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Alerta

"É preciso buscar ajuda": Somente em outubro, duas mulheres foram ameaçadas por dia em Canoas

Polícia Civil alerta para o aumento da violência doméstica neste final de ano. Foram 700 ameaças só em 2025

Publicado em: 09/11/2025 às 08h:32 Última atualização: 09/11/2025 às 08h:33
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Final de ano é sinônimo de crescimento da violência doméstica, alerta a Polícia Civil. O aumento do consumo de álcool e a tensão no período que antecede as festas servem de estopim para ameaças e agressões.

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O alerta parte da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Canoas, que contabilizou, somente durante o mês de outubro, duas mulheres ameaçadas por dia, na cidade.

É preciso buscar orientações com a Polícia e denunciar, alerta a delegada Angélica Giovanella | abc+



É preciso buscar orientações com a Polícia e denunciar, alerta a delegada Angélica Giovanella

Foto: Paulo Pires/GES

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“É uma época bem complicada e, historicamente, é raro não haver um feminicídio durante o período”, lamenta a delegada Angélica Giovanella, que coordena a Especializada, em Canoas.

Na avaliação da delegada, as ameaças, sobretudo, preocupam. Foram 790 em 2025, um acréscimo de 20% nas 656 ocorrências registradas, durante o mesmo período, no ano passado.

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“Cada ameaça preocupa”, afirma a delegada. “É preciso não apenas o boletim de ocorrência. As mulheres têm que procurar orientação policial. Uma ameaça é violência psicológica. É preciso buscar ajuda.”

Conforme apontamento do Estado, as ocorrências de agressões cresceram 4%. Os 415 casos subiram a 432 neste ano. Houve, pelo menos, uma mulher agredida somente no mês passado, quando 31 ocorrências foram registradas.

“Por trás de cada número, há vidas impactadas pela violência”, destaca Angélica. “Ao menor sinal de risco, é preciso procurar a Polícia e interromper um ciclo que pode culminar na perda de uma vida.”

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Foram 111 agressores presos

Visando a redução de ameaças às vítimas, a Polícia Civil bateu novo recorde de prisões, até agora, em 2025. Foram 111 agressores levados à cadeia até o dia 7 de outubro.

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Durante o período, houve 108 mandados de busca e apreensão cumpridos, número que resultou em 23 armas de fogo tiradas das mãos de agressores, o que, para a Polícia, representa a eliminação de risco.

“Sempre que a denúncia aponta a presença de uma arma de fogo na casa, há uma mobilização para garantir a ordem judicial e cumprirmos o mandado o mais depressa para a eliminação do risco”, esclarece.

São 40 monitorados

Um projeto pioneiro lançado inicialmente na capital Porto Alegre e em Canoas, o Monitoramento ao Agressor segue em operação na cidade. Atualmente, Canoas tem 40 agressores sendo monitorados, segundo a Polícia.

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O objetivo é o mesmo: após decisão judicial, uma tornozeleira é instalada pela Polícia Civil no agressor. O monitoramento é feito pela Brigada Militar e, caso ele se aproxime da vítima, um sinal é emitido e o homem acaba preso.

“Antes da instalação da tornozeleira, orientamos cada agressor e, mesmo assim, o número que não respeita a distância da vítima é enorme”, lamenta Angélica. “Então, o entra e sai do programa acaba