Desaparecimento: Relembre os casos que marcaram a região em 2024
Ano teve o fim de mistérios, como o caso de Alessandra Dellatorre, e investigações complexas na localização de pessoas que sumiram para buscar encomendas e não foram mais vistas
O Rio Grande do Sul fecha o ano com milhares de desaparecimentos registrados. Foram mais de 7,4 mil boletins de ocorrência, sendo 7,3 mil pessoas localizadas com vida. Pelo menos 155 pessoas foram encontradas mortas.
Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado até o dia 30 de novembro. No ano anterior, 7,5 mil boletins de ocorrência foram registrados, sendo que 7,3 mil pessoas foram achadas vivas e 167, mortas.
Neste ano, as cidades com mais registros no Vale do Sinos foram Canoas (340), Novo Hamburgo (177), Sapucaia do Sul (81), Esteio (39) e Sapiranga (33). Já no Paranhana/Encosta da Serra, os municípios com mais desaparecimentos que chegaram às mãos da Polícia são Taquara (39), Igrejinha (12), Rolante (9), Riozinho (6) e Presidente Lucena (4). Por fim, no Vale do Caí, Montenegro (52), Capela de Santana (9), Salvador do Sul (4) e Harmonia (1).
Outro caso que está próximo do fim e teve desdobramentos neste ano é do casal de Cachoeirinha Rubem Heger, 85 anos, e Marlene Stafford Heger, 53, que sumiu em fevereiro de 2022. A filha e o neto do idoso, Cláudia de Almeida Heger, 53, e Andrew Heger Ribas, 30, foram presos em maio daquele mesmo ano por suspeita de matar os moradores da região metropolitana.
Diferentemente destes casos que tiveram desfechos ou revelações neste ano – embora os desaparecimentos sejam de anos anteriores –, outros sumiços pela região continuam sem respostas. Relembre:
Por volta das 21h30 do dia seguinte, o veículo de Jéssica foi encontrado incendiado em mata de difícil acesso à margem da Rua Presidente Lucena, no bairro Primavera, sem vestígios da proprietária. Uma das suspeitas é que a vítima teria sido contratada para um programa sexual por meio de um site de acompanhante, momento em que teria sido alvo de uma emboscada feita pela esposa de um traficante, a quem Jéssica teria feito visitas íntimas no presídio de Charqueadas.
A reportagem busca mais informações sobre o andamento da investigação com a Polícia Civil, mas não teve retorno até a publicação da matéria.
Ele saiu de casa em um Hyundai HB20 Sedan, de cor prata, com placas de Estância Velha. Deveria ter ido ao bairro Rondônia, onde realizaria um trabalho no lar de idosos do cunhado. Mas não apareceu. Witt trabalha como instalador de ar-condicionado.
José Evandro Witt
Foto: Arquivo pessoal
Em crise, sumiu
Um homem de 29 anos está desaparecido desde 5 de dezembro. A família de Luis Henrique Leite da Silva não tem notícias dele desde que saiu de casa, no bairro Primavera. De acordo com os parentes, ele é diagnosticado com esquizofrenia e estava em surto quando sumiu. Completou 30 anos no dia 20 de dezembro.
Luis Henrique
Foto: Arquivo pessoal
Ex-taxista desaparecido
O taxista aposentado Neurides João Gonçalves, 64, também desapareceu no dia 5 de dezembro. Ele saiu de casa no bairro São Jorge, por volta das 7h30, enquanto a esposa se arrumava para ir com ele ao posto de saúde. A família não tem informações do paradeiro dele, que saiu sem levar o telefone celular e documentos. Em agosto deste ano, Gonçalves foi diagnosticado com demência e faz acompanhamento com neurologista.
“Sobre esses casos, estão sendo feitas diligências no sentido de encontrá-los. Contudo, corre sob sigilo pra preservação da investigação”, afirma o delegado Rafael Neves, temporariamente responsável pela Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) de Novo Hamburgo.
A família vive em Joaquim Pires, município que fica a cerca de 239 quilômetros de Teresina, capital do Piauí. Santos trabalhava na área de construção civil e há cerca de cinco anos viajava por diferentes estados. Ele teria chegado na cidade do Vale dos Sinos cerca de um mês antes de desaparecer.
Desde o dia 7 de março, a família de Maria de Fátima Silva Ávila, 64, não tem notícias da idosa. Ela desapareceu após ter saído pelo portão do Lar Jardim de Deus, no bairro Quatro Colônias, no limite de Campo Bom com Dois Irmãos. Segundo a investigação, uma pessoa teria deixado o portão aberto no fim daquela tarde e a mulher, diagnosticada com esquizofrenia e demência, saiu.
A Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros fizeram buscas nas imediações do lar de repouso que Maria de Fátima residia há cerca de um mês. Cães farejadores treinados para encontrar pessoas vivas e mortas foram usados, mas nenhum vestígio foi encontrado. Nove meses após o sumiço, o caso segue sem respostas.
Maria de Fátima Silva Ávila
Foto: Arquivo Pessoal
Sem rastros
A família de Cleverson Weber, 41, não tem notícias dele desde 1º de agosto. Foi a última vez que o viram na casa de parentes no bairro Ipiranga, em Campo Bom. De acordo com a irmã dele, Weber vivia em situação de rua desde janeiro, porém, frequentemente procurava pelos familiares e se alimentava no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) do município. Ele costumava ficar em uma casa abandonada no bairro Porto Blos.
Antes de sumir, Weber teria falado para uma empresa de sucata onde fazia “bicos” que iria para uma clínica de reabilitação. Desde então, não foi mais visto.
Cleverson Weber
Foto: Arquivo pessoal
O delegado Rodrigo Camara, titular da Delegacia de Polícia de Campo Bom, disse que o caso de Santos, Maria de Fátima e Weber seguem sendo investigados.
Jeferson Isbarrola de Oliveira, 34, está desaparecido desde o dia 20 de junho. Parentes relatam que ele saiu de casa por volta das 18 horas daquele dia sem dizer para onde iria. O celular está desligado. Nesta semana, completa 6 meses que Isbarrola sumiu.
Jeferson Isbarrola de Oliveira
Foto: Reprodução
A delegada Graziela Zinella, que responde temporariamente pela Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) de São Leopoldo, disse que os Lassakoski e Isbarrola seguem desaparecidos, mas que as investigações continuam. “Ainda não se teve êxito em nenhuma linha de investigação, que por enquanto estão mantidas em sigilo”, afirma.
Segundo a família, Pedro usava o veículo para ir até o local por conta de limitações de locomoção. Após notar o sumiço, a esposa encontrou apenas o carro com celular, a carteira e os óculos de Rosa. Cães farejadores e drone com infravermelho foram utilizados nas ações.
Pedro da Rosa
Foto: Arquivo pessoal
“Por ora, sem evolução. As investigações seguem em andamento. No momento, porém, nenhum indicativo de onde possa estar. Também não há, até agora, qualquer indicativo de crime”, salienta o delegado Fábio Motta Lopes, titular da Delegacia de Polícia de Ivoti.
Desapareceu no fim de dezembro
Para além dos dados de novembro, o caso do morador de Novo Hamburgo Karl Hans Kovar, 61, foi noticiado pela reportagem na penúltima semana de dezembro, mas já teve desfecho. O idoso desapareceu na segunda-feira da semana passada (23). Ele saiu de casa para fazer negócios em Ivoti. O carro foi encontrado dois dias depois, em Estância Velha.