Um discurso do vereador Jorge Bellé (PL) na tribuna da Câmara de Vereadores de Campo Bom, realizado nesta segunda-feira (8) durante a celebração do Dia Nacional da Família, gerou forte repercussão e levou a mesa diretora a emitir uma nota de repúdio na tarde desta terça-feira (9).

Foto: Reprodução/YouTube
Bellé iniciou sua manifestação destacando, segundo ele, a importância da data para reforçar valores familiares. Em seguida, acusou “feministas radicais, gays, trans” de quererem “destruir a família”. Ele vinculou movimentos feministas e a população LGBTQIA+ a essa suposta intenção. O vereador também citou declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, na interpretação dele, desqualificaria “a pauta da família, dos valores e da religião”.
O parlamentar ainda afirmou que a “desestruturação familiar” estaria associada a problemas como depressão, ansiedade, baixo desempenho escolar e envolvimento com drogas. Ao final do discurso, concluiu: “Temos que manter firme quem cultiva a família. Sempre deixar ela protegida. Abençoa, Senhor, as famílias. Amém.”
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Câmara publica nota de repúdio
A fala repercutiu internamente e levou a mesa diretora a divulgar, no início da tarde desta terça-feira (9), uma nota pública em defesa da diversidade de configurações familiares e contra o discurso do vereador.
No texto, assinado pela presidente Kayanne Braga (PDT) e demais membros da mesa – João Paulo (MDB), Michele Closs (PDT) e Cleber Nunes (MDB)- a Câmara afirma repudiar a declaração de Bellé e ressalta que o conceito de família “transcende questões biológicas e a configuração tradicional”, destacando amor, respeito e afeto como bases essenciais. A nota afirma que pessoas gays e trans “não querem destruir qualquer família, mas apenas formar a sua, sem sofrer ataques”.
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O comunicado também afirma que o que ameaça famílias são a violência contra a mulher e o feminicídio, e não a orientação sexual ou identidade de gênero das pessoas. “Discursos como esse apenas incitam o ódio e a violência, acabando por destruir as famílias das pessoas gays e transexuais”, diz o texto.
A mesa diretora reforça ainda que as opiniões expressas na tribuna são responsabilidade exclusiva de cada vereador, não representando o posicionamento institucional da Câmara Municipal de Campo Bom.
A reportagem tentou contato com o vereador, mas não teve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.