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VALE DO CAÍ

Amante assassinado: Marido traído e esposa são condenados por matar homem que achava ser o pai do bebê

Casal cometeu o crime porque a vítima pretendia expor a relação extraconjugal, entendeu conselho de sentença

Publicado em: 08/05/2026 às 22h:22 Última atualização: 08/05/2026 às 22h:44
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O industriário Marcelo Vargas da Motta e a esposa, a vendedora Franciele de Oliveira Silveira, ambos leopoldenses de 31 anos, foram condenados na madrugada desta sexta-feira (8) pela morte a tiros do motorista Jeanderson da Camara.

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Júri levou 20 horas em São Sebastião do Caí | abc+



Júri levou 20 horas em São Sebastião do Caí

Foto: Divulgação

Jeanderson era amante de Franciele. Tinha 27 anos quando o crime aconteceu, em dezembro de 2024, em São Sebastião do Caí. A ré e o marido teriam cometido o crime porque a vítima pretendia expor a relação extraconjugal. Jeanderson acreditava ser o pai da criança que Franciele esperava. Após o homicídio, um exame de DNA confirmou que a menina é filha de Marcelo.

O júri, iniciado na manhã de quinta-feira, teve um corpo de jurados formado por sete mulheres. Com a decisão pelas condenações, a juíza Priscila Anadon Carvalho estabeleceu as penas. Aplicou 19 anos e quatro meses a Marcelo e 13 anos para Franciele. A sentença, que saiu por volta das 4 horas de hoje, não agradou acusação e defesas. Todos irão recorrer.

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“Falência do sistema”, diz promotor

O Ministério Público não concorda com a forma como a acusada passa a cumprir a sentença. O réu saiu preso, porque Priscila definiu a imediata execução da pena em regime fechado, enquanto Franciele foi para prisão domiciliar por estar em fase de amamentação da filha.

“Não está bem claro, pois consta para toda a pena. Essa decisão não tem previsão legal. Estamos recorrendo para que, assim que ela termine de amamentar, seja recolhida ao presídio”, declarou o promotor Eugênio Paes Amorim.

Ele fundamenta: “Se cada ré que tem filho não vai mais cumprir a pena presa, é a decretação da falência do sistema em relação às mulheres. Temos que proteger as mulheres vítimas, não as criminosas. As criminosas têm que cumprir pena como qualquer homem”.

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Defensor vai pedir anulação

O advogado Marcos Hauser antecipa que vai pedir a anulação do julgamento por causa de uma fala do Ministério Público. “O MP afirmou que a defesa teria sumido com provas, afirmação esta que certamente influenciou no julgamento do conselho de sentença”, aponta o defensor de Marcelo.

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Ele acrescenta que recorrerá também, em caráter subsidiário, do tempo de pena aplicado. “Quanto à decisão do conselho de sentença respeitamos a decisão tomada, mas entendemos que não foi a mais correta para o caso concreto.”

Advogado sustenta inocência

Para o defensor de Franciele, o único autor é o réu. “A defesa respeita a decisão do júri, mas a recebeu com muita tristeza porque ela é inocente das acusações e por isso vai recorrer às instâncias superiores”, declara o advogado Vinicius Vargas.

Ele frisa que os debates em plenário transcorreram em alto nível e que a decisão do conselho de sentença foi dividida em relação à cliente. O placar foi de 4×3 pela condenação.

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Motorista foi vítima de emboscada

O intrincado crime aconteceu na noite de 13 de dezembro de 2024. Jeanderson levou três tiros no carro que dirigia, um Fiat Uno. O corpo só foi encontrado na madrugada, caído sobre o volante. O motor ainda estava ligado, assim como os faróis. Na frente do veículo, havia um bloco de concreto. O para-brisa dianteiro estava estilhaçado.

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O local do homicídio, na Rua Sete, bairro São Martin, em São Sebastião do Caí, era o acesso à casa da amante. Conforme a investigação policial e o Ministério Público, a mulher havia chamado Jeanderson para conversarem sobre o relacionamento. Para a acusação, se tratava de uma emboscada.
Perto da residência, Marcelo arremessou o concreto no Uno e o motorista parou. Ainda segundo a acusação, o agressor imediatamente abriu fogo contra Jeanderson com uma pistola calibre 9 milímetros, de uso restrito.

Moradores da área ouviram vários tiros, mas foi o próprio acusado que avisou a Brigada Militar sobre um “carro suspeito parado na rua”. Ele e a esposa foram para a casa de parentes na cidade natal, São Leopoldo, onde acabaram sendo presos dois dias depois. O homem seguiu recolhido. A mulher recebeu prisão domiciliar em razão do nascimento da filha.

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