A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (10), a chamada “Operação Máscara”, uma ofensiva interestadual para desarticular uma complexa associação criminosa especializada no golpe conhecido como “falso familiar” ou “golpe do novo número”.
A investigação, que durou um ano, revelou a atuação de uma quadrilha ampla, bem organizada e com profundo conhecimento das brechas do sistema financeiro digital, indo além dos casos isolados de fraude.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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Os criminosos se passavam por familiares (geralmente filhos ou sobrinhos), alegando uma emergência financeira urgente (como um carro quebrado ou uma conta bloqueada) para induzir as vítimas a realizar transferências imediatas.
O inquérito foi impulsionado pela perda de R$ 10.135,00 por um morador de Canoas que acreditou socorrer o filho no momento do golpe, segundo a investigação coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas.
Por meio da apuração, aponta a delegada Luciane Bertoletti, responsável pelo inquérito, foi identificada uma clara e sofisticada divisão de tarefas entre os membros do grupo.
Havia “captadores”, que faziam o contato inicial com as vítimas; “conteiros”, primeiros destinatários das transferências; “distribuidores”, encarregados do dinheiro; e “operadores”, titulares de contas em fintechs que davam aparência de legitimidade às transações.
Fuga para Bélgica
A ação foi deflagrada prioritariamente no Estado de Goiás, base da logística da organização criminosa, para cumprimento simultâneo das seguintes medidas cautelares judiciais.
Houve cumprimento de nove prisões temporárias; 20 mandados de busca e apreensão para coleta de provas físicas e digitais; e bloqueios de nove contas bancárias para estancar o fluxo financeiro ilícito e garantir a recuperação dos valores.
Até o momento, três pessoas foram presas e diversas provas foram apreendidas para instrução das investigações. Três dos envolvidos são considerados foragidos após deixarem o Brasil rumo à Bélgica.
“Conseguimos não apenas prender os executores do golpe, mas atacar a estrutura financeira que dava sustentação a esta sofisticada rede interestadual, protegendo milhares de cidadãos vulneráveis”, ressaltou a delegada Luciana Bertoletti.
Inteligência
A ação foi coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas de São Paulo, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da Polícia Civil de Goiás e da Polícia Civil do Mato Grosso. Cerca de 80 policiais civis foram mobilizados nos três estados.
Um dos maiores desafios identificados no rastreio do dinheiro foi o uso sistemático de boletos bancários emitidos por plataformas digitais e a concentração de transações em contas do tipo carteira digital.
Conforme a Polícia Civil, o dinheiro retirado da vítima percorria ao menos sete contas de integrantes, sendo rapidamente pulverizado para dificultar a recuperação e a identificação dos operadores finais.
“A cada investigação, ampliamos nosso conhecimento sobre as estruturas criminosas e os recursos utilizados por esses grupos para aplicar golpes”, destacou o delegado Cristiano Reschke.