A deputada estadual de São Paulo Fabiana Bolsonaro (PL), que se envolveu em uma polêmica nesta semana ao pintar o rosto de marrom – motivo pelo qual é alvo de pedidos de cassação no Conselho de Ética da Alesp por praticar blackface – se autodeclarou parda nas eleições de 2022.
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Foto: Reprodução
Conforme informações que constam no DivulgaCand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reúne dados sobre as eleições, a então candidata preencheu o campo “Cor/Raça” como “Parda”. Ao fazer a declaração, de acordo com o Uol, Fabiana poderia ser considerada negra, já que o Estatuto da Igualdade Racial considera que negros são o conjunto de pessoas pardas e pretas, conceito adotado pelo IBGE.
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Ainda segundo informações do Uol, Fabiana recebeu repasse de R$ 1.593,33 do Fundo Eleitoral destinados a candidatos negros em 2022. A deputada não havia se manifestado sobre o caso ao portal até a tarde desta quinta-feira (19).
“Decido me travestir de negra”
A ação foi um protesto contra a nomeação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Fabiana Bolsonaro não possui relação com a família do ex-presidente.
Durante o discurso, a parlamentar questionou sua própria identidade racial enquanto se pintava. A deputada tentou estabelecer uma comparação com a identidade de gênero de Erika Hilton, conforme informações da Folha de S.Paulo.
“Eu tive os privilégios de uma pessoa branca durante toda a minha vida. Agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E agora, virei negra?”, questionou Fabiana Bolsonaro.
A parlamentar continuou: “Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que não posso presidir a comissão de antirracismo?”.
A deputada Monica Seixas (PSOL) levantou questão de ordem durante a fala da colega. Monica acusou Fabiana de transfobia, racismo e prática de blackface. A prática ocorre quando uma pessoa branca pinta o rosto ou o corpo para simular uma pessoa negra.
A deputada do PSOL pediu a suspensão da sessão e da transmissão. Monica solicitou ainda censura por discurso de ódio.
Fabiana afirmou que realizava um “experimento social”. A parlamentar disse que era formada em direito.
O presidente da sessão, Fábio Faria de Sá (Podemos), interrompeu a discussão entre as deputadas. Ele não cassou a palavra de Fabiana Bolsonaro. O presidente permitiu que ela esgotasse o tempo de fala. Fábio Faria de Sá informou que encaminharia o caso à presidência da Casa.
Origem da prática nos Estados Unidos
A prática do blackface tem origem estimada em 1830, nos Estados Unidos. O período marcava a transição entre escravidão e abolição da escravatura. O termo vem do inglês, onde “black” significa “negro” e “face” significa “rosto”. A técnica consiste na pintura da pele com tinta escura.
No século 19, atores brancos pintavam os rostos de preto em espetáculos humorísticos. Eles se comportavam de forma exagerada para ilustrar comportamentos que os brancos associavam aos negros. As personagens criadas não tinham características positivas: falavam errado, eram mal caráter, preguiçosas, atrapalhadas, sexualizadas, violentas e animalescas.
A prática surgiu numa época em que os negros nem eram autorizados a subir nos palcos e atuar, por causa da cor da pele. Pessoas negras eram ridicularizadas para o entretenimento de brancos através do blackface. Estereótipos negativos vinham associados às piadas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.
A prática continuou em programas de TV e no teatro por boa parte do século 20. O blackface chegou a se tornar um gênero de teatro próprio.
O ato se estabeleceu como estratégia presente em sociedades racistas para negar cidadania e segregar populações não brancas.