A Polícia Civil indiciou, nesta segunda-feira (22), três instrutores de rope jumping por homicídio com dolo eventual pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas. Ela foi lançada sem cordas da Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), durante uma prática do esporte.
O caso foi apurado no primeiro inquérito policial concluído sobre o episódio. Os três instrutores indiciados são Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32 anos; Maicon Fernandes Cintra, 42; e Vitor de Freitas Gonçalves, 27.
Todos estão presos preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. Um vídeo flagrou o trio lançando Maria Eduarda da ponte, segundo informações publicadas pelo g1.
Uma das peças-chave da investigação é o paradeiro da câmera que Maria Eduarda segurava no momento da queda. Veja o que a polícia já sabe sobre quem recolheu o equipamento.
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Foto: Redes sociais
Dolo Eventual
O homicídio com dolo eventual ocorre quando o autor não tem a intenção direta de matar, mas assume o risco de produzir esse resultado. As defesas dos três indiciados contestam essa classificação.
O advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa Luis Felipe e Maicon Fernandes, afirmou que o grupo era idôneo e que o ocorrido foi “uma fatalidade inexplicável”. “Para a defesa é homicídio culposo. Eles jamais tiveram a intenção ou sequer correram o risco de matar”, declarou o advogado.
Já os advogados Jader Santos e Olga Popoviche, que representam Vitor, informaram ter tido acesso apenas ao Auto de Prisão em Flagrante, sem acesso à íntegra do inquérito.
Em nota, afirmaram: “De toda forma, a defesa registra que possui relevantes divergências técnicas em relação à capitulação atribuída ao caso, especialmente no que se refere à caracterização do dolo eventual, questão que será enfrentada oportunamente pelas vias processuais adequadas, após a análise completa dos elementos probatórios.”
Novas prisões
As investigações avançaram para um segundo inquérito, que resultou na prisão de mais três pessoas ligadas ao grupo organizador. As detenções ocorreram no sábado (20), nas cidades de Limeira e Indaiatuba, em São Paulo, e no Rio de Janeiro (RJ), após a Justiça acatar pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Os novos presos são Gabriel Barros Martins, 30 anos; João Antônio Pivetta Ribeiro, 35; e Evelyne dos Santos Gonçalves, 43. Segundo a polícia, todos estavam na Ponte do Esqueleto no dia da morte de Maria Eduarda e têm envolvimento indireto no caso.
Durante o final de semana, um dos homens recém-presos prestou depoimento; o outro exerceu o direito ao silêncio. Evelyne, que havia sido ouvida no dia da morte da jovem, passará por novo interrogatório na terça-feira (23).
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Dois integrantes em liberdade
A delegada responsável pelo caso, Andréa Levy, informou que outros dois integrantes do grupo de saltos “Entre Cordas” não foram presos. Segundo ela, os dois não usavam o uniforme da equipe no momento do acidente, o que descarta a tentativa de despistar a polícia, e não tentaram deixar o local em nenhum momento.
As apurações indicam que ambos prestaram os primeiros socorros a Maria Eduarda. Um deles foi o responsável por acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e permaneceu ao lado da testemunha que tentava reanimar a jovem.
Câmera desaparecida
No fim de semana, um dos presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas retirou a câmera GoPro que a jovem segurava logo após ela cair durante um salto rope jump sem cordas, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público (MP).
A informação fundamentou o pedido de prisão temporária de João Antônio Pivetta, que não foi indiciado. Segundo o MP, João Antônio estava posicionado na base da ponte no momento do salto e se aproximou do corpo de Maria Eduarda imediatamente após a queda.
O aparelho, que ainda não foi encontrado, é considerado pelos investigadores uma prova central para a reconstrução do que aconteceu. Em depoimento, o suspeito negou ter retirado a câmera e disse ter ido apenas verificar os batimentos cardíacos da vítima.
O Ministério Público descreve, no pedido de prisão, que João Antônio “detinha condições objetivas de perceber eventual irregularidade na fixação dos equipamentos da vítima e de comunicá-la à equipe no topo por meio de rádio, comunicação que, em tese, não foi realizada. Ademais, aproximou-se do corpo da vítima imediatamente após a queda e removeu a câmera GoPro que ela segurava, praticando conduta de supressão de elemento probatório central à investigação.”
A investigação avançou para uma segunda frente; um novo inquérito foi aberto para apurar a conduta de João Antônio, Evelyne e Gabriel. A questão da câmera desaparecida permanece sem resposta, e o material segue como peça-chave para o entendimento de como Maria Eduarda foi lançada sem cordas durante o salto.