O novo júri de Paula Caroline Ferreira Rodrigues começou nesta terça-feira (10), em Canoas, sem a presença da ré, que é considerada foragida. Ela não foi encontrada para intimação ao julgamento.
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Foto: Nicole Goulart/GES-Especial
Ela é acusada de participar do assassinato de José Gustavo Bertuol Gargioni, em Canoas, em julho de 2015.
O julgamento havia sido marcado para dia 3 de março, mas foi transferido para essa terça-feira (10) por motivos de saúde do juiz.
Testemunha é ouvida
Os trâmites do júri começaram às 9 horas, com sorteio e organização dos jurados. Por volta das 10h30, a única testemunha de acusação começou a ser ouvida pelo Ministério Público.
O delegado Marco Guns investigou todo o caso, ocorrido em 2015. “Foi um crime milimetricamente pensado”, define. A testemunha ainda detalhou a investigação e elementos que apontavam a autoria do crime.
A sessão ocorre no Foro de Canoas e é presidida pelo juiz Bruno Barcellos de Almeida, titular da 1ª Vara Criminal. Pelo Ministério Público, a acusação é conduzida pelas promotoras de Justiça Daniela Fistarol e Rafaela Hias Moreira Huerg.
O que diz o Ministério Público
Apesar da absolvição de Paula Caroline no primeiro julgamento, em dezembro de 2023, o Ministério Público tem confiança na condenação da ré, destacando que o homicídio foi “friamente premeditado, articulado e planejado”.
A promotora de Justiça Daniela Fistarol, uma das condutoras da acusação, trabalha para a reversão da decisão anterior. “O Ministério Público está convicto na responsabilidade da ré em relação à morte do Gustavo. E hoje nós vamos trazer uma abordagem da prova muito contundente para demonstrar isso para os jurados”, garante.
Segundo o promotor Marcelo Tubino, do Centro de Apoio Operacional do Júri, a vítima, que era muito querida na comunidade, foi “emboscada” e “atraída” pela acusada, o que é sustentado por provas técnicas e testemunhais, indicando que o crime não poderia ter sido cometido por apenas uma pessoa.
Mesmo diante do fato de a ré estar foragida — atitude criticada pela promotoria como uma aparente falta de compromisso com a justiça —, o MP rechaçou qualquer alegação de coação ou vulnerabilidade, garantindo ter todas as condições de demonstrar que ela estava perfeitamente capaz quando “planejou e auxiliou na execução” do assassinato.
Novos advogados
A ré Paula Rodrigues tem uma nova defesa. Nesta segunda-feira (9), o então advogado Rodrigo Schmitt pediu para se retirar do caso.
O defensor alega que não mantinha mais contato com Paula. Além disso, afirma que possui outro juri marcado para esta terça-feira, não podendo estar presente no novo julgamento de Paula.
Para a defesa da ré, foram designados advogados dativos Martin Mustchall Gross e Felipe Decio Trelles. O primeiro foi escolhido como subsidiário ainda no final de fevereiro para ser chamado, caso houvesse alguma intercorrência no processo.
Para o advogado Martin Gross, o caso é complexo. “O processo tem muito detalhes que a defesa vai trazer no momento da sua fala. Infelizmente a Paula não está aqui para trazer o interrogatório dela, mas isso será demonstrado pela defesa a versão da Paula a respeito desses fatos”, afirma.
“A gente teve a plena convicção de que nós conseguiríamos sim fazer uma plena defesa para Paula, muito embora a gente sequer a conheça. Isso que é muito difícil às vezes da advocacia dativa, mas nós teremos tranquilidade para atuar aqui no plenário, respeitando a complexidade do caso”, completa o novo advogado.
(*) Atualizada às 12h46 para inclusão de novas informações