Filho amado, irmão querido e escoteiro dedicado, o jovem Marco Aurélio Bezerra Simon, então aos 15 anos, subiu o Pico dos Marins no dia 8 de junho de 1985, junto a três amigos e um chefe, para nunca mais voltar.
Quatro décadas separam a família de uma resposta sobre o paradeiro do menino, enquanto a falta de uma pista concreta que leve a polícia a uma resposta mantém as esperanças de encontrá-lo vivo acesas.

Foto: WikimediaCommons/Reprodução
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Agora, um novo documentário chega ao Globoplay para elucidar o caso e mostrar os mais recentes desdobramentos das investigações, que levaram a novas escavações ocorridas em novembro do ano passado.
A série é uma extensão do podcast Pico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio, programa lançado em 2022 que ultrapassou 1 milhão de downloads nas plataformas de áudio.
Em dez episódios detalhados de cerca de 1 hora cada, o podcast criado e apresentado pelo cineasta Marcelo Mesquita (Cidade Cinza) revisita o desaparecimento do escoteiro, os passos da investigação policial, a cobertura da imprensa e o imenso labirinto de pistas inconclusivas sobre o que possa ter acontecido de fato. Tudo isso com um acesso impressionante a documentos e personagens, graças ao auxílio da própria família de Marco Aurélio.
Por trás da direção do podcast estão Mesquita e Ivan Mizanzuk, do Projeto Humanos, que ganhou projeção nacional com o sucesso de O Caso Evandro, transformado em série documental no Globoplay em 2021.
Na nova série, que chegou ao Globoplay no dia 12, Marcelo promete trazer novidades sobre o caso e entrevistas inéditas, na tentativa de, quem sabe, dar uma resposta a Ivo Simon, jornalista que, aos 87 anos, não para de buscar o filho.
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Um grande cartaz de “procura-se”
Nascido em uma família dedicada ao escotismo em São Paulo, Marco Aurélio fazia uma expedição ao Pico dos Marins acompanhado de três colegas da mesma idade, Osvaldo Lobeiro, Ricardo Salvione e Ramatis Rohm, e do líder, Juan Céspedes, no dia 8 de junho de 1985. Durante a subida, Osvaldo machucou o joelho ao escorregar em um buraco, o que fez o grupo cancelar o trajeto.
Como Osvaldo não conseguia apoiar o pé no chão sem sentir dor, Ricardo, Ramatis e o chefe Juan estavam auxiliando em sua descida, enquanto Marco Aurélio, eleito monitor, foi na frente para orientar o caminho. Ele estava munido de um giz para marcar as pedras com o número do grupo, 240, para servir como guia. Em uma bifurcação, o chefe Juan decidiu seguir um caminho diferente do traçado por Marco Aurélio, e demorou horas para chegar à base. Quando chegou, não encontrou o garoto, que nunca mais apareceu.
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A angústia de uma família deixada sem respostas
Parte do processo de acompanhar o podcast Pico dos Marins passa por sentir a angústia de uma família deixada sem respostas. O pai, Ivo, a mãe, Neuma, e os irmãos nunca deixaram de procurar Marco Aurélio. Por isso, Mesquita conta que o grande objetivo do projeto era “levantar um grande cartaz de procura-se”.
“Se lá em 1985 ele usou os jornais impressos e a televisão aberta, ele foi se adaptando”, conta Mesquita ao Estadão, sobre a busca incansável de Ivo.
“No início da década de 2000, ele foi procurando outros veículos. Quando o streaming surgiu, ele falou: ‘Bom, agora é isso’. Rapidamente eu entendi que ele não só queria contar essa história, como ele estava à procura. Foi quase como uma missão do seu Ivo.”