Após seis meses presos, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou a soltura do casal de influenciadores Gladison Pieri e Pâmela Pavão na última sexta-feira (28).
Moradores do bairro Marechal Rondon chegaram a relatar queima de fogos de artifício após a recepção, em casa do casal, que responde por suspeita de envolvimento em um esquema de jogos de azar e lavagem de dinheiro.

Foto: REPRODUÇÃO
Após descumprimento de regras estabelecidas em um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado com o Ministério Público (MP), Pieri era mantido preso na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan 1). Já Pâmela estava na Penitenciária Feminina de Guaíba.
Medidas cautelares incluem proibição a redes sociais
Na sexta-feira, as prisões preventivas foram substituídas por medidas cautelares pela Justiça, o que garantiu a soltura dos influenciadores sob uma série de medidas cautelares.
Embora longe da cadeia, eles não podem sair da comarca; precisam se apresentar mensalmente em juízo; não podem trocar de endereço; estão proibidos de acessar as redes sociais; e não podem se envolver com jogos de azar.
A Justiça também determinou aos dois a proibição de contato com testemunhas e demais réus, além da obrigação de comparecer a todos os atos processuais para garantir o bom andamento do processo.
Conforme o TJRS, uma nova audiência na Justiça sobre o caso está marcada para 16 de dezembro, ocasião em que serão ouvidas testemunhas e os influenciadores serão interrogados.
Segundo a promotoria, os influenciadores e outros quatro faziam parte de um esquema em que “utilizavam rifas virtuais como fachada para movimentações financeiras suspeitas e atividades ilícitas”.
Entenda o caso
Foi no dia 6 de agosto de 2024 que a Polícia Civil lançou a batizada Operação Dubai, levando à cadeia o casal Gladison Pieri e Pamela Pavão por suspeita de coordenar as rifas ilegais e lavagem de dinheiro.
O caso acabou apurado pela 3ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas. Conforme a delegada Luciane Bertoletti, a prisão do casal reacendeu o debate sobre o uso das redes sociais como plataforma de promoção de atividades ilegais.
A Polícia destacou, logo após as prisões, que o casal chegou a movimentar R$ 80 milhões em dois anos, quantia empregada em viagens, carros de luxo e imóveis milionários adquiridos por meio das rifas.
“Quem é que não gostaria de ganhar uma Lamborghini ao investir a quantia de R$ 2 na aposta?”, argumentou na época. “Eles vendiam este sonho no Brasil inteiro. Tudo graças a imagem vendida nas redes e à ostentação.”
Pieri e Pâmela, vale lembrar, chegaram a ser presos três vezes. Isso porque, liberados pela Justiça com restrições, acabaram não seguindo determinações e voltaram a incorrer em crimes, entendeu a Justiça.
O que diz a defesa?
Em nota, a defesa feita pelos escritórios Callegari e Giacomolli diz que “sempre confiou que uma análise cuidadosa dos fatos pelo Magistrado demonstraria que não havia motivos para manter o casal Gladison Pieri e Pamela Pavão em prisão preventiva, tendo em vista que eles nunca descumpriram as cautelares impostas”.
A defesa destaca que “o casal continuará colaborando integralmente com o processo e cumprindo todas as determinações judiciais, confiando no avanço regular do devido processo legal e no esclarecimento completo dos fatos”.