Já se passaram três anos desde que o casal Rubem Heger, 83 anos, e Marlene Stafford Heger, 53, foram vistos pela última vez. Moradores do bairro Carlos Wilkens, em Cachoeirinha, eles receberam a visita da filha e do neto de Rubem, Cláudia de Almeida Heger e Andrew Heger Ribas.
Os parentes, que moravam em Canoas, chegaram por volta das 11 horas daquele domingo, 27 de fevereiro. Marlene foi a responsável por recepcioná-los e abrir o portão, já que Rubem sofria com uma embolia pulmonar.

Foto: Arquivo Pessoal
Cláudia e Andrew chegaram em um Ford Fiesta, modelo da década de 1990, com película escura nos vidros. Imagens de uma câmera da vizinhança mostram a chegada da dupla, que estacionou o carro no pátio, sobre o gramado.
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Após algumas horas, Andrew manobra o veículo, estacionando de ré na garagem da casa. Logo na sequência colchões são colocados em frente ao carro. Segundo a apuração da Polícia Civil à época, o objetivo era esconder a ocultação dos cadáveres, que teriam sido transportados por mãe e filho para o automóvel.
Na hora de ir embora, Rubem e Marlene não aparecem mais. Em depoimento, Cláudia confirma que a madrasta e o pai estavam no automóvel, no entanto, vivos. A mulher reiterou diversas vezes que eles foram passar alguns dias em Canoas, mas, por opção própria, teriam atendido a um convite de amigos de Rubem, convidando o casal para ir até a cidade de Guaíba, também na região metropolitana.
A Polícia investigou a versão de Cláudia e nunca encontrou provas da existência de tais amigos. No decorrer das investigações, descobertas levaram à prisão de Cláudia e Andrew. Enquanto a mãe foi encaminhada para a penitenciária, o filho foi internado no Instituto-Psiquiátrico Forense (IPF).

Foto: IGP
Buscas foram realizadas na residência de mãe e filho, no bairro Niterói, em Canoas. Apesar de nenhum indício ter sido encontrado, um cão farejador entrou sinais de putrefação (decomposição de matéria orgânica) no Ford Fiesta. Já na casa de Rubem e Marlene, uma mancha de sangue compatível com o DNA do idoso, foi achada na parte de uma peça nos fundos. Pelo local, alto, foi concluído que Rubem possa ter sido agredido.
Delação, novos indícios e julgamento
Em novembro de 2024, um novo elemento surgiu no caso: a delação premiada de Andrew. Internado no IPF, o réu passou a ser representado por um advogado contratado pelo pai, empresário de Canoas. Pela primeira vez as defesas dele e da mãe, passaram a ser feitas de forma independente.
Em acordo com o Ministério Público do Estado (MPRS), o neto de Rubem deu novas pistas para a investigação. Admitiu participação na morte de Rubem e Marlene e confessou: o casal teria sido morto e depois queimado na churrasqueira da casa no bairro Niterói.

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
No depoimento, Andrew diz que tudo foi planejado por Cláudia. A defesa dela, ao tomar conhecimento da delação, voltou a negar o envolvimento na morte do pai e da madrasta.
O julgamento da dupla, que estava marcado para o dia 27 de novembro, no Fórum de Cachoeirinha, foi suspenso a pedido da Justiça. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) foi acionado e evidências coletadas na churrasqueira em Canoas.
Conforme o IGP, a perícia de DNA foi coletada no final do ano passado e está em processo de análise. “Estamos trabalhando da forma mais célere possível para a conclusão do laudo.”
Enquanto isso, o Tribunal de Justiça (TJ-RS) comunicou que uma nova data para o julgamento de Cláudia e Andrew não foi agendada e que o tribunal aguarda a conclusão das análises, que podem ser provas para, finalmente, mais de três anos depois, possa desvendar o desaparecimento e morte de Rubem e Marlene.
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