A morte do estudante Daniel Thiesen Pinheiro, 17 anos, na passarela da Estação Fátima, durante um roubo, cometido no último sábado (2), segue impactando a comunidade que vive no bairro.
Trabalhadores, comerciantes e moradores do Fátima apontam que o menor infrator, responsável pelo crime, meses antes do latrocínio (roubo seguido de morte), era visto na área cometendo roubos a pedestres.

Foto: Paulo Pires/GES
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Morador da Rua Antônio Ficanha, a poucos metros da Estação Fátima, Márcio Pinheiro, 49 anos, afirma ter visto o jovem de 16 anos assaltando um menino que descia da passarela em direção ao bairro.
“Não é a primeira vez que ele aponta a faca para alguém”, diz. “Vinha roubando há tempos. Eu mesmo avistei ele apontando a faca para um menino há alguns meses. Quem circula pelo bairro sabia que ele era perigoso.”
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Motorista de táxi, Fabrício Ernst, 47 anos, observa que o menor costumava ser visto, há cerca de dois meses, subindo e descendo a passarela da Estação Fátima. Geralmente, correndo.
“A gente nunca soube de nada tão violento quanto o que aconteceu sábado, mas ele andava rondando a passarela, de um lado para o outro, atrás de aparelhos celulares para depois ir vender no camelódromo de Porto Alegre”, aponta.
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Comércio
Atendendo em um pequeno estabelecimento no bairro Niterói, uma comerciante de 34 anos, que preferiu não ser identificada, afirma que, embora “conhecido”, o jovem nunca atacou estabelecimentos próximos, inclusive passava e costumava cumprimentar os comerciantes.
“A gente ouvia que ele roubava, mas, quando passava aqui, pegava um xis e um refri, bem simpático”, relata. “Só que muita gente apontava ele como assaltante, então, quando soubemos do crime, ninguém aqui se surpreendeu muito que ele matou o rapaz.”
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Segurança
Comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves informa que a Brigada Militar (BM) não possui nenhum registro de que o menor infrator era um assaltante que agia na área.
A Brigada, entretanto, vinha agindo para coibir os roubos na Estação Fátima, especialmente durante os horários de maior movimento, no local onde foi cometido o crime no sábado.
“Não temos conhecimento de que ele cometia roubos antes do crime de sábado. O que sabemos é que ele deixou a Fase [Fundação de Atendimento Socioeducativo] na sexta-feira e cometeu o crime no sábado”, frisa.
Conforme o oficial, permanece o alerta de que, se a população possui o conhecimento de um criminoso agindo na área, é preciso denunciar por meio do 190 para ser planejada uma ação no local.
“Trabalhamos por meio do mapeamento de dados”, salienta. “Qualquer informação passada pela comunidade pode colaborar para agirmos onde o crime acontece e eliminarmos o risco que este tipo de crime causa.”
Por fim, o oficial ressalta que existe o policiamento ostensivo nas estações da Trensurb, de modo que a BM prendeu o suspeito minutos após o crime cometido na Estação Fátima.
“O que aconteceu no sábado foi fora da curva”, lamenta. “Capturamos o menor infrator, minutos após o crime, e sabemos que ele estava pronto para matar na estação ou em qualquer outro lugar.”
Ficha criminal
Segundo a Polícia Civil, o menor infrator já havia sido apreendido seis vezes pelo crime de tráfico de drogas, uma vez pelo crime de ameaça, e outra por agressão cometida contra uma mulher.
O menor estava internado na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) até a última sexta-feira, quando foi liberado pelo Judiciário. Após a apreensão, voltou a ser levado para a Fase.
Respondendo interinamente pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Canoas, o delegado Marco Guns aponta que o jovem mostrou completa ausência de remorso após o crime.
“Ficou escancarado para os policiais que o ouviram que ele não tem um pingo de remorso”, explicou. “Ele possui uma ficha criminal extensa. Entrou e saiu de instituições até tirar uma vida.”
Entenda o caso
Foi no entardecer do último sábado que o jovem Daniel Thiesen Pinheiro acabou atacado enquanto descia a passarela da Estação Fátima, em Canoas.
Ao ser abordado pelo assaltante que agarrou seu aparelho celular, o estudante reagiu. Acabou atingido por duas facadas no pescoço.
Socorrido por um motorista que passava pelo local e encaminhado à emergência do Hospital Nossa Senhora das Graças, teve o óbito registrado pouco mais tarde.
O menor que cometeu o crime estava a poucos metros do local do crime, na Avenida Guilherme Schell, no momento em que foi capturado pela Brigada Militar.
Daniel Thiesen Pinheiro era estudante do 3º ano do curso Técnico de Informática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-riograndense (IFSul) de Venâncio Aires.