A Polícia Civil voltou a prender preventivamente o casal de influenciadores Gladison Pieri e Pamela Pavão, no meio da noite desta quarta-feira (4), em nova fase da batizada Operação Dubai.

Foto: REPRODUÇÃO
CLIQUE E FAÇA PARTE DO GRUPO DE WHATSAPP DO DIÁRIO DE CANOAS
Segundo a Polícia, mesmo que continuassem sendo investigados, os dois permaneciam, por meio de “laranjas”, se valendo de rifas on-line para faturar alto e seguir ostentando vida de luxo.
Esta fase da operação também revelou a participação de agentes públicos, que garantiriam proteção e informação privilegiadas ao casal. A suspeita é que Policiais Militares (PMs) participassem do esquema.
Recusa ao bafômetro: Polícia ainda apura se motorista que provocou acidente assumiu risco de matar amiga
A apuração revelou uma suposta rede de proteção envolvendo soldados da Brigada Militar (BM). Segundo depoimento dos influenciadores, um PM trabalhava diretamente prestando segurança.
A Polícia aponta ainda para um relacionamento pautado por lealdade e amizade entre policiais e os investigados. Alguns militares participaram ativamente de eventos sociais do casal.
A situação se agravou, conforme a Polícia, com a suspeita de uso indevido de sistemas sigilosos da segurança pública para repassar informações estratégicas ao casal de influenciadores, quando houve acesso indevido aos bancos de dados institucionais.
Comidas mortais: Bolo de Reis, de pote, baião-de-dois e ovo de Páscoa envenenados; relembre casos que acabaram em morte
Lamborghini por R$ 2 a aposta
Foi no dia 6 de agosto de 2024 que a Polícia Civil lançou a batizada Operação Dubai, quando o casal Gladison Pieri e Pamela Pavão acabou levado à cadeia por suspeita de coordenar as rifas ilegais e lavagem de dinheiro.
O caso é apurado pela 3ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas. Conforme a delegada Luciane Bertoletti, a prisão do casal reacende o debate sobre o uso das redes sociais como plataforma de promoção de atividades ilegais.
“Quando a Justiça decidiu que eles sairiam da prisão, havia uma série de determinações que deveriam ser seguidas. Uma delas era não voltar a incorrer nos crimes, mas eles continuavam divulgando as rifas on-line”, explica.
A Polícia destaca que o casal chegou a movimentar R$ 80 milhões em dois anos, quantia empregada em viagens, carros de luxo e imóveis milionários adquiridos por meio das rifas.
“Quem é que não gostaria de ganhar uma Lamborghini ao investir a quantia de R$ 2 na aposta?”, argumenta a secretária. “Eles vendiam este sonho no Brasil inteiro. Tudo graças a imagem vendida nas redes e a ostentação.”
LEIA TAMBÉM: Grupo responsável por sequestros, incluindo o de mãe e filha em Canoas, é alvo da Polícia
Não há perseguição
Diferentemente do que é propagado por meio das redes sociais, o diretor da Polícia Civil em Canoas garante que o casal não vem sofrendo perseguição policial. O que existe somente é a recorrência dos crimes, motivo pelo qual foram presos.
“O comportamento deles nas redes sociais é irrelevante à Polícia. O inquérito não leva em conta se houve deboche às instituições”, frisa o delegado Cristiano Reschke. “O que é levado em conta é que continuavam praticando os crimes mesmo após serem presos.”

Foto: POLÍCIA CIVIL/DIVULGAÇÃO
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
Entenda o caso
Gladison Pieri e Pamela Pavão estão envolvidos em um esquema denunciado à Polícia Civil com rifas que eram manipuladas para sorteios com milhões de apostas em que quase ninguém levava o prêmio.
Os sorteios eram montados com um número de participantes até a casa dos 100 mil, porém, os organizadores adicionavam um dígito à quantidade de alguns jogos. Com isso, muitos apostadores sequer alcançavam as cotas.
A Polícia também apurou que alguns prêmios eram entregues, mas para pessoas próximas ao casal, inclusive, mais de uma vez, e que a posterior divulgação nas redes auxiliava na prática fraudulenta.
Também foi apontado pela investigação que o valor pago pelas rifas era depositado direto em contas pessoais do casal, o que é irregular e motivou a contratação de uma empresa de título de capitalização.
A maioria das vítimas identificadas pela Polícia Civil faz parte das classes “C” e “D”, que eram atraídas pelo “kit milionário” divulgado nas redes sociais por Pieri e Pamela.
CLIQUE PARA LER: Crânios humanos encontrados na Serra gaúcha podem ter sido usados em ritual religioso, diz Polícia
Sem retorno
A reportagem tentou contato com a defesa do casal Gladison Pieri e Pamela Pavão, porém não houve retorno até a publicação desta reportagem.
Sem contato
Também houve uma tentativa de contatar o comando da Brigada Militar para esclarecer sobre a conduta dos Policiais Militares (PMs) envolvidos. O espaço está aberto para manifestação.