O supertufão Bavi avançou pelo Pacífico e atingiu, no início da semana, as Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos, com intensidade extrema. A pequena ilha de Rota, onde vivem cerca de 1,9 mil pessoas, foi o principal alvo do sistema, que passou diretamente sobre a região com ventos sustentados estimados em até 290 km/h, equivalentes a um furacão de categoria 5.
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Foto: NOAA/CSU
Conforme o meteorologista Luiz Nachtigall, da MetSul, Bavi se tornou o ciclone mais intenso do ano até agora. As primeiras avaliações apontam danos severos a catastróficos.
Edifícios públicos foram destruídos, árvores foram arrancadas pela raiz, postes caíram e as redes de energia e comunicação ficaram interrompidas. Um dos prédios atingidos foi o gabinete do prefeito de Rota, enquanto imagens divulgadas nas redes sociais mostravam ruas cobertas por destroços, telhados arrancados e construções parcialmente destruídas.
Infraestrutura comprometida e resposta lenta
As equipes de emergência ainda enfrentam dificuldades para medir a dimensão exata dos prejuízos, já que o tempo continuou instável mesmo após a passagem do centro do ciclone. Em Rota, uma torre de telefonia colapsou, deixando grande parte da população sem sinal de celular nas horas seguintes ao impacto, e muitos acessos seguem bloqueados por destroços.
A ilha de Guam, localizada a cerca de 80 quilômetros ao sul de Rota, também registrou impactos importantes, embora tenha escapado da área mais intensa do ciclone. Árvores foram derrubadas, postes caíram, veículos foram tombados e rodovias ficaram obstruídas, dificultando a circulação das equipes de resgate e limpeza.
Como Bavi se tornou tão intenso
Segundo o Centro Conjunto de Alerta de Tufões, o JTWC, Bavi atingiu seu pico de intensidade no momento em que cruzou Rota, sendo classificado como um supertufão de categoria 5, com rajadas próximas de 350 km/h. A Agência Meteorológica do Japão também estimou pressão central em torno de 910 hPa, valor extremamente baixo e típico dos ciclones tropicais mais poderosos do planeta.
Especialistas explicam que o sistema se aproximou do potencial máximo de intensidade graças a uma combinação rara de fatores. As águas superficiais do Pacífico Ocidental estavam entre 30°C e 31°C, com alto conteúdo de calor oceânico em profundidade, o que ajudou a manter a tempestade alimentada. Além disso, o cisalhamento do vento era reduzido, favorecendo uma estrutura interna muito organizada.
Imagens de radar obtidas a partir de Guam também indicaram a presença de mesovórtices na parede do olho do ciclone. Esses pequenos redemoinhos podem causar rajadas localizadas muito acima da média e já foram observados em furacões destrutivos como Hugo e Andrew, contribuindo para áreas de devastação ainda mais severa.
Trajetória segue para o Leste da Ásia
Após o impacto nas Marianas, Bavi começou a enfraquecer lentamente, mas continua extremamente perigoso. A previsão indica que o aumento do cisalhamento do vento nos próximos dias deve reduzir gradualmente sua força, embora o sistema ainda deva permanecer como um tufão poderoso ao se aproximar do Leste da Ásia.
A trajetória projetada leva o ciclone em direção ao norte de Taiwan e às ilhas Ryukyu, no sul do Japão, antes de um possível deslocamento para o litoral da China. Mesmo com ventos mais fracos do que os registrados em Rota, o campo de vento mais amplo aumenta o risco de ressaca, maré de tempestade, chuvas torrenciais e inundações.
Temporada mais ativa e novo alerta climático
A temporada de tufões deste ano tende a ser mais ativa por causa do El Niño, que altera a circulação atmosférica global e costuma favorecer a formação de ciclones tropicais intensos no Pacífico Ocidental. O cenário ganha força ainda com a temperatura anormalmente alta dos oceanos, já que junho registrou as maiores médias da superfície do mar para o mês.
As Ilhas Marianas do Norte, por sua vez, convivem com recorrentes ameaças desse tipo. Nos últimos anos, o arquipélago já foi atingido por eventos destrutivos como os supertufões Mawar, em 2023, e Sinlaku, que deixou destruição, falta de energia e grandes prejuízos à infraestrutura. Agora, o Bavi amplia a lista de tempestades severas na região.