O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, foi preso em uma unidade militar em Brasília nesta terça-feira (25) após ser condenado a 24 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Garnier como o único dos três comandantes das Forças Armadas que concordou em participar de planos antidemocráticos durante o governo Bolsonaro.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A prisão aconteceu depois que Garnier foi condenado por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, segundo informações da GloboNews.
Conforme reportagem publicada pelo jornal O Globo, o militar foi detido após uma operação coordenada pela Polícia Federal em cumprimento ao mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a acusação da PGR, o militar teria disponibilizado tropas para o então presidente Jair Bolsonaro com o objetivo de apoiar uma tentativa de ruptura institucional. Esta ação representaria o reforço do braço militar necessário para executar o plano golpista.
A sentença que determinou os 24 anos de prisão pelos crimes relacionados à trama golpista foi proferida em novembro de 2025. Garnier comandou a Força Naval durante o governo Bolsonaro e, segundo a PGR, demonstrou adesão ao plano antidemocrático, diferentemente dos comandantes das outras Forças Armadas.
Entre as provas apresentadas no processo está a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Em seu depoimento, Cid mencionou uma reunião realizada no Palácio da Alvorada em 7 de dezembro de 2022, quando Bolsonaro apresentou uma minuta golpista aos comandantes militares. Segundo o relato, Garnier manifestou apoio à proposta.
A defesa de Garnier contesta as acusações e aponta contradições nos depoimentos dos outros ex-comandantes. Enquanto o ex-comandante da Aeronáutica, Baptista Júnior, afirmou que Garnier teria disponibilizado tropas para Bolsonaro, o ex-comandante do Exército, Freire Gomes, declarou que ele apenas se colocou “com o Presidente”, respeitando a hierarquia militar.
“Há, portanto, contradição que deve ser resolvida a favor do réu”, argumentam os advogados. A defesa também questiona a credibilidade da delação de Mauro Cid, alegando que seu depoimento contém omissões e inconsistências.
Os advogados de Garnier sustentam ainda que não existem elementos probatórios suficientes para estabelecer uma ligação direta entre o ex-comandante da Marinha e os eventos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília.