abc+

Polícia

Criminosos são presos por sequestrar e manter em cativeiro casal de empresários da região metropolitana

Bandidos pediram R$ 1 milhão em pagamento para libertar vítimas. Segundo a Polícia, próximos alvos dos criminosos seriam um médico e uma influencer

Publicado em: 07/08/2025 às 08h:19 Última atualização: 07/08/2025 às 08h:58
Publicidade

Uma quadrilha especializada em crimes de extorsão, mediante sequestro, foi desarticulada em uma ofensiva da Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (7). O grupo teria mantido em cativeiro um casal de idosos, proprietários de supermercados na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Publicidade

Eles teriam exigido o pagamento de R$ 1 milhão para libertação das vítimas. A família não chegou a fazer o pagamento para o resgate.

Operação Dupla Jornada é cumprida nesta quinta-feira (7) | abc+



Operação Dupla Jornada é cumprida nesta quinta-feira (7)

Foto: Polícia Civil/Reprodução

O crime aconteceu em março deste ano, quando o casal, de 68 anos e 69 anos, foi arrebatado em sua residência em Gravataí por bandidos armados. Eles foram levados para um cativeiro, em Santo Antônio da Patrulha.

Segundo a Polícia, o crime foi meticulosamente planejado e executado por uma organização que demonstrou alto grau de sofisticação operacional. Os bandidos usavam desde informações privilegiadas, obtidas por funcionários infiltrados, até equipamentos de comunicação dentro do sistema prisional. 

A Operação Dupla Jornada cumpriu 27 ordens judiciais, sendo 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Porto Alegre, Gravataí, Viamão, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo e Charqueadas. Até o momento, seis pessoas foram presas.

Publicidade

Participação dentro e fora do presídio

A investigação teve início em março de 2025, época que o crime ocorreu, revelou a complexa estrutura dos criminosos que operavam tanto dentro quanto fora do sistema penitenciário. Um dos apenados exercia papel de liderança no grupo, coordenando as ações criminosas através de aparelhos celulares.

Ele mantinha contato direto com os executores do crime, orientando desde o planejamento até a execução do sequestro.

Os criminosos se prepararam durante semanas, segundo a Polícia, tentando por duas vezes arrebetar o casal, sem sucesso. Além disso, uma funcionária do supermercado das vítimas, ficou responsável por fornecer informações sobre sua rotina, chegando a fotografá-la, momentos antes do arrebatamento.

Publicidade

As imagens do sistema de monitoramento do estabelecimento comercial captaram o exato momento em que a funcionária registrava a saída da vítima, transmitindo essas informações aos sequestradores, possibilitando, minutos depois, o sequestro.

Durante o período em que as vítimas permaneceram em cativeiro, os criminosos demonstraram extrema frieza e organização, ameçando as vítimas com arma de fogo e coagindo seus familiares a realizar pagamento, sob pena de executar os idosos.

Publicidade

Na época, após a atuação da 1ª DR/Deic, em apoio da Brigada Militar, quatro pessoas foram presas em flagrante delito pelo crime de extorsão mediante sequestro. As vítimas foram soltas, na sequência, em uma área rural da RS-030, em Santo Antônio da Patrulha.

Grupo planejava sequência de sequestros

Com o aprofundamento das investigações, foi possível identificar mais 13 criminosos envolvidos nesta extorsão mediante sequestro. Além disso, o suspeito, de dentro do sistema prisional, objetivava realizar mais dez sequestros, demonstrando a dimensão das pretensões criminosas da organização.

Segundo a Delegada Isadora Galian, foi possível identificar que os próximos alvos dos criminosos seriam um médico e uma “influencer”, sendo encontrados, inclusive, materiais sobre as suas rotinas e detalhe da residência daquele, nos materiais apreendidos pela Polícia Civil. “As identidades de ambos não serão divulgadas e eles serão oportunamente intimados para tomar ciência dos fatos”, esclareceu a Delegada Isadora.

Publicidade

Nas conversas interceptadas, os criminosos chegaram a detalhar métodos de tortura que utilizariam caso as vítimas não colaborassem, incluindo ameaças de mutilação. Em uma das gravações, um dos integrantes sugere “arrancar o dedo” da vítima para forçar a abertura de um cofre.

Um dos participantes do sequestro, o qual já possuía passagens policiais pelos crimes de homicídio, roubo a estabelecimento comercial, porte de arma de fogo, entre outros crimes, chegou a sugerir “eliminar a velha” em referência à vítima, propondo “cavar uma cova” para se desfazer do corpo, corroborando que estavam dispostos a matar as vítimas, se fosse necessário.

Publicidade

O grupo criminoso também demonstrou capacidade de adaptação e planejamento logístico sofisticado, já que dispunham de veículos clonados, uniformes falsificados da Polícia Civil, equipamentos de comunicação como giroflex, além de armas de fogo.

Publicidade