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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Caso Ana Clara: O que se sabe sobre a jovem que teve as mãos decepadas

Ministério Público do Ceará pediu à Justiça que irmãos presos pelo crime paguem R$ 97 mil de indenização à vítima

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Publicado em: 15/05/2026 às 12h:03 Última atualização: 15/05/2026 às 12h:04
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O Ministério Público do Ceará pediu à Justiça que Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, e Evangelista Rocha dos Santos, de 34, paguem R$ 97.260 de indenização a Ana Clara de Oliveira, de 21 anos.

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A jovem teve as mãos decepadas com golpes de foice na madrugada de 1º de maio, em Quixeramobim, no interior do estado.

A denúncia foi apresentada na quinta-feira (14) pela promotora de Justiça Juliana Santos, da 2ª Promotoria de Justiça de Quixeramobim.

Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, teve as mãos decepadas com uma foice no dia 1º de maio, em Quixeramobim.  | abc+



Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, teve as mãos decepadas com uma foice no dia 1º de maio, em Quixeramobim.

Foto: Reprodução

Ana Clara e Ronivaldo mantinham união estável há dois anos. O relacionamento era marcado por discussões frequentes e agressões físicas.

Na noite do crime, o casal consumiu bebida alcoólica antes de iniciar uma discussão.

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Ronivaldo afirmou em depoimento que a briga teria relação com transferências bancárias que Ana Clara teria feito da conta dele para a dela, conforme informações divulgadas pelo g1.

Durante a discussão, Ana Clara acertou o veículo de Ronivaldo com uma pedra. O vidro do carro quebrou. A briga prosseguiu na rua. Câmeras de segurança registraram parte dos acontecimentos.

Ronivaldo deixou a residência. Cerca de 20 minutos depois, ele retornou acompanhado do irmão Evangelista. Os investigadores apontam que o retorno teve propósito feminicida e clara premeditação criminosa.

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Como o crime aconteceu

Evangelista escalou o muro da casa onde Ana Clara morava com Ronivaldo. Ele se aproximou da janela onde a jovem estava. Pediu para ela abrir para “conversar”. Assim que entrou na residência, iniciou os ataques.

O primeiro golpe de foice decepou a mão direita da vítima. Os golpes seguintes deixaram a mão esquerda semi-amputada. Ana Clara sofreu cortes profundos no ombro, perna e cotovelo.

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Durante o ataque, Ronivaldo instigou o irmão mais novo. Ele deu comandos repetidos para que Evangelista matasse a mulher.

A denúncia do Ministério Público descreve: “Pouco tempo depois, o companheiro da vítima voltou acompanhado do irmão, que portava uma foice, e passou a instigá-lo, dando comandos repetidos para que ele matasse a mulher. Diante disso, o cunhado da vítima desferiu golpes de foice contra ela, causando-lhe múltiplas lesões e decepando as mãos dela. As agressões só pararam quando ela desfaleceu e os dois irmãos fugiram do local”.

Câmeras de segurança registraram Ronivaldo dizendo: “Pode matar ela, pode matar”. Em vídeos, ele aparece chamando a mulher de “ladrona”.

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As agressões cessaram quando Ana Clara desfaleceu. Os dois irmãos fugiram do local. Vizinhos ouviram os gritos de pedido de socorro da vítima. Eles acionaram a Polícia e uma ambulância. Ana Clara foi socorrida e levada para atendimento médico de emergência.

Conversas após o crime

Diálogos obtidos pela Polícia Civil após quebra de sigilo dos telefones dos irmãos revelam conversas entre os dois após o ataque. A quebra foi autorizada pela Justiça.

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Por volta das 2 horas da manhã, Evangelista escreveu: “Manda só mil reais que vou sumir”.

Ronivaldo respondeu com um áudio: “A culpa toda vai subir pra mim. Eu que tenho que sumir do mapa, [tu] se faz de doido é? Loucura que tu fez isso aí, era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara […] Como é que vou mandar [dinheiro], se tudo vai sobrar é pra mim”.

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Em outra mensagem, Ronivaldo afirmou: “Era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara”.

No relatório de indiciamento contra os irmãos, a Polícia Civil destacou que o diálogo sobre a fuga demonstrava que Ronivaldo não tinha preocupação “com a condição da vítima brutalmente mutilada, mas exclusivamente com as consequências penais que recairiam sobre ele próprio”.

