Um soldado da Brigada Militar foi preso na manhã desta terça-feira (10) pelo desaparecimento de uma família de comerciantes em Cachoeirinha. Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, não são vistos desde o fim de semana de 24 e 25 de janeiro.
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Foto: Polícia Civil
Brigadiano desde 2009, o suspeito é ex-companheiro de Silvana e pai do filho dela, de 9 anos. A criança, que estava com o policial desde o desaparecimento da mãe, ficou aos cuidados da avó paterna. O nome do militar não é publicado porque se trata de prisão temporária de 30 dias, relativa ao período de investigação.
A Polícia Civil não revelou os indícios que levaram à captura do brigadiano, que estava atuando no batalhão de Canoas. Ele usou do direito de ficar em silêncio no interrogatório. Não é descartado o envolvimento de pelo menos mais uma pessoa no crime.
Locais de crime
A perícia demorou mais de duas semanas para ser feita nas casas, no minimercado e em dois veículos das vítimas. Enquanto isso, o policial suspeito estava indo diariamente à residência de Silvana para alimentar os animais de estimação – um cão e um gato. Também teria ido aos imóveis dos pais dela. Ele pode ter “desfeito” os possíveis locais de crime.
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O caso é investigado como homicídio, mas pode acabar na conclusão de feminicídio seguido de homicídios se for comprovado que foi motivado por desavença com a ex-companheira e o principal objetivo era eliminá-la. Em razão dos mais de 15 dias de desaparecimento, a Polícia considera improvável encontrar Silvana e os pais com vida.
Mandado foi pedido com pistas do dia anterior
Segundo o delegado regional Anderson Spier, pistas obtidas no fim da tarde de segunda-feira permitiram avançar na investigação com relação à suspeita sobre o ex-marido da Silvana. “Em consequência disso representamos pela prisão temporária.” Os dados levantados são mantidos sob sigilo.
A ordem foi concedida pelo Judiciário e cumprida na manhã seguinte, por volta das 6 horas. O delegado observa que ainda há muitos elementos para confirmar as hipóteses levantadas contra o policial.
No último sábado, por meio de denúncia anônima, foi localizado um celular que seria de Silvana. O aparelho foi encaminhado para análise. “Aguardamos essa perícia.”
“Cortina de fumaça” para retardar a investigação
No dia 24 de janeiro, um sábado, foi publicado em uma rede social de Silvana que ela havia sofrido acidente de trânsito quando retornava de Gramado. A Polícia acredita que alguém estava se passando por ela, pois se trata de uma ocorrência que não existiu e coincide com o dia do desaparecimento.

Foto: Reprodução
Além disso, ela não foi para Gramado e o carro dela estava na garagem de casa. “Acreditamos que aquela postagem tenha sido uma ‘cortina de fumaça’ para que a polícia e a família não se preocupassem com ela e que a investigação não se aprofundasse com o caso”, comenta o delegado.
Os pais, que não acompanhavam redes sociais, foram avisados por vizinhos no dia seguinte. O telefone da filha estava sem sinal. O casal de idosos saiu em busca de Silvana. Dalmira e Isail chegaram a ir à 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, mas a unidade estava fechada.
Uma equipe da Brigada Militar chegou a ver os idosos na frente do órgão e orientou sobre onde poderiam ir buscar atendimento, mas eles nunca chegaram a ir a nenhum dos locais e não foram mais vistos desde então.
A ocorrência do desaparecimento de Silvana foi registrada pelo próprio brigadiano investigado, na condição de ex-marido e pai do filho dela. O desaparecimento do casal de idosos foi comunicado por parentes. Desde então, perícias foram feitas nos imóveis da família. Imagens de câmeras de segurança também são avaliadas. Cerca de 30 pessoas já foram ouvidas.
“Eram pessoas muito queridas pela comunidade”
O minimercado Aguiar, situado na Rua Barbacena, no bairro Anair, está fechado desde o dia 25, quando o casal de idosos desapareceu, um dia após a filha. Isail e Dalmira têm casa ao lado. Silvana possui residência nas proximidades.
Vizinhos se manifestam por meio de cartazes na frente do minimercado com recados como “queremos solução”, “chega de mimimi”, “cadê a perícia do carro vermelho” e “queremos troca do delegado”.
“É uma tristeza porque eram pessoas muito queridas pela comunidade, pelo bairro todo. Estamos orando para que achem logo e com vida. Sabemos que a essa altura pode ser difícil, mas a gente reza. É realmente muito triste o que aconteceu”, diz, emocionada, uma vizinha que pede para não ser identificada.

Foto: Paulo Pires/GES
Brigada Militar se manifesta por nota
Em nota emitida após a captura, a Brigada Militar diz que a Corregedoria-Geral da corporação acompanha as investigações da Polícia Civil. “Em decorrência da prisão, o policial militar será afastado do serviço policial, conforme previsto na legislação vigente, permanecendo a adoção de próximas providências internas condicionada à conclusão das investigações”, diz o comunicado.
E conclui: “No momento, não serão concedidas entrevistas, tendo em vista que as investigações ainda estão em andamento”.