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CACHOEIRINHA

Brigadiano preso no caso de família desaparecida atuava no batalhão de Canoas; veja o que se sabe

Homem pode ter "desfeito" possíveis locais do crime, já que perícia demorou mais de duas semanas para ser feita nos imóveis e veículos dos desaparecidos

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Publicado em: 10/02/2026 às 17h:47 Última atualização: 10/02/2026 às 17h:48
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Um soldado da Brigada Militar foi preso na manhã desta terça-feira (10) pelo desaparecimento de uma família de comerciantes em Cachoeirinha. Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, não são vistos desde o fim de semana de 24 e 25 de janeiro.

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Polícia Civil faz buscas e prende uma pessoa suspeita de envolvimento no desaparecimento de família | abc+



Polícia Civil faz buscas e prende uma pessoa suspeita de envolvimento no desaparecimento de família

Foto: Polícia Civil

Brigadiano desde 2009, o suspeito é ex-companheiro de Silvana e pai do filho dela, de 9 anos. A criança, que estava com o policial desde o desaparecimento da mãe, ficou aos cuidados da avó paterna. O nome do militar não é publicado porque se trata de prisão temporária de 30 dias, relativa ao período de investigação.

A Polícia Civil não revelou os indícios que levaram à captura do brigadiano, que estava atuando no batalhão de Canoas. Ele usou do direito de ficar em silêncio no interrogatório. Não é descartado o envolvimento de pelo menos mais uma pessoa no crime.

Locais de crime

A perícia demorou mais de duas semanas para ser feita nas casas, no minimercado e em dois veículos das vítimas. Enquanto isso, o policial suspeito estava indo diariamente à residência de Silvana para alimentar os animais de estimação – um cão e um gato. Também teria ido aos imóveis dos pais dela. Ele pode ter “desfeito” os possíveis locais de crime.

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O caso é investigado como homicídio, mas pode acabar na conclusão de feminicídio seguido de homicídios se for comprovado que foi motivado por desavença com a ex-companheira e o principal objetivo era eliminá-la. Em razão dos mais de 15 dias de desaparecimento, a Polícia considera improvável encontrar Silvana e os pais com vida.

Mandado foi pedido com pistas do dia anterior

Segundo o delegado regional Anderson Spier, pistas obtidas no fim da tarde de segunda-feira permitiram avançar na investigação com relação à suspeita sobre o ex-marido da Silvana. “Em consequência disso representamos pela prisão temporária.” Os dados levantados são mantidos sob sigilo.

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A ordem foi concedida pelo Judiciário e cumprida na manhã seguinte, por volta das 6 horas. O delegado observa que ainda há muitos elementos para confirmar as hipóteses levantadas contra o policial.

No último sábado, por meio de denúncia anônima, foi localizado um celular que seria de Silvana. O aparelho foi encaminhado para análise. “Aguardamos essa perícia.”

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“Cortina de fumaça” para retardar a investigação

No dia 24 de janeiro, um sábado, foi publicado em uma rede social de Silvana que ela havia sofrido acidente de trânsito quando retornava de Gramado. A Polícia acredita que alguém estava se passando por ela, pois se trata de uma ocorrência que não existiu e coincide com o dia do desaparecimento.

Silvana, Delmara e Isail de Aguiar  | abc+



Silvana, Delmara e Isail de Aguiar

Foto: Reprodução

Além disso, ela não foi para Gramado e o carro dela estava na garagem de casa. “Acreditamos que aquela postagem tenha sido uma ‘cortina de fumaça’ para que a polícia e a família não se preocupassem com ela e que a investigação não se aprofundasse com o caso”, comenta o delegado.

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Os pais, que não acompanhavam redes sociais, foram avisados por vizinhos no dia seguinte. O telefone da filha estava sem sinal. O casal de idosos saiu em busca de Silvana. Dalmira e Isail chegaram a ir à 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, mas a unidade estava fechada.

Uma equipe da Brigada Militar chegou a ver os idosos na frente do órgão e orientou sobre onde poderiam ir buscar atendimento, mas eles nunca chegaram a ir a nenhum dos locais e não foram mais vistos desde então.

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A ocorrência do desaparecimento de Silvana foi registrada pelo próprio brigadiano investigado, na condição de ex-marido e pai do filho dela. O desaparecimento do casal de idosos foi comunicado por parentes. Desde então, perícias foram feitas nos imóveis da família. Imagens de câmeras de segurança também são avaliadas. Cerca de 30 pessoas já foram ouvidas.

Desaparecimento de família é investigado como homicídio e brigadiano é preso
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“Eram pessoas muito queridas pela comunidade”

O minimercado Aguiar, situado na Rua Barbacena, no bairro Anair, está fechado desde o dia 25, quando o casal de idosos desapareceu, um dia após a filha. Isail e Dalmira têm casa ao lado. Silvana possui residência nas proximidades.

Vizinhos se manifestam por meio de cartazes na frente do minimercado com recados como “queremos solução”, “chega de mimimi”, “cadê a perícia do carro vermelho” e “queremos troca do delegado”.

“É uma tristeza porque eram pessoas muito queridas pela comunidade, pelo bairro todo. Estamos orando para que achem logo e com vida. Sabemos que a essa altura pode ser difícil, mas a gente reza. É realmente muito triste o que aconteceu”, diz, emocionada, uma vizinha que pede para não ser identificada.

Cartazes foram colocados em frente ao mercado da família Aguiar | abc+



Cartazes foram colocados em frente ao mercado da família Aguiar

Foto: Paulo Pires/GES

Brigada Militar se manifesta por nota

Em nota emitida após a captura, a Brigada Militar diz que a Corregedoria-Geral da corporação acompanha as investigações da Polícia Civil. “Em decorrência da prisão, o policial militar será afastado do serviço policial, conforme previsto na legislação vigente, permanecendo a adoção de próximas providências internas condicionada à conclusão das investigações”, diz o comunicado.

E conclui: “No momento, não serão concedidas entrevistas, tendo em vista que as investigações ainda estão em andamento”.

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