abc+

NOVO HAMBURGO

"Conseguiu ir até a porta, mas não aguentou e caiu ali mesmo": Irmão da mulher morta pelo marido relata relação de conflito do casal

Familiar de Karizele de Oliveira Sena conta que relacionamento teve idas e vindas e foi marcado pela escalada da violência doméstica

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 24/01/2026 às 13h:33 Última atualização: 24/01/2026 às 13h:47
Publicidade

*Alerta de conteúdo sensível: esta matéria contém relatos de violência doméstica.

Publicidade

O feminicídio que vitimou Karizele de Oliveira Sena, 30 anos, na madrugada deste sábado (24) em Novo Hamburgo, ganhou novos contornos a partir do relato do irmão da vítima, o supervisor de operações logísticas Tiago Sena, 41. Ele descreveu a sequência de violência vivida pela irmã horas antes de ser morta a facadas dentro de casa, no bairro Industrial, e falou sobre um histórico de conflitos e agressões no relacionamento.

Kaka, como era chamada, tinha 30 anos e foi morta com oito facadas pelo marido  | abc+



Kaka, como era chamada, tinha 30 anos e foi morta com oito facadas pelo marido

Foto: Arquivo pessoal

Segundo Sena, a sobrinha de 13 anos confirma a escalada de violência entre a noite de sexta-feira (23) e a madrugada de sábado. O casal teria saído para uma festa e, ao retornar para casa, iniciou uma discussão verbal.

Durante a briga, o homem teria dado uma cabeçada na mulher, que passou a sangrar pelo nariz. Em seguida, Kaka, como era chamada pelos familiares, foi para o quarto com as duas filhas enquanto o agressor saiu para a rua.

SAIBA MAIS: Mulher é morta a facadas pelo companheiro na frente das duas filhas em Novo Hamburgo

Publicidade

“Não demorou muito tempo, ele voltou com uma faca e começou a dar facadas nela”, relata o irmão. Diante do ataque, a filha mais velha pegou a irmã bebê, de apenas 9 meses, e saiu correndo para a rua, pedindo ajuda a uma vizinha. O homem fugiu logo após.

CONFIRA AINDA: Mulher morre atropelada na calçada após colisão entre carros em frente a churrascaria de São Leopoldo

Ainda conforme Sena, mesmo ferida, Kaka tentou escapar. “A minha irmã conseguiu ir da porta do quarto das crianças até a porta de saída. Ainda chamou a vizinha, mas não aguentou mais e caiu ali mesmo”, conta.

Publicidade

A vítima foi encontrada caída na sala da residência (porta de saída) e morreu antes da chegada do socorro. De acordo com a Polícia Civil, ela foi atingida por oito golpes de faca. 

O crime ocorreu por volta das 5 horas da madrugada, na esquina da Avenida Primeiro de Março com a Rua Ana Neri.

Publicidade

“Quebrou os dentes dela com uma garrafa de uísque”

Tiago Sena afirma que o relacionamento da irmã era marcado por idas e vindas e episódios recorrentes de violência nos últimos três anos. “Eles estavam nesse vai e volta, só brigam. Uma vez eu briguei com ele, só que ela voltou pra ele e eu não quis mais me meter”, recorda.

Crime aconteceu na madrugada deste sábado (24) | abc+



Crime aconteceu na madrugada deste sábado (24)

Foto: Divulgação

Em outro episódio, segundo o irmão, Karizele foi agredida com extrema violência. “Uma outra vez ele bateu nela, quebrou os dentes dela com uma garrafa de uísque. Ela veio para a mãe, depois eles voltaram de novo”, explica. Kaka e o agressor eram naturais de Butiá, onde ainda hoje os familiares residem.

Publicidade

FIQUE POR DENTRO: Acusado de balear vizinho por rixa política é absolvido em Novo Hamburgo

O histórico de agressividade, segundo Sena, não se limitava à irmã. Ele destaca que certa vez o cunhado chegou a tentar agredir a sogra. “Uma vez a mãe estava em Novo Hamburgo, na casa deles, e ele tentou dar um soco dela. Desde então, minha mãe também não fala mais com ele, mas a minha irmã voltou pra ele. A gente avisava para ela que isso iria acontecer”, desabafa. “Nós estamos destruídos”, completa.

Publicidade

Histórico policial de violência doméstica

O delegado Alexandre Quintão, da Delegacia da Mulher de Novo Hamburgo, confirma o histórico de violência doméstica.

“Eles tinham histórico de ocorrências da vítima contra o suspeito, porém voltavam a se relacionar e morar juntos. O último registro entre eles foi em 2024, uma agressão do suspeito contra a vítima”, pontua. Nesse último registro, a vítima chegou a solicitar medida protetiva, que expirou o prazo e não foi renovada. 

Publicidade

Após cometer o crime, o homem deixou o local a pé e, até o começo da tarde deste sábado, seguia foragido. A Brigada Militar realiza buscas.

Kaka gostava de pagode e tinha amor incondicional pelas filhas

O irmão também falou sobre quem era Karizele fora da violência que marcou os últimos anos de sua vida. Segundo Tiago Sena, a irmã amava pagode e tinha uma ligação profunda com as filhas. “As filhas eram a vida dela”, disse.

Ele descreve Kaka como uma pessoa extremamente ligada à família, até o início do relacionamento com o agressor. “Ela era muito família, morava com meu pai e minha mãe em Butiá. Depois que o meu pai faleceu, ela ficou de vez com esse cara. Depois que começou esse relacionamento, ela ficou um pouco mais distante”, finaliza.

Identificada mulher morta a facadas pelo companheiro em Novo Hamburgo

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência doméstica podem buscar ajuda de forma gratuita e sigilosa. Em casos de emergência, a orientação é ligar para o 190, da Brigada Militar. Também é possível registrar ocorrência em qualquer Delegacia de Polícia, especialmente nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam).

Outra opção é o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. O serviço oferece orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção.

Publicidade