“A gente faz obras em todo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ali é disparado o lugar mais perigoso”, declara o gerente de uma construtora de Tapera, no noroeste gaúcho, referindo-se à região metropolitana de Porto Alegre, com ênfase ao Vale do Sinos.
No último dia 4, um caminhão munck da empresa, equipado com guindaste hidráulico, foi furtado em São Leopoldo e recuperado em Estância Velha. Vale R$ 800 mil.
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Foto: Reprodução
“Levaram quatro veículos nossos nessa área nos últimos três anos.” O gestor relata que, em todos os casos, os ladrões entraram em contato e exigiram dinheiro para devolver as máquinas.
“Com os investimentos que somos obrigados a fazer em segurança, como rastreadores, os veículos foram recuperados sem o pagamento do resgate”, afirma.
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Outra empresa pagou resgate para diminuir prejuízo
Não é a realidade de uma empreiteira de Cachoeirinha, de menor porte, que pagou R$ 40 mil para reaver um caminhão munck furtado no ano passado em Bom Princípio, no Vale do Caí, possivelmente pela mesma quadrilha do Vale do Sinos. O veículo ficou escondido em um galpão em Sapucaia do Sul durante a negociação, que começou com a pedida inicial de R$ 70 mil.
“Está sem controle”, desabafa o dono, que observa não ter contado com apoio dos órgãos de segurança pública. “Tive que pechinchar com os bandidos e pagá-los para não ficar com prejuízo ainda maior. Era eu e eles. Sem polícia.”
Câmeras de segurança flagraram o furto em canteiro de obras à margem da RS-122 e a fuga com passagem até pelo pedágio.
A quadrilha demonstra destreza em invadir canteiros de obras e habilidade para arrombar caminhões. Os ladrões ainda conseguem transitar com máquinas pesadas por rodovias e avenidas movimentadas da região até o esconderijo. Todos os veículos, quando retornam às vítimas, estão com os painéis depredados e outros danos. Alguns até com pintura diferente.
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“Não é o primeiro que a gente recuperou nem será o último”
O caminhão munck da empresa de Tapera estava em canteiro de obras fechado na esquina da Avenida João Corrêa com a Rua Tomaz Flores, na área central de São Leopoldo, onde uma farmácia é construída.
“Estouraram o cadeado, quebraram o vidro da porta do veículo e ainda arrancaram o painel para ver se tiravam o rastreador. Em uns 15 minutos, foram embora com o caminhão”, relata o primeiro operário a constatar o furto, quando chegou para trabalhar, por volta das 7 horas.
Cerca de meia hora depois, a empresa recebeu telefonema da quadrilha. “Ligaram para o número estampado na logomarca da porta do veículo, que dá aqui no escritório, e pediram dinheiro para devolvê-lo”, diz o gerente. Segundo ele, não chegou a ser estipulado valor porque a construtora não evoluiu com a conversa.
Por volta das 9 horas, com as coordenadas do rastreador, a Brigada Militar chegou ao veículo em matagal de difícil acesso, ao lado de um curtume na Avenida Primeiro de Maio, no bairro Rincão da Saudade, em Estância Velha. Ninguém foi preso.
Era o lugar escolhido pelos criminosos para deixar o caminhão “esfriando”, enquanto tentariam extorquir a construtora. “Não é o primeiro que a gente recuperou nem será o último”, observa o gestor.
Crime foi flagrado por câmera
Câmeras nas imediações da futura farmácia indicam que eram três ladrões. Chegaram em um carro de modelo não identificado, usado depois como “batedor” na ida do pesado caminhão a Estância Velha.
O gerente comenta que o furto só aconteceu porque não foi observada uma conduta da construtora na região metropolitana, em especial o Vale do Sinos. “Ali é muito complicado. Todas as nossas obras nessa região têm guarda armada 24 horas. Houve uma falha nesse caso pontual, que não vai se repetir.”
Ele afirma que, apesar de elevar os custos, ainda é melhor investir em segurança privada que perder equipamentos de alto valor. “Em outras regiões, não é necessária toda essa atenção.”
Ladrões agem até em obras públicas
Os furtos para extorsão não se restringem a caminhões. Máquinas também são alvos. Em agosto do ano passado, uma minicarregadeira foi levada de obra pública na BR-116, em Esteio. Avaliada em R$ 300 mil, pertencia a uma empreiteira contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
“Certamente os ladrões levaram em um guincho, pois seria improvável rodar com a máquina, que anda a 20 quilômetros por hora, em plena luz do dia na rodovia”, comenta um gerente da empresa. “Pediram R$ 60 mil para devolver. Ficaram ligando durante dois dias, mas o patrão decidiu não aceitar com medo de pagar e não receber.”
No fim de outubro, agentes da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo encontraram a minicarregadeira em um sítio no bairro Arroio da Manteiga, em São Leopoldo, além de R$ 74 mil em dinheiro, armas e farta munição. A propriedade é de um presidiário ligado à maior facção do Estado, sediada no Vale do Sinos.
Nos últimos três anos, criminosos do Vale do Sinos também furtaram caminhões e máquinas em outras cidades como Ivoti, Parobé, Gramado, Caxias do Sul, Gravataí, Taquara e Santo Antônio da Patrulha, entre outras.
Levaram até quatro caminhões munck da CEEE no bairro São Geraldo, em Porto Alegre, que foram parar em um pavilhão na Rua São Domingos, no bairro São Miguel, em São Leopoldo.

Foto: Reprodução