“É uma coisa que mexe bastante com o psicológico”, disse Arlie Moura sobre a descoberta do passaporte de Eliza Samudio em Lisboa, Portugal. Em entrevista exclusiva ao ABCmais, o irmão da modelo, de 27 anos, conta como está sendo relembrar o caso após mais de 15 anos do desaparecimento da modelo. “É uma situação que vai assombrar a gente até os nossos últimos dias de vida.”

Foto: Reprodução
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“Pegou todo mundo despreparado, ninguém estava esperando”, disse Moura sobre o surgimento do passaporte. O irmão viu o documento de Eliza apenas pela mídia, já que não tem mais contato com a mãe, Sônia Moura. A falta de relação, contudo, não diminui a sensibilidade do caso. “Eu vi o que a minha mãe passou e apesar de a gente estar brigado e não se falar, eu sei como a situação mexe com ela. É bem sensível.”
O irmão tinha 11 anos quando Eliza Samudio desapareceu em 2010. A lembrança mais forte que tem da irmã é de uma viagem entre 2008 e 2009 em Foz do Iguaçu, no Paraná. “Eu lembro da gente entrando no carro, indo para algum lugar. Isso já era de noite. É a única recordação que eu tenho um pouco mais viva da Eliza.”
Ambos mantinham pouco contato em função da diferença de idade e da distância, já que Moura morava com a mãe em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Eliza morava com o pai na cidade paranaense.
Sobre o desaparecimento da irmã, conta que demorou para descobrir o que tinha acontecido. Sabia apenas o pouco que ouvia a mãe cochichando no telefone com outras pessoas.
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Isso até o dia em que ficaram sabendo da suspeita de assassinato. “No dia que ela descobriu, eu estava na escola, saí mais cedo”, disse. “Foi a primeira e única vez que minha mãe sentou e falou sobre a minha irmã referente a essa situação.”
Na época, Eliza tinha 25 anos e havia dado à luz ao filho recentemente, hoje conhecido como Bruninho. O adolescente é fruto do relacionamento da jovem com Bruno Fernando de Souza, que era goleiro do Flamengo.
Três anos depois do sumiço de Eliza, o atleta foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado da modelo. Ele também foi considerado culpado pelo sequestro do bebê.
Trauma
O desaparecimento de Eliza Samudio deixou marcas ao irmão mais novo. “Eu me fechei bastante”, contou. “Sempre que eu ia nos lugares com meu falecido avô, ele sempre falava: ‘esse é o irmão da Eliza… esse daqui é meu neto, é irmão da Eliza’.”
Isso fez com que Moura deixasse de falar com as pessoas sobre o caso. “Eu sempre fui mais reservado nessa questão”, explica.
“Ponta solta precisa ser amarrada”
“Essa ponta solta precisa ser amarrada”, disse o jovem. Ele afirma que ninguém sabia sobre o passaporte da irmã, encontrado na última semana em uma casa em Lisboa, capital de Portugal.
“Seria ótimo se ela estivesse viva”, afirmou Moura. “Talvez colocariam a pedra em cima dessa situação toda que a gente está vivendo”, completou. No entanto, o jovem não acredita que esse seja o caso. “Diante dos fatos de 2010, e tudo mais que a gente sabe sobre isso, não tem como.”
Ele relembrou o encontro que teve com a irmã dois anos após a data do carimbo no passaporte, que mostra que Eliza esteve em Portugal em 2007. “Certamente, ela já não estaria mais em Portugal”, responde. “O que a gente basicamente quer é uma resposta. Como uma pessoa dá entrada num país e não tem o registro de saída?”
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Passaporte levanta questionamentos
Mais de 15 anos após desaparecer, outras dúvidas sobre o caso da modelo surgem: Como o passaporte foi parar em uma estante, em cima de livros, em uma casa, até o momento, aleatória? E por qual motivo teria sido colocado no local mais de 15 anos depois do caso?
Para o irmão da jovem, essas são algumas das perguntas que precisam ser respondidas a partir de agora. “Eu acho que a reabertura do caso em si não é necessária. Realmente, é só a resposta do que aconteceu, o que é esse passaporte de fato e como ele foi parar lá”, pontua.
A Polícia de Minas Gerais foi contatada e afirmou que o caso não será reaberto. O Itamaraty pediu ao Consulado do Brasil em Lisboa que o documento fosse remetido ao Brasil para disponibilizar o documento aos familiares da modelo.
O caso Eliza Samudio
Até hoje, o que realmente aconteceu com Eliza Samudio continua envolto em mistério. A modelo desapareceu em 2010, mas ganhou uma certidão de óbito somente em 2013, após uma decisão do Tribunal do Júri de Contagem, Minas Gerais.
A investigação apontou que a jovem teria morrido por asfixia em 10 de junho de 2010, após passar seis dias em cativeiro, em um sítio de Bruno Fernandes. Ela foi entregue ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, chamado de Bola, que a matou e fez com que o corpo desaparecesse.
O ex-goleiro do Flamengo, com quem ela teve uma relação extraconjugal, foi o mandante do crime. Conhecido como goleiro Bruno, ele não reconhecia a paternidade do filho que recém havia nascido, mesmo com o exame de DNA.
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Ele e Luiz Henrique Romão, chamado de Macarrão, responderam por sequestro, cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Bola foi condenado a 22 anos por homicídio duplamente qualificado, com uso de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e ocultação do cadáver de Eliza. A ex-mulher de Bruno foi julgada pelo sequestro de Bruninho e pelo cárcere privado de Eliza e do bebê, mas foi absolvida.
Em um julgamento separado, Elenilson Vitor da Silva foi condenado a 3 anos pelo sequestro e cárcere privado de Bruninho, e Wemerson Marques de Souza, chamado de Coxinha, foi condenado a dois. Ambos em regime aberto.