Em março de 2025, moradores de Palmitos, no Oeste de Santa Catarina, acionaram as autoridades. A denúncia era grave: supostas agressões físicas contra uma das crianças da família do missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson. Naquele momento, o nome dele ainda era desconhecido para o Brasil.
Menos de um ano depois, Dandre Grayson se tornaria o centro de um caso que chocou o país: a morte do filho Oliver Golden Grayson, 3 anos, espancado pelo próprio pai em Viamão, no Rio Grande do Sul. Conforme documentos obtidos pelo NDmais junto ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o sistema de proteção à infância havia identificado sinais de alerta na família meses antes do crime.

Foto: Reprodução
A força-tarefa em Palmitos
As denúncias anônimas recebidas em Palmitos mobilizaram uma força-tarefa formada pelo Conselho Tutelar, a Polícia Militar e o promotor de Justiça da comarca. A equipe se deslocou até a residência da família para examinar as crianças e avaliar as condições do lar.
A inspeção não localizou hematomas, ferimentos ou qualquer sinal aparente de agressão no menino apontado nas denúncias. A residência estava limpa, as crianças alimentadas e vestidas adequadamente. Apesar disso, o histórico da família em outro estado e o teor das acusações levaram os órgãos de proteção a adotar uma medida cautelar.
A Justiça determinou o acolhimento institucional das crianças. Por cerca de três meses, elas permaneceram afastadas dos pais enquanto psicólogos, assistentes sociais e equipes da rede de proteção avaliavam a dinâmica familiar.
Perícias e retorno autorizado
Ao final do período de avaliação, as conclusões técnicas apontaram em duas direções. As perícias psicológicas indicaram que Dandre e sua esposa, Mayanna Angelina Rodgers, apresentavam condições de exercer a guarda dos filhos. O estudo social, por sua vez, não reuniu elementos suficientes para confirmar a ocorrência de maus-tratos ou violência doméstica.
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Os próprios relatórios registraram que o afastamento dos pais estava provocando sofrimento emocional nas crianças, com impacto mais acentuado no filho mais velho. Com base nessas avaliações, a Justiça autorizou o retorno das crianças ao lar em junho de 2025.
O acompanhamento da família pelo MPSC e pelos demais órgãos da rede de proteção de Palmitos continuou mesmo após a reunificação. Segundo o Ministério Público catarinense, nenhum novo registro de suspeita de maus-tratos foi feito enquanto a família permaneceu no estado.
A mudança para o Rio Grande do Sul
Em agosto de 2025, poucos meses após o retorno das crianças, o casal deixou Santa Catarina e se transferiu para Viamão. Antes da partida, o MPSC solicitou que todo o procedimento de acompanhamento fosse encaminhado ao Judiciário gaúcho, para que a vigilância sobre a família tivesse continuidade.
Não há registro, no material obtido pelo NDmais, de que o acompanhamento tenha sido efetivamente retomado pelas autoridades do Rio Grande do Sul. É justamente nesse intervalo, entre a saída de Palmitos e o desfecho em Viamão, que a trajetória de Oliver Golden Grayson encontra seu fim.