Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.
A família de Deise Moura dos Anjos, de 42 anos, decidiu se manifestar por meio de advogados sobre a morte da principal suspeita do caso do bolo envenenado, que faleceu na manhã desta quinta-feira (13), na Penitenciária Feminina de Guaíba. Os representantes dos familiares e da investigada realizaram uma coletiva de imprensa nesta tarde, em Porto Alegre.
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL NH NO WHATSAPP

Foto: Nicole Goulart/GES-Especial
O advogado Matheus Trindade, do escritório Trindade & Mombelli Advogados Associados, que representa os familiares de Deise, cita que houve “um julgamento popular antecipado” e que “diversas falas de instituições” atacaram, não só Deise, mas a família dela. O representante citou uma frase dita pelo delegado Marcos Veloso, responsável pela investigação, no começo de janeiro. “Pela manhã, antes de vir aqui, eu perguntei para a Denise [irmã de Deise]: ‘O que você gostaria que eu dissesse na condição de representante da família?’, e o que ela me passou foi isso, esta fala que foi colocada, em que diziam que ela não sairia nesta vida.”
BOLO ENVENENADO: Relembre o caso em ordem cronológica até a morte de Deise Moura dos Anjos
Trindade informou ainda que os parentes de Deise receberam ameaças de morte e que tiveram medo de sair de casa, sendo estes os motivos de contratarem representantes.
Família teria feito alerta sobre risco de suicídio
Deise foi encontrada ainda com sinais vitais na manhã desta quinta-feira, com indícios de enforcamento, mas faleceu durante o atendimento médico.
Conforme Trindade, a irmã de Deise havia alertado o setor de psicologia da Penitenciária de Guaíba antes mesmo da ida de um representante do marido, Diego Silva dos Anjos, que conversou com a suspeita sobre o divórcio no começo da tarde de quarta-feira (12).
Ainda de acordo com o advogado da família, o psicólogo teria dito que conversou com Deise antes do atendimento e que, em princípio, “ela estaria controlada”. “Ainda relatou que ele seria o único psicólogo da casa prisional para 430 detentas”, expôs. A reportagem contatou a Polícia Penal sobre este assunto, mas não teve retorno até a publicação da reportagem.
Após sair do parlatório, o advogado que representou Diego teria reforçado o alerta sobre o risco de suicídio, informando as autoridades, os advogados e a família. Preocupada, a irmã mandou novamente uma mensagem às 14h12 de quarta-feira para o setor de psicologia: “O advogado acabou de sair, ele disse que ela vai tentar tirar a vida dela hoje mesmo”, escreveu. “Essa mensagem foi visualizada e não foi respondida. Somente hoje, às 10h23, após ter vazado o suicídio da Deise, é que ela recebeu uma ligação”, aponta Trindade.
Os representantes afirmam que não receberam um comunicado oficial do óbito de Deise e que a notícia chegou à família pela imprensa. Advogado da investigada, Cassyus Pontes relata ainda que não teve acesso ao manuscrito encontrado ao lado do corpo de Deise.
Defesa queria manter Deise em Torres
O advogado de defesa da suspeita pediu a permanência de Deise na Penitenciária Feminina de Torres, onde ficou por exatos 31 dias, em razão do isolamento e da tranquilidade emocional. Ele relata que, no início, ela sofreu ameaças, mas, depois, a situação se acalmou. Com a prorrogação da prisão temporária, Deise foi transferida para Guaíba, o que teria deixado a investigada “exposta a outras presas”.
Pontes esclarece que a suspeita tinha histórico de problemas psíquicos e que fazia uso de medicação controlada. O advogado também fez críticas às condições que Deise teria vivenciado em Guaíba e afirmou que a cliente “estava passando necessidade dentro do sistema prisional, sem higiene básica e sem assistência de saúde”.
Segundo ele, a família chegou a enviar materiais de higiene pelo Correio, mas a caixa retornou, visto que os parentes de Deise não têm cadastro para fazer o envio. A Polícia Penal afirma que esta situação não procede.
Outra questão levantada pelos representantes é que a Penitenciária de Guaíba estaria com problemas telefônicos desde a enchente de maio do ano passado e que, por conta disso, advogados e familiares não conseguiam se comunicar com a casa penal.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
Canal Pode Falar
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes.
Mapa da Saúde Mental
O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.