A Polícia descartou a hipótese de que o pastor de 75 anos, morto em Canoas no ano passado, tenha sido vítima de envenenamento por arsênio. A conclusão foi apresentada nesta quarta-feira (1º), após exames do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que analisaram as cartas antigas mencionadas pela família e também material obtido na exumação do corpo.
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Foto: PAULO PIRES/GES
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Cartas com arsênio
O caso chegou ao conhecimento das autoridades no fim do ano passado, quando a filha da vítima recebeu cartas antigas que continham dose de arsênio, após a morte do pai. Conforme a denunciante, os documentos estavam em posse da madrasta, que se casou com o homem pouco depois da morte da mãe dela, esposa do pastor, em 2007.
O idoso teve o óbito registrado em novembro de 2025 como ataque cardíaco. Ele vivia sob prescrição de medicamentos por conta de problemas de saúde inerentes à idade.
Técnicos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) esclareceram nesta terça-feira que a concentração de arsênio nas cartas que a filha recebeu não era grande o suficiente para ser letal. Conforme a perita da divisão de toxicologia Milena Pellini, os documentos são dos anos 50. E não se sabe se, na época, não tiveram contato com algum material contendo arsênio.
“Constatamos a concentração de 0,5 ml nas cartas encaminhadas para perícia”, explica. “A concentração está cem vezes abaixo da dose letal que seria necessária para matar por intoxicação.”
Comparativo com outros venenos e substâncias nocivas
Os peritos também executaram uma varredura no material, comparando com todos os venenos e substâncias nocivas conhecidas, sem encontrar resultado que pudesse ser considerado positivo.
Ainda, a exumação do corpo não revelou nada que fosse relevante à investigação. Somente a concentração de medicamentos de uso terapêutico que o pastor se valia rotineiramente.
“Foram testadas diversas classes de inseticidas e raticidas, sem haver observação da presença, durante a análise química, de qualquer elemento nocivo à saúde de uma pessoa”, reforçou a perita Paulini Wegner.
Investigação segue em andamento
Responsável pela condução do inquérito, a delegada Luciane Bertoletti deixou claro que, embora descartada a hipótese de envenenamento na morte do pastor, a investigação prossegue.
“Inicialmente precisávamos descartar a hipótese do envenenamento por arsênio, mas a investigação continua”, avisa. “Temos que ouvir novas testemunhas e a mulher do pastor, apontada pela denunciante como suspeita.”
A delegada observa que há elementos durante a apuração inicial que corroboram o reforço das oitivas a partir desta segunda etapa da investigação, porém, com a hipótese de envenenamento descartada.
“Ouvimos pessoas ligadas ao círculo mais íntimo do pastor, então permanecemos apurando se houve ou não crime ligado ao caso”, acrescenta. “Só não se fala mais da hipótese de envenenamento.”
Caso antigo
Conforme a Polícia, esposa do pastor, mãe da denunciante, tinha 56 anos quando morreu em 2007. Após ficar viúvo, o homem começou uma relação com uma mulher 30 anos mais jovem do que ele, com quem se manteve até morrer no ano passado.
Já houve a suspeita de envenenamento na época do óbito da mãe, porém o inquérito conduzido pela Polícia na época não teve resultado conclusivo para a intoxicação da mulher, que vivia reclamando do gosto da comida, segundo a filha.