A Polícia Civil afirmou que “a conversa mantida entre os investigados evidencia que, mesmo acreditando ter causado a morte de Ana Clara, em nenhum momento houve qualquer manifestação de arrependimento, socorro ou preocupação humanitária com a integridade física da vítima”.

A promotora de Justiça Juliana Santos afirmou que a conversa entre os irmãos após o crime demonstra “inequívoco propósito feminicida e clara premeditação criminosa” e evidencia “de maneira absolutamente inequívoca sua participação ativa como mandante da execução criminosa”.

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“Silêncio aprisiona. Informação liberta” é a nova campanha do Grupo Sinos

Foto: Grupo Sinos

Prisões e depoimentos

Evangelista foi capturado às 10h30 de 1º de maio, em sua residência em Quixeramobim. Ronivaldo foi preso cerca de 13 horas na cidade de Madalena. A cidade fica a aproximadamente 63 quilômetros do local onde o ataque ocorreu.

Os dois irmãos foram conduzidos à Delegacia de Quixeramobim. Eles foram autuados por tentativa de feminicídio. Atualmente, ambos estão detidos em um presídio em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Evangelista confessou o crime. Ele forneceu detalhes do ocorrido. Segundo seu relato, ele estava em casa na madrugada da sexta-feira quando Ronivaldo ligou.

O irmão pediu que o acompanhasse à casa de Ana Clara para “conversar”. Evangelista afirmou que levou, por conta própria, a foice que seria utilizada no crime. Ele disse que “já estava na maldade”.

Evangelista informou em depoimento que os gritos do irmão o influenciaram a atacar a vítima com os golpes de foice. Os golpes atingiram primeiro o braço. Depois atingiram os outros membros. Ele declarou ainda que deixou a casa de Ana Clara por acreditar que ela tivesse morrido com os golpes.

Ronivaldo destacou ter ingerido álcool. Ele afirmou não lembrar da maior parte do que aconteceu. Ronivaldo disse no depoimento não se lembrar de quase nenhum acontecimento. Ele afirmou não se lembrar do momento em que gritou “pode matar ela” para o irmão. A cena foi captada pelas câmeras de segurança.

Ana Clara de Oliveira está internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, desde o dia do crime. Ela passou por três cirurgias entre 1º de maio e 11 de maio.

Ainda na sexta-feira (1º), ela foi submetida a uma cirurgia de emergência de 12 horas para reimplante da mão. O procedimento contou com a atuação de aproximadamente 15 profissionais. As equipes eram especializadas em microcirurgia e cirurgia da mão.

O procedimento foi considerado bem-sucedido. O fluxo sanguíneo do organismo para a mão reimplantada voltou a acontecer. Ana Clara deixou a UTI sete dias após a cirurgia de reimplante. Ela foi para a enfermaria.

No sábado (9), ela precisou passar por uma cirurgia. A equipe médica constatou que o dedo mindinho da mão esquerda reimplantada não estava com fluxo sanguíneo. A intervenção cirúrgica durou cerca de 8 horas.

Na segunda-feira (11), ela foi submetida a uma cirurgia programada para recuperação do tendão da perna. O tendão havia sido cortado pelos golpes de foice.

Após a cirurgia de reimplante, Ana Clara já chegou a apresentar alguns movimentos. Ela precisará fazer fisioterapia para se recuperar totalmente.

A jovem passa a semana em observação da equipe médica. Os médicos avaliam a necessidade de possíveis intervenções cirúrgicas de transplante de pele em pontos onde tenha ocorrido necrose.

A Delegacia Municipal de Quixeramobim sustenta que Ronivaldo também é culpado pela tentativa de feminicídio. Ele buscou o irmão para executar o crime. Ronivaldo entregou a foice utilizada. Em determinado momento, gritou para Evangelista: “Pode matar ela, pode matar”.

A Delegacia de Quixeramobim aponta que Ronivaldo e Evangelista cometeram o crime de feminicídio tentado. O crime teve o agravante de utilização de meio cruel (foice). Houve também recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.

O Ministério Público requer o pagamento de R$ 97.260 a título de danos morais para Ana Clara. O valor está sujeito a alteração pela autoridade judicial responsável pelo julgamento do caso. Não há prazo definido para o julgamento. Também não há informações confirmadas se Ronivaldo realizou a transferência de dinheiro solicitada por Evangelista após o crime.

 

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Este é um movimento de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher
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