O caso do bolo envenenado com arsênico teve um desfecho inesperado na manhã desta quinta-feira (13), quando a Polícia Civil encontrou Deise Moura dos Anjos, 42 anos – a suspeita de batizar o saco de farinha usado na receita –, sem vida dentro da Penitenciária Feminina de Guaíba. Abaixo, relembre o caso:
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Foto: Sofia Villela/Ascom IGP
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23 de dezembro de 2024
Zeli Terezinha dos Anjos, 61, sogra de Deise, levou um bolo de reis para um café da tarde com outros membros da família. Seis pessoas, incluindo Zeli, passaram mal após ingerirem a sobremesa e precisaram de atendimento médico. Duas morreram no mesmo dia, sendo a irmã de Zeli, Maida Berenice Flores da Silva, 58, e a sobrinha, Tatiana Denize dos Anjos, 43.
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24 de dezembro de 2024
Morreu a segunda irmã de Zeli, Neuza Denize dos Anos, 65. Maida e Tatiana foram enterradas em Canoas. A Polícia Civil confirmou que havia encaminhado à perícia o bolo e outros produtos encontrados na casa da sogra de Deise, em Arroio do Sal. Zeli e o filho de Tatiana, de 10 anos, estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres.
25 de dezembro de 2024
O delegado Marcos Veloso, responsável pela investigação do bolo, afirmou que solicitaria a exumação do corpo do marido de Zeli, Paulo Luiz dos Anjos, morto em setembro, para a investigação. Inicialmente, a Polícia trabalhava com a hipótese de intoxicação alimentar e de envenenamento.
26 de dezembro de 2024
Neuza foi sepultada em Canoas. Familiares conversaram com a reportagem e disseram que tentavam “entender o que aconteceu”. Enquanto isso, o delegado expunha que “nenhuma hipótese estava descartada”.
27 de dezembro de 2024
Arsênio é encontrado no bolo de reis. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) seguia analisando um pedaço da sobremesa e outros produtos encontrados na casa de Zeli.
30 de dezembro de 2024
Zeli e o filho de Tatiana apresentaram melhora no quadro de saúde.
3 de janeiro
Filho de Tatiana recebe alta hospitalar.
5 de janeiro
Deise Moura dos Anjos foi presa temporariamente e encaminhada ao Presídio Feminino de Torres.
6 de janeiro
Polícia realizou a primeira coletiva de imprensa sobre o caso e informou que uma dose altíssima de arsênio foi encontrada na farinha. Uma rivalidade entre nora e sogra teria apontado para Deise durante a investigação. Durante o evento, o delegado confirmou o pedido de exumação do marido de Zeli. Deise pesquisou sobre arsênio antes das mortes em Torres.
7 de janeiro
Deise passou por audiência de custódia. A Justiça decidiu manter a prisão temporária de 30 dias. A reportagem conversou com o marido de Neuza, João Joaquim dos Anjos, 70, que estava no local quando os familiares comeram o bolo em Torres.
8 de janeiro
Corpo de Paulo Luiz dos Anjos, sogro de Deise, foi retirado do túmulo para perícia. Vizinhos da suspeita, moradores de Nova Santa Rita, conversaram com a reportagem sobre a relação de com a vizinhança.
10 de janeiro
Zeli tem alta hospitalar. Polícia confirma a presença de arsênio no material genético do sogro de Deise. O delegado Marcos Veloso descreve Deise como uma “mulher fria e calculista”. Uma nota fiscal da compra do veneno, feita pela internet, foi encontrada pela Polícia. Alimentos levados por Deise à Zeli durante internação no hospital de Torres também passariam por perícia.
Também foi revelado que a sogra faria a mesma receita para um encontro com amigas em Arroio do Sal – que acabou não acontecendo. A Polícia explicou ainda que Deise queria replicar Aqua Tofana, um veneno usado no século 17.
O alvo principal da mulher era a própria sogra, em função de uma transação envolvendo R$ 600 há cerca de 20 anos. O marido de Deise, Diego Silva dos Anjos, não era tido como suspeito.
13 de janeiro
Polícia confirmou que Diego seria ouvido como testemunha no caso. A perícia revelou que a farinha usada no preparo do bolo tinha uma concentração de 65g de arsênio por quilograma, cerca de 2,7 mil vezes maior do que a encontrada no próprio alimento.
14 de janeiro
Sangue de Diego e do filho passariam por perícia.
20 de janeiro
Foi confirmada a presença de arsênio no sangue de Diego e do filho.
28 de janeiro
Novos detalhes foram revelados. A Polícia informou que a suspeita teria tentado envenenar filho e marido em 17 de dezembro do ano passado, seis dias antes do caso do bolo, com um suco de manga batizado. Deise teria assinado o comprovante dos Correios da entrega do arsênio.
30 de janeiro
Suspeita teve prisão temporária prorrogada.
4 de fevereiro
Deise permanece em silêncio durante segundo depoimento à Polícia Civil.
12 de fevereiro
Perícia revelou que alimentos levados por Deise para Zeli durante internação no hospital de Torres não estavam envenenados.
13 de fevereiro
Deise foi encontrada morta dentro da Penitenciária de Guaíba, para onde havia sido transferida no dia 6 de fevereiro.