025 às 11h:34
Publicidade

A guerra na Faixa de Gaza pode estar perto do fim? Visto como ambicioso, mas talvez irrealista, o plano de paz criado pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi aceito pelo primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu em um primeiro momento. No entanto, nesta terça-feira (30), o premiê mostrou estar incerto quanto a alguns pontos.

Publicidade

Plano de Donald Trump foi aceito por Benjamin Netanyahu | abc+



Plano de Donald Trump foi aceito por Benjamin Netanyahu

Foto: Official White House/Joyce N. Boghosian

Internacionalmente, o plano de Trump foi visto com bons olhos. O presidente do Conselho Europeu António Costa, por exemplo, usou as redes sociais para saudar a proposta. “A situação em Gaza é intolerável. As hostilidades devem cessar e todos os reféns devem ser libertados imediatamente”, escreveu.

O plano também foi bem recebido pelos ministros das Relações Exteriores do Catar, dos Emirados Árabes Unidos (EAU), do Egito, da Indonésia, da Arábia Saudita, do Paquistão e da Turquia. Eles publicaram uma declaração conjunta na segunda-feira (29).

A primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni e o presidente da França Emmanuel Macron também celebraram a proposta dos EUA para que o conflito, descrito como genocídio pela Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Território Palestino Ocupado, chegue ao fim.

Ainda que tenha aceito o plano, Benjamin Netanyahu afirmou que não irá retirar as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) da Faixa de Gaza, o que é um dos pontos da proposta de Donald Trump. Questionado, ele disse que o exército “vai continuar na maior parte do território”, segundo o portal de notícias internacional The Guardian.

Publicidade

Ao ser perguntado se era a favor da criação de um Estado da Palestina, Netanyahu disse que “absolutamente não”. “E também não está escrito no acordo. Mas uma coisa nós dissemos: ‘nós somos completamente opostos a criação de um Estado palestino’. O presidente Trump também disse isso, ele disse que entende nossa posição.”

Enquanto isso, o Hamas ainda não respondeu oficialmente à proposta. Ainda nesta terça-feira, Donald Trump disse que o grupo tem entre “três e quatro dias” para responder ao plano. “Hamas vai fazer ou não e, se não, será um fim bem triste”, declarou ao The Guardian.

Já o secretário geral da Iniciativa Nacional Palestina Mustafa Barghouti afirmou que não há “nada que garanta a paz” no plano dos Estados Unidos. “Esse plano é totalmente enviesado para o lado israelense. Eles chamam isso de um plano de paz, mas não há nada que garanta a paz, porque não fala sobre o fim da ocupação. A principal causa par aos problemas que temos no sistema de opressão e apartheid do povo palestino”, afirmou ele, segundo o jornal.

Publicidade

Principais pontos da proposta de Trump

Dentre os principais pontos da proposta de Donald Trump para que o conflito acabe, está que Gaza deve se tornar uma zona “livre do terrorismo” e que não apresente ameaça aos vizinhos, conforme o jornal internacional BBC. Ainda, o local deve ser “redesenvolvido” para o benefício da população.

Caso os dois lados aceitem, a guerra acaba imediatamente. Com isso, as forças israelenses devem se retirar de Gaza, para um ponto acordado, para se preparar para a liberação dos reféns. Enquanto isso, toda a operação militar vai continuar parada até que as condições sejam alcançadas para que as forças sejam retiradas completamente.

Publicidade

Reféns

Todos os reféns, mortos ou não, devem ser liberados dentro do período de 72 horas após Israel ter publicamente aceito o plano. Assim que todos estiverem livres, o país israelense irá liberar:

  • 250 prisioneiros sentenciados à prisão perpétua;
  • 1.700 pessoas de Gaza, que foram detidos após o ataque de 7 de outubro de 2023, incluindo mulheres e crianças;
  • Para cada um dos israelenses cujos restos mortais forem liberados, Israel irá trocar pelos restos mortais de outros 15 moradores de Gaza.

Quando todos os reféns forem libertados, o plano de Trump afirma que os membros do Hamas, que se comprometerem com a coexistência pacífica e entregarem as armas, receberão anistia e, caso queiram deixar Gaza, irão receber passagens para viajar com segurança para países receptores.

Ajuda humanitária

Também há cláusulas sobre a ajuda humanitária. Se o plano for aceito, ajuda completa será enviada para a Gaza, incluindo a reabilitação da infraestrutura de energia, esgoto e água, além dos hospitais e padarias. O acordo também garante que equipamentos serão enviados para que os destroços sejam limpos. Ainda, a proposta deixa claro que nenhuma das partes deve interferir na entrada dos insumos.

Publicidade

Quem vai governar Gaza

Conforme o acordo, a Faixa de Gaza será comandada por um comitê Palestino temporário e apolítico, de forma transitória e tecnocrática. Eles serão responsáveis por fazer o dia a dia dos serviços públicos e municipais da população.

Especialistas palestinos e internacionais farão parte do comitê, supervisionados por um novo “Conselho da Paz”, comandado principalmente por Donald Trump, junto a outros membros que ainda não foram informados. A BBC afirma ainda que, entre eles, está o primeiro-ministro Tony Blair.

Publicidade

O plano também cita que há propostas econômicas para o desenvolvimento e reconstrução do local. Ainda, uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas e acessos a serem negociados. Como esperado, o Hamas e outros grupos devem aceitar que não irão ter qualquer papel no governo de Gaza.

SE INSCREVA NA NEWSLETTER DO ABCMAIS

Publicidade

Criação da ISF 

O plano também cita a criação do International Stabilisation Force (ISF), um grupo temporário que irá treinar e dar suporte para as forças policiais palestinas em Gaza, além de trabalhar com o Egito e Israel nas fronteiras para garantir que os insumos de ajuda entrem no local de forma segura, segundo Trump. Ele será criado pelos EUA, com ajuda de parceiros árabes, egípcios e jordanianos.

Israel não irá ocupar Gaza

Outro ponto do plano de Trump deixa claro que Israel não irá ocupar ou anexar Gaza ao próprio território. Ainda segundo a proposta de Trump, ninguém será obrigado a deixar a Faixa de Gaza e, os que deixarem o local, poderão voltar quando quiserem.

Progressivamente, o IDF vai entregar para o ISF as áreas que estão ocupadas na Faixa de Gaza. No entanto, o exército israelense continuará presente em um perímetro de segurança, atpe que o local esteja “propriamente seguro de qualquer ameaça terrorista que possa ressurgir”.

Caso Hamas rejeitar ou perder o prazo de resposta à proposta, o plano seguirá igual nas áreas que forem entregues pela IDF ao ISF. 

Publicidade