Sismólogos americanos descobriram uma estrutura geológica sem precedentes sob a Ilha de Bermuda, um dos vértices do famoso Triângulo das Bermudas. A pesquisa, publicada na revista Geophysiccal Research Letters no final de novembro, revela a existência de uma camada rochosa adicional de 20 quilômetros de espessura entre a crosta terrestre e o manto.
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Foto: Freepik
Esta formação funciona como uma plataforma natural que eleva a ilha cerca de 500 metros acima do solo oceânico, impedindo seu afundamento, conforme reportado pelo Estadão. O fenômeno contradiz o comportamento típico de ilhas vulcânicas, que normalmente submergem com o movimento das placas tectônicas, como acontece no Havaí.
A hipótese dos pesquisadores sugere que esta camada extra se formou durante a última atividade vulcânica na região, quando material do manto penetrou na crosta e solidificou. Isso explicaria por que a ilha permanece elevada, mesmo com seus vulcões inativos há 31 milhões de anos.
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“Normalmente, depois da crosta oceânica, encontramos o manto terrestre”, explicou William Fraser, pesquisador do Instituto Carnegie e um dos autores do estudo. “Mas na Ilha de Bermuda existe essa outra camada, entre a crosta e o manto. Essa espessura nunca foi observada em nenhuma outra camada semelhante ao redor do mundo.”
A descoberta foi realizada por um grupo de sismólogos dos Estados Unidos que analisou detalhadamente a composição do subsolo da ilha. O Triângulo das Bermudas, tradicionalmente associado a relatos de desaparecimentos misteriosos de navios e aviões, agora também se destaca por suas características geológicas únicas.
Os cientistas ainda não sabem se outras ilhas ao redor do mundo apresentam formações semelhantes. A equipe planeja expandir a pesquisa para outras regiões para determinar se a estrutura encontrada em Bermuda é única ou se existem configurações similares em outros locais.
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A geóloga Sara Mazza, do Smith College em Massachusetts, que não participou do estudo, analisou os resultados e sugeriu que a composição da rocha indica origem no manto terrestre. Segundo ela, a formação provavelmente ocorreu durante o período de formação do supercontinente Pangea, entre 900 e 300 milhões de anos atrás.
“O fato de estar localizada numa área que era o coração do último supercontinente é parte da história que torna esse lugar tão único”, afirmou a geóloga em entrevista à revista Live Science.