Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente da República, Jucelino Kubitschek, foi morto pela ditadura militar em 1976. JK morreu no dia 22 de agosto enquanto trafegava pela via Dutra (BR-116) na altura da cidade de Resende, no Rio de Janeiro.
Na época a causa da morte foi divulgada como um acidente de trânsito após o veículo que ele estava ter sido atingido por uma carreta. O Opala de JK era conduzido pelo amigo Geraldo Ribeiro, que também morreu.

Foto: Reprodução
Conforme o relatório elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, apurações concluíram que o ex-presidente foi vítima de um atentado político. Indícios mostram que o Opala não foi atingido por outro veículo, perdendo o controle por problema desconhecido.
A conclusão foi amparada por um grupo de pesquisadores da USP e Universidade Mackenzie. Além disso, um inquérito do Ministério Público Federal (MPF) afirma que é impossível descartar a hipótese de atentado. “Uma vez que não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel.”
As informações foram publicadas inicialmente pelos jornais Folha de São Paulo e Valor.
Perseguição política
JK ocupou a Presidência da República entre 1956 e 1961, sendo responsável pela construção de Brasília. Ele era o favorito para as eleições presidenciais que deveriam ocorrer em 1965. No entanto, teve o mandato de senador cassado e os direitos políticos suspensos por uma década após o golpe militar de 1964, que retiou o então presidente João Goulart do Palácio do Planalto.
O político era supervisionado pela Operação Condor, coordenada pelos Estados Unidos visando a perseguição de opositores das ditaduras implementadas na América do Sul, como no Chile, Argentina, Brasil e Uruguai. Em 1976, JK era um dos líderes da Frente Ampla, criada para que os regimes fossem derrubados na região.
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