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PENITENCIÁRIA DE CANOAS

VÍDEO: Pistola usada para matar traficante na Pecan foi entregue por drone

Imagens da pistola 9 milímetros deixada na penitenciária para matar Jackson Peixoto Rodrigues, 41 anos, o Nego Jackson, foram reveladas nesta segunda-feira (15)

Publicado em: 15/12/2025 às 14h:10 Última atualização: 15/12/2025 às 14h:11
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Foi um caso que abalou a segurança pública no Estado: era sábado, dia 23 de novembro de 2024, quando o traficante Jackson Peixoto Rodrigues, 41 anos, conhecido como Nego Jackson, levou sete tiros.

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No momento do crime, Jackson estava confinado no Complexo Prisional de Canoas quando um criminoso atirou por meio de uma pequena portinhola da cela durante o processo de triagem. [Veja o vídeo ao final desta reportagem.]

Jackson Peixoto Rodrigues, 41 anos, o Nego Jackson, foi morto na Pecan, no ano passado | abc+



Jackson Peixoto Rodrigues, 41 anos, o Nego Jackson, foi morto na Pecan, no ano passado

Foto: Reprodução

Muito se especulou sobre como a pistola 9 milímetros havia chegado até a penitenciária para que o traficante, apontado como líder de uma perigosa organização criminosa de Porto Alegre, acabasse executado.

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Pouco mais de um ano depois do rumoroso assassinato, a Polícia Civil divulga as imagens que atestam que a arma chegou até o local por meio de um drone, tese bastante contestada na época do crime.

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As imagens fazem parte do inquérito concluído pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Canoas, buscando descobrir se havia outros criminosos envolvidos no ataque a tiros.

Por meio do vídeo, a Polícia confirmou que a arma foi entregue às 3h06 da madrugada daquele fatídico sábado, revelando, ao contrário do que era presumido na época, que não houve participação de policiais penais na ação.

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“A investigação foi concluída sem haver nenhum indício da participação de um agente da Polícia Penal no plano de assassinato armado contra a vítima”, afirma a delegada Graziela Zinelli, que responde pela DHPP de Canoas.

A apuração conduzida pela Especializada garantiu o rastreamento da pistola usada no crime, aponta a delegada. A arma estava registrada no nome de um morador de Santa Catarina, indiciado por associação criminosa.

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Graziela lembra que a Polícia já havia identificado e indiciado os dois suspeitos do crime: Rafael Telles da Silva, conhecido como Sapo, rival de Nego Jackson, e o comparsa dele, Luis Felipe de Jesus Brum.

“Sabemos que presos de facções rivais permaneciam em um mesmo espaço naquela galeria”, esclarece. “Eles recebiam autorização para ir para o pátio e se aproveitaram, ao passar pelo mesmo corredor, para cometer o crime.”

Arma e lixo

A investigação da Polícia Civil contou com a colaboração da Polícia Penal, que forneceu imagens do drone que aparece descendo a pistola 9 milímetros por meio de uma linha onde estava amarrada a arma.

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A pistola acabou deixada estrategicamente no pátio, ao lado de lixo deixado pelos presos para disfarçar, segundo a delegada. Dali, acabou nas mãos de um dos criminosos que estava na cela 7 da Pecan 3.

“Sabemos que os autores do homicídio [Sapo e Brum] usaram um cabo de vassoura para pegar a arma e levá-la para dentro da cela”, explica Graziela. “Após resgatar o objeto, colocaram o plano em ação para executar o alvo.”

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Ainda segundo a delegada, não houve tempo hábil para os agentes penais desarmarem os criminosos, já que nem servidor da Pecan sabia da presença da arma ou do plano colocado em prática.

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“Foi tudo muito rápido. A ação completa entre o corredor e os tiros na cela durou pouco mais de 30 segundos”, aponta. “Não houve tempo hábil para que os agentes impedissem o que aconteceu.”

Crime cometido no Complexo Prisional de Canoas causou polêmica no ano passado | abc+



Crime cometido no Complexo Prisional de Canoas causou polêmica no ano passado

Foto: PAULO PIRES/GES

Entenda o assassinato

O assassinato entre os muros da Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan 3) no ano passado acabou escancarando uma das maiores ameaças surgidas recentemente à segurança pública no Estado: a facção conhecida como Família do Sul (FMS).

A organização nasceu da união de criminosos oriundos das zonas Sul e Norte de Porto Alegre, visando o domínio de pontos de tráfico na capital por meio do enfrentamento com traficantes do bairro Bom Jesus e do Vale dos Sinos.

Os criminosos criaram até um “estatuto” contendo regras bem definidas da organização, com uma espécie de conselho deliberativo que decide inclusive quem vive e quem deve morrer, conforme apontamento da investigação.

Na época em que surgiu, há dois anos e meio, a organização tinha como líder Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, antes conhecido líder da facção Anti-Bala.

Já tido como um dos criminosos mais procurados do Rio Grande do Sul, o chefe do tráfico no bairro Vila Jardim, na capital, foi apontado pela polícia como o principal articulador da Família do Sul.

Jackson acabou capturado ao tentar passar um documento falso, enquanto passava pelo Paraguai, em 2017. Investigado pelo envolvimento em pelo menos 24 assassinatos, ele foi levado para um presídio federal em Porto Velho (RO).

Em 2020, foi transferido sob forte esquema de segurança para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).

A transferência do criminoso de alta periculosidade para Canoas culminou no assassinato, cometido em novembro do ano passado.

Conforme uma fonte ligada à Polícia Civil de Canoas, os inimigos queriam Jackson morto há tempos. Isso porque ele continuaria dando as ordens à frente da Família do Sul, mesmo em uma penitenciária federal.

A apuração da Delegacia de Homicídios de Canoas identificou os dois suspeitos do crime como Rafael Telles da Silva, conhecido como Sapo, e Luis Felipe de Jesus Brum.

Não à toa, os dois são criminosos conhecidos por estarem ligados à facção Bala na Cara (BNC), principal rival da Família do Sul pelo controle de pontos de traficância de drogas em Porto Alegre.

Veja o vídeo

Polícia comprova que pistola usada para matar traficante em Canoas foi entregue por drone
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