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ABC NAS RUAS

Professor universitário atacado com facão afirma que caso tem relação com atitudes racistas do vizinho

"O que eu fiz para ele se sentir dono da minha propriedade?", disse o professor, com exclusividade ao ABCmais

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 09/12/2025 às 17h:18
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O professor de Direito, Fabrício Antônio da Silva, 40 anos, que teve a casa invadida e foi atacado com um facão por um vizinho, falou com exclusividade ao ABCmais nesta terça-feira (9), menos de 12 horas após sobreviver a tentativa de homicídio dentro da própria residência, no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo. A entrevista ocorreu na casa de um parente, local que não será divulgado por questões de segurança.

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Professor de Direito, Fabrício Antônio da Silva, e as marcas que ficaram no corpo depois que foi atacado pelo vizinho, que invadiu sua casa armado com um facão | abc+



Professor de Direito, Fabrício Antônio da Silva, e as marcas que ficaram no corpo depois que foi atacado pelo vizinho, que invadiu sua casa armado com um facão

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Com marcas pelo corpo e ainda abalado, ele descreve o ataque sofrido como “um ataque covarde, brutal, inesperado”. Segundo o professor, sua família já vinha enfrentando ameaças e hostilidades do vizinho que o atacou. “A gente já vinha sofrendo algumas ameaças, impropérios, há algum tempo, inclusive falas racistas”, relata. “Mas, a gente nunca imaginou que alguém ia adentrar na nossa casa e colocar todos nós em risco”, acrescenta.

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Silva, a esposa, de 39 anos, e o filho do casal, de 10 anos, estavam em casa quando, por volta das 20 horas de segunda-feira (8), o vizinho de 54 anos quebrou a porta de vidro da residência e entrou armado com um facão. A invasão foi registrada por uma câmera de segurança. O professor afirma que o vizinho tinha conhecimento dos pontos cegos do sistema de monitoramento. “Ele se esconde das câmeras e ele se sente seguro para entrar no local onde ele não via que tinha uma câmera”, conta.

O ataque foi imediato. “Antes de eu conseguir reagir, ele me agrediu com um facão. Tanto é que isso causou uma fratura no meu nariz, nas minhas costas, nos meus punhos e também nos joelhos”, disse. Em um ato desesperado para salvar a família, Silva conseguiu pegar um machado que estava ao lado do fogão a lenha. Mesmo sangrando e quase perdendo os sentidos, devido a perda de sangue, ele conta que pensava apenas em proteger a esposa e o filho.

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Depois de luta corporal intensa, conseguiu imobilizar o agressor até a chegada de vizinhos e, mais tarde, da polícia e do Samu. “Eu pensava apenas em salvar minha família. Pensei que ele pudesse estar armado e o tempo inteiro me preocupei que então ele atirasse em mim e que pudesse deixar a minha esposa e o meu filho saírem vivos”, conta.

Segundo o professor, a tentativa de homicídio ocorreu diante de uma situação que ele considera claramente premeditada. Ele afirma que, inclusive na noite anterior, ouviu movimentação suspeita no pátio.

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Professor atacado por vizinho com facão em condomínio fala com exclusividade ao ABCmais

Além de desentendimento por conta de obras, professor foi vítima de ataques racistas

Embora a discussão sobre a construção de uma cerca e a ampliação da casa esteja na origem das desavenças, Fabrício Antônio da Silva afirma que o episódio vai muito além disso, e está diretamente relacionado ao racismo.

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Professor de Direito, Fabrício Antônio da Silva, e as marcas que ficaram no corpo depois que foi atacado pelo vizinho, que invadiu sua casa armado com um facão | abc+



Professor de Direito, Fabrício Antônio da Silva, e as marcas que ficaram no corpo depois que foi atacado pelo vizinho, que invadiu sua casa armado com um facão

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Ele lembra episódios que classificou como sistemáticos. Um deles, segundo o professor, ocorreu horas antes do ataque, quando a esposa do vizinho teria passado em frente à sua casa e dito que o local, por conta da obra de ampliação do imóvel, estava “virando uma favela”. “Ela disse que ali não era uma favela, que aquilo estava virando uma favela, notadamente com uma conotação racista”, afirma.

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Outra frase que o marcou foi dita logo quando a família ainda estava construindo a casa no condominio, em meio a movimentações de obras. “Um dos comentários que foi feito pelo casal é que todos que passavam ali diziam que eu era o chacareiro da família”, relata. Para Silva, essas manifestações racistas. “Na verdade, muitas vezes, para muitas pessoas, a imagem do negro está associada à imagem da favela, da periferia, e também há um sentimento, e isso fica muito nítido, de desprezo”, analisa.

“Eu cerquei o meu lote, estava terraplanando o meu sítio, as pessoas me conhecem, e a questão que fica é o que eu fiz para ele, para ele se sentir dono da minha propriedade? Essa é a questão que a gente tem que refletir nesse caso”, completa.

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Instalação de câmeras de segurança pelo professor incomodaram o vizinho

O professor conta que decidiu instalar câmeras de segurança diante do aumento das tensões com o vizinho nos últimos 12 meses. “A gente entendeu que o sistema de monitoramento seria eficiente para conter (os ataques e ofensas)”, disse. A reação do vizinho ao ver os equipamentos instalados no entorno da casa foi de repulsa e chegou a comentar com outras pessoas do condomínio que se sentia “vigiado”.

Câmera de segurança flagra momento em que vizinho armado com facão invade casa de professor em NH
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Diante da violência sofrida, Silva ainda não sabe quando voltará para casa. “Eu tenho sentido muitas dores físicas, mas nada pior do que a sensação de ter colocado a minha vida, mas especialmente a vida da minha família, em risco”, afirma. “A gente acha que num condomínio fechado a gente está seguro e, na verdade, não está”, sublinha.

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O professor de Direito, agora, espera que o autor do crime seja responsabilizado pelos crimes cometidos. “Desejo que ele seja julgado adequadamente, que se analisem todas as provas e que ele seja condenado de acordo com o direito, com o devido processo, e que a justiça seja feita”, finaliza.

Relembre o caso

A tentativa de homicídio ocorreu na noite de segunda-feira (8), em um condomínio de classe média alta na Estrada do Walahay, em Lomba Grande. O agressor de 54 anos invadiu a residência de Fabrício Antônio da Silva e golpeou o professor com um facão. A vítima reagiu com um machado, ambos ficaram feridos e foram levados ao Hospital Municipal de Novo Hamburgo. O agressor permanece hospitalizado sob custódia da Brigada Militar.

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