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Professor ferido pelo vizinho com facão vai entregar vídeos com ataques racistas anteriores à tentativa de homicídio em Novo Hamburgo

Fabrício Antônio da Silva será ouvido pela DPHPP nesta terça-feira (15), quando irá entregar à Polícia imagens que comprovam atos racistas

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 15/12/2025 às 14h:03 Última atualização: 15/12/2025 às 14h:03
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O professor de Direito Fabrício Antônio da Silva, 40 anos, vai entregar nesta segunda-feira (15) à Polícia Civil novas provas que comprovam ataques racistas sofridos por sua família antes da tentativa de homicídio registrada no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo.

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Entre os materiais estão dois vídeos gravados no condomínio onde residia e uma fotografia de uma cabeça de boi colocada na cerca voltada para a sua casa, ato que, no entendimento da vítima, representa uma ameaça prévia e indica a premeditação do crime.

Professor de Direito, Fabrício Antônio da Silva, e as marcas que ficaram no corpo depois que foi atacado pelo vizinho, que invadiu sua casa armado com um facão | abc+



Professor de Direito, Fabrício Antônio da Silva, e as marcas que ficaram no corpo depois que foi atacado pelo vizinho, que invadiu sua casa armado com um facão

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

VÍDEO: Câmera de segurança flagra vizinho invadindo casa para tentar matar professor universitário em Novo Hamburgo

Silva será ouvido pela Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, ocasião em que irá formalizar a entrega dos documentos. Um dos vídeos mostra a esposa do homem acusado da tentativa de homicídio proferindo falas com conotação racista contra o professor. O outro registro, feito em momento distinto, capta novamente ataques verbais e, logo após, um diálogo do professor com o próprio filho, que estava próximo e ouviu as ofensas.

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Segundo o professor universitário, as imagens demonstram que o racismo não surgiu após o crime, mas já fazia parte do contexto vivido pela família. “A tese do racismo não é uma tese que veio depois. Isso demonstra que a gente já estava sentindo. É uma prova muito verdadeira do que era o nosso sentimento”, afirma Fabrício da Silva.

Professor entende que as ataques verbais associam as pessoas negras à favela e à periferia

Em um dos vídeos, gravado na tarde do dia em que a tentativa de homicídio ocorreu, a esposa do autor se refere à obra de ampliação da casa do professor dizendo que o local estaria “virando uma favela” e que ele “não tinha um pinto para dar água”. Ele entende que as expressões associam, de forma preconceituosa, as pessoas negras à favela e à periferia.

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No outro vídeo, gravado em ocasião anterior, o professor registra o momento em que, após ouvir ataques racistas, conversa com o filho para explicar o que estava acontecendo.

“Depois que ela faz as falas racistas, o meu filho tava próximo e eu tenho um diálogo com ele, dizendo assim: ‘olha, filho, tu tem a pele mais clara, mas tu também é negro’. É muito triste ter que passar por isso”, relata. O professor conta que aproveitou o momento para orientar o filho sobre o que é racismo e a necessidade de combatê-lo, mesmo em uma situação dolorosa para a família.

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Cabeça de boi colocada na cerca da propriedade, voltada diretamente para a casa de Fabrício da Silva é encarada como uma ameaça prévia ao ataque com facão | abc+



Cabeça de boi colocada na cerca da propriedade, voltada diretamente para a casa de Fabrício da Silva é encarada como uma ameaça prévia ao ataque com facão

Foto: Arquivo pessoal

Além dos vídeos, Fabrício também vai entregar à Polícia mensagens de WhatsApp enviadas anteriormente à administração do condomínio, nas quais relatava os ataques e pedia providências. Outro elemento que será anexado ao inquérito é uma fotografia de uma cabeça de boi colocada na cerca da propriedade, voltada diretamente para a área onde a família residia.

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A vítima afirma que isso aconteceu há menos de três meses e, à época, causou estranheza. Hoje, no entanto, ele vê o episódio sob outra perspectiva. “Existem várias formas de ameaça. Aquilo ali, hoje, a gente vê no contexto, já era uma ameaça”, disse.

Segundo ele, a carcaça foi posicionada de forma direcionada à sua casa, reforçando a sensação de intimidação. “Ela fica exclusivamente voltada para o nosso pátio”, afirma. “Isso tudo indica já uma premeditação do que ele fez depois”, completa.

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Vizinho invadiu casa de professor com facão

A tentativa de homicídio ocorreu na noite de segunda-feira (8), em um condomínio residencial de Lomba Grande. Um homem de 54 anos invadiu a casa de Fabrício Antônio da Silva armado com um facão, surpreendendo o professor, a esposa, de 39 anos, e o filho do casal, de 10 anos. Durante o ataque, o professor foi golpeado no rosto e em outras partes do corpo e entrou em luta corporal com o agressor, conseguindo se defender com um machado até a chegada de ajuda.

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Câmeras de segurança instaladas recentemente flagraram a invasão da residência. Ambos ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital Municipal de Novo Hamburgo. O professor foi atendido e liberado no mesmo dia. Já o agressor, depois de receber alta hospitalar, foi encaminhado ao presídio. Ele teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

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