A defesa de Gilvânio José Abreu da Silva, o Pantio, 36 anos, líder comunitário e ex-CC da Prefeitura de Novo Hamburgo, se manifestou publicamente pela primeira vez nesta quarta-feira (19), cinco dias após sua prisão preventiva durante uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Os advogados Gabriel Lacorte Leiria e Cristina Andreia Serpa justificam a manifestação tardia alegando que só tiveram acesso aos autos da investigação na terça (18). Eles destacam, ainda, que Pantio não estava foragido e que, no momento da prisão, não foram encontradas drogas ou armas em sua posse.
A defesa refuta qualquer vínculo do cliente com o tráfico de drogas ou com organizações criminosas e afirma que as alegações da Polícia Civil durante a operação são infundadas. “Esclarecemos que, durante o cumprimento do mandado, foram apreendidos apenas três aparelhos celulares, sem que quaisquer substâncias ilícitas ou armas tenham sido encontradas em sua posse”, diz a nota.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Os advogados reforçam, ainda, que estão trabalhando para provar a inocência do ex-CC, que também é suplente de vereador, e, com isso, buscar sua liberdade. “A defesa confia plenamente na inocência do Pantio e está trabalhando diligentemente para garantir sua liberdade”, conclui a manifestação.
Polícia Civil afirma ter vastas provas contra Pantio
Pantio foi preso preventivamente na última sexta-feira (14), durante uma operação que teve como alvo 13 lideranças de duas facções criminosas que atuam no Vale dos Sinos. A ação da Draco de São Leopoldo cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Portão, Viamão e Porto Alegre, além de seis presídios gaúchos, incluindo a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).
Na casa de Pantio, no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, não foram apreendidas armas ou drogas, apenas os três celulares citados pela defesa. No entanto, segundo a investigação, Pantio utilizava sua posição de liderança comunitária no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, para atuar como facilitador do tráfico de drogas. Ele exercia a função de “cofre” para uma dessas facções, armazenando cargas de entorpecentes e aproveitando sua reputação na comunidade para despistar possíveis suspeitas da polícia.
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Embora não tenha citado diretamente o nome de Pantio, o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, chefe da Draco de São Leopoldo, explicou a participação do ex-CC no esquema criminoso. “Durante nossa investigação, comprovamos o envolvimento de indivíduos com o tráfico de drogas. Especificamente, havia um indivíduo que exercia cargo público e que estava relacionado a outros presos nesta operação, tendo armazenado drogas para traficantes. Por isso, ele está preso preventivamente, por ordem do Poder Judiciário, assim como os demais que foram capturados nesta manhã”, afirmou o delegado na última sexta.
Conforme o delegado, há vastas provas contra Pantio, como anotações relacionadas ao tráfico de drogas, que foram apreendidas em outras operações realizadas pela Draco anteriormente, e também escutas telefônicas em que Pantio, supostamente, estaria negociando armas.
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Ao todo, 15 pessoas foram presas durante a operação, que reuniu mais de 150 policiais civis. Durante as buscas, a Polícia apreendeu um fuzil calibre 556, uma espingarda calibre 12 e farta munição para fuzis 556 e 762. Além do armamento pesado, a operação resultou na apreensão de uma carga de drogas, dinheiro e outros objetos relacionados ao tráfico.