Uma facção criminosa gaúcha é alvo da Polícia Civil nesta quinta-feira (18). Segundo a investigação da 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (3ªDIN/Denarc), o grupo teve participação no assalto ao aeroporto de Caxias do Sul, ocorrido em 19 de junho de 2024. Trata-se de uma organização criminosa criada no bairro Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre.
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A Operação Camisa 2 cumpriu 59 mandados de prisão preventiva, 94 mandados de busca e apreensão, além de 16 bloqueios de contas bancárias e seis sequestros de veículos. As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Paranhos (MS), Maringá (PR), Sarandi (PR), São José (SC), Porto Alegre, Lajeado, Encantado, Estrela, Candelária, Santa Cruz do Sul, Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Viamão, Canoas e Osório.
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Até as 10h25, 50 pessoas foram presas. Além disso, foram apreendidos 67 quilos de maconha, 66 quilos de cocaína, R$ 84 mil, dois veículos, duas armas de fogo, munições, carregadores, um drone, duas antenas de roteamento de Internet e diversas balanças de precisão.
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O que levou a Polícia a investigar o grupo
Segundo a Polícia Civil, cinco fatos são investigados. Entenda:
1 – No dia 30 de setembro de 2023, no bairro Parque da Matriz, em Cachoeirinha, um homem e de uma mulher foram presos em flagrante com drogas, balanças de precisão, prensa, munições, duas pistolas calibre 9 mm com numeração suprimida, um kit roni, cadernos com anotações e várias embalagens.
2 – No dia 3 de maio de 2024, no bairro Parque dos Eucaliptos, em Gravataí, um homem foi preso em flagrante por tráfico de drogas, com mais de 83 quilos de maconha, por porte ilegal de munição de uso permitido e restrito, além de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
3 – No dia 17 de maio de 2024, a Brigada Militar apreendeu, na BR 386, em Lajeado, 2,4 toneladas de maconha e efetuou a prisão de um membro da organização criminosa investigada.
4 – No dia 18 de junho de 2024, um dos líderes do grupo investigado foi preso em Porto Alegre. O indivíduo estava foragido e foi autuado por porte ilegal de arma de uso restrito. Além da arma de fogo, também foram apreendidos dinheiro, celulares, computador e caderno com anotações.
5 – No dia 25 de junho de 2024, no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre, foi realizada a prisão de um homem com 220 quilos de maconha e balança de precisão.
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Consórcio para trazer drogas ao RS e assalto em aeroporto
A Polícia então viu que os fatos estavam ligados e identificou uma célula da organização criminosa denominada de “A Camisa”. O delegado Joel Wagner afirma que a divisão é responsável pela comercialização, principalmente, de maconha na região metropolitana e interior do RS, como por exemplo Lajeado, Encantado, Estrela, Cruzeiro do Sul, Candelária, Santa Cruz do Sul, Capão da Canoa, Butiá, Rosário do Sul, Cachoeirinha, Gravataí, Cachoeira do Sul, Alvorada, Viamão, Canoas, Cidreira, Porto Xavier, Triunfo e Osório.
“Em algumas oportunidades, agiam em consórcio com outras organizações criminosas, como o grupo criminoso que atua no Vale do Sinos para trazer as drogas para o Estado, tanto que também são cumpridas ordens judiciais de prisão e busca em Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina”, enfatiza o delegado.
A organização criminosa investigada também teve participação no roubo ocorrido em Caxias do Sul, em junho do ano passado, quando membros de uma facção paulista executaram um dos maiores assaltos da história do RS. Foram levados R$ 30 milhões, que eram transportados por via aérea desde o estado do Paraná. O dinheiro foi pego no momento em que seria descarregado da aeronave para um carro-forte de uma empresa de transporte de valores, em uma ação que culminou na morte de um policial militar. O crime foi investigado pela Polícia Federal.
Segundo o Denarc, o chefe do grupo que foi preso em junho de 2024 gerenciava a célula e teve participação no roubo em Caxias. Ele também participou do roubo de uma aeronave em abril de 2017, quando contratou junto a uma empresa de tráfego aéreo, um vôo fretado do aeroporto de Canela até uma propriedade rural em Triunfo, argumentando que seria um presente aos pais o sobrevoo na cidade.
Ao pousar, o piloto foi subjugado por, pelo menos, seis pessoas armadas com fuzis e pistolas que o mantiveram em cárcere no banheiro com as mãos amarradas para trás com arame. Na sequência, outro membro do grupo criminoso pilotou a aeronave por cerca de quatro minutos, retornando novamente à propriedade rural, abandonando o helicóptero no local e libertou o piloto na antiga Vila Dique, em Porto Alegre.
À época, a suspeita era de que a aeronave poderia ser utilizada para o resgate de um preso no complexo penitenciário em Charqueadas.
Distribuição das drogas
O modo de atuação da organização criminosa na prática do tráfico de drogas consiste na entrada dos entorpecentes por cidades fronteiriças situadas no Mato Grosso do Sul e Paraná, que são enviados pelos fornecedores aos compradores, sendo transportados, em sua maior parte, por caminhões registrados em nome de terceiros, integrantes do grupo pertencentes ao menor escalão.
Depois de chegar ao Estado, a droga era distribuída aos membros da organização criminosa para vendê-las aos consumidores finais de acordo com seus territórios.
Morte de apenado na Pecan
Um dos líderes do grupo, também alvo da operação de hoje, foi um dos responsáveis pela morte de um apenado, ocorrida em 23 de novembro de 2024, no interior da Penitenciária Pecan III, em Canoas.