O pai de Izabelly Carvalho Brezzolin, o taxista José Lindomar Brezzolin, de 55 anos, foi preso novamente nesta terça-feira (11) em São Gabriel, município da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A decisão da Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público, que teria sido fundamentado no suposto risco que ele oferece a esposa, a dona de casa Elisa Carvalho de Oliveira, 36.
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Foto: Reprodução/Redes sociais
O homem é acusado de homicídio culposo pela morte da filha de 11 anos — em maio deste ano —, de estupro de vulnerável e de ameaças à companheira. Na época dos fatos, ele chegou a ser preso, mas estava em liberdade provisória até o começo desta semana.
Ele passou por audiência de custódia na quarta-feira (12) e teve a prisão mantida.
Segundo a advogada de Elisa, Rebeca Canabarro, ela nega que José tenha a ameaçado em algum momento. O casal chegou a se separar após a morte da filha, pela qual os dois são réus, mas posteriormente reataram o relacionamento. Eles voltaram a morar juntos depois que ambos foram soltos.
Nesta quinta-feira (13), a dona de casa se manifestou publicamente sobre o caso pela primeira vez desde o início do processo. Em vídeos compartilhados nas redes sociais da equipe de defesa dela, ela lamentou a situação e defendeu a inocência do marido.
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“Ele é um bom companheiro, não me traz risco nenhum”, disse. “Quero pedir para a juíza que solte o meu marido, não tenho medo dele. Ele é inocente, nós dois somos inocentes, nós vamos provar isso juntos em liberdade”, completou.
Elisa é acusada de homicídio culposo contra a própria filha — praticado, em tese, quando a morte é causada por imprudência, negligência ou imperícia. Diferente dos crimes de homicídio doloso, o culposo não é julgado pelo Tribunal do Júri.
A defesa de José foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até a manhã desta sexta-feira (14). O espaço segue aberto.
O caso
O caso aconteceu na cidade de São Gabriel. A criança começou a passar mal quatro dias antes da morte, mas foi levada ao hospital da cidade apenas no dia anterior. Ela chegou a ser transferida à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), mas não resistiu.
A denúncia oferecida pelo Ministério Público e aceita pelo Tribunal de Justiça afirma que José e Elisa foram negligentes ao não procurar atendimento médico para a filha antes. A menina começou a apresentar sintomas no dia 4 de maio, quando reclamou de dor de ouvido e de estômago. Nos dias seguintes, ela piorou significativamente, até ser levada ao hospital inconsciente, segundo o órgão, e com o quadro de saúde agravado.
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Exames e laudo pericial citados na denúncia apontam que a morte foi provocada em razão de insuficiência respiratória, sepse (inflamação excessiva), coagulação intravascular disseminada decorrente de pneumonia necrotizante, além de otite.
Além disso, conforme a investigação, o pai praticou atos libidinosos contra a filha entre março de 2023 e maio de 2025. E, em três ocasiões, ameaçou a companheira. Em uma das vezes, usou uma faca em direção à Elisa, depois de ser repreendido por seu comportamento abusivo contra Izabelly.
O casal foi preso no dia 7 de maio, dia em que a menina deu entrada na casa de saúde de São Gabriel. A mãe foi solta em 18 de maio, quando a Polícia Civil indiciou ambos por maus-tratos e estupro de vulnerável.
Laudo psiquiátrico vai definir continuidade do processo
A audiência de instrução do caso que estava marcada para acontecer no último dia 4 foi cancelada após uma decisão judicial suspender o processo principal.
A suspensão ocorreu porque o juiz acatou um pedido da defesa de Elisa e instaurou um incidente de insanidade mental, com base em documentos que apontam possível comprometimento psicológico e médico da acusada.
Com isso, o andamento do processo fica interrompido até a conclusão dos exames periciais e do laudo técnico, ficando proibida a realização de audiências ou novas diligências. Não há previsão de quando essa etapa deve ser concluída.
Em nota, a advogada afirma que o procedimento busca garantir um “julgamento justo e compatível com a realidade emocional e psicológica da acusada”.