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OPERAÇÃO ÚLTIMA RIMA

Defesa de ex-vereador de São Leopoldo acusado de ser mandante de assassinato alega que não existem provas

O ex-vereador Lemos é apontado como mandante da execução de Andrei Gomes dos Santos; integrantes de facção criminosa no bairro São Miguel teriam também participado do assassinato

Publicado em: 12/11/2025 às 20h:15
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“Não existem provas que ele ordenou que outras pessoas espancassem a vítima”, alegou a defesa do ex-vereador Alessandro Camilo da Silva, 50 anos, mais conhecido como Lemos (o candidato mais votados em São Leopoldo nas duas últimas eleições municipais), apontado como o mandante de um assassinato cometido em março deste ano.

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Nesta quarta-feira (12), Lemos foi preso juntamente com outros suspeitos do crime ocorrido há mais de sete meses no bairro São Miguel, em São Leopoldo.

Operação Última Rima cumpriu mandados nesta quarta-feira (12)



Operação Última Rima cumpriu mandados nesta quarta-feira (12)

Foto: Polícia Civil

A Operação Última Rima cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão temporária, mobilizando 110 policiais civis e militares em 40 viaturas.

O assassinato de Andrei Gomes dos Santos, 33, que foi agredido a facadas, pauladas e pedradas na madrugada de 30 de março, teria, além de motivação pessoal, o atendimento de uma ordem de uma facção criminosa coordenado por um detento.

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O crime aconteceu próximo a um bar onde uma discussão começou envolvendo Andrei Gomes dos Santos e Alessandro Camilo da Silva. De acordo com o delegado Ericson Mota, titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), a investigação apurou que a causa da briga foi uma rima (por isso o nome da Operação Última Rima) em forma de música pejorativa que incomodou o ex-vereador

Facção

Conforme o delegado, o crime foi cometido por dois núcleos: um ligado ao ex-vereador e outro à facção. “Os dois núcleos são ligados pelo dono do bar, que era frequentado por todas essas pessoas.”

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Ele explicou que os integrantes da facção tinham dado a ordem para que se alguma pessoa criasse qualquer tipo de confusão na comunidade, a facção a espancaria e a executaria. “A confusão se originou a partir de um desentendimento entre a vítima e o vereador, que teria mandado seus subordinados a agredirem a vítima. A facção viu a confusão e se juntou para agredir a vítima.”

Vítima morreu nove dias depois das agressões

Segundo o delegado, Andrei dos Santos conseguiu fugir e se escondeu todo machucado dentro de uma casa, mas os agressores foram atrás dele o levaram à rua para agredir mais, utilizando pedras e golpes de facas. “O dolo era de matar, não apenas de dar um corretivo.”

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Andrei chegou a ser levado para o Hospital Centenário, mas após nove dias internado acabou morrendo devido à gravidade dos ferimentos.

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Conforme o delegado, a investigação policial apontou ainda o envolvimento de dois detentos na ordem para o assassinato de Andrei Gomes, e que a decisão de matar a vítima surgiu do ex-vereador e a facção respaldou. Para o delegado, ainda é prematuro dizer se Lemos tem algum tipo de ligação com a facção. “A possibilidade é grande, e será apurada”, disse.

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Defesa diz que não existem provas

O advogado William Tiago Silva dos Santos, responsável pela defesa de Lemos, informou que o ex-vereador está preso temporariamente, por um período de 30 dias, aguardando audiência de custódia.

Conforme Santos, a prisão temporária é desproporcional, pois, segundo ele, prenderam Lemos para colher o seu depoimento, e que o ex-vereador poderia ter sido intimado para comparecer na delegacia e prestar esclarecimentos.

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“Não existem provas que ele ordenou que outras pessoas espancassem a vítima. A vítima era lutador de artes marciais e parece que naquela noite brigou em outros três bares. Existem outros suspeitos, mas como o Lemos é popular, criou essa proporção”, afirmou Santos.

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De acordo com o advogado, as investigações indicam que todos os envolvidos de todas as brigas nos outros bares se organizaram de forma generalizada para se vingar da vítima. “São acusações muito vagas, pois não individualizam a conduta separada de cada possível envolvido. Esperamos que as autoridades possam ter um discernimento da verdade dos fatos e não façam injustiça com quem não fez nada.”

Político é líder comunitário

Reconhecido como líder comunitário no bairro São Miguel – inclusive anunciando em seu Instagram uma grande festa de Natal para dezembro – Lemos foi o candidato a vereador leopoldense mais votado nas eleições de 2020 e 2024. Só não está na atual legislatura da Câmara de Vereadores de São Leopoldo porque seu partido, o PSB, não atingiu o quociente partidário de votos para que tivesse direito a uma vaga na Câmara.

 Lemos | abc+



Lemos

Foto: Divulgação

Logo após às eleições de outubro do ano passado, Lemos falou sobre o fato de não conseguir se reeleger, apesar da votação. “Agradeço aos meus eleitores que me fizeram o vereador mais votado pela segunda vez consecutiva. Quero fazer um agradecimento aos que acreditam em mim e, principalmente, aos meus eleitores da baixada (no bairro São Miguel), que me encheram de orgulho, pois fiz uma votação histórica nos bairros onde vivo, não me abandonaram.”

Lemos foi vereador de São Leopoldo entre 2021 e 2024, e chegou a assumir como secretário municipal de Esportes, no início de 2021, mas ficou menos de um mês no cargo, retornando para à Câmara Municipal.

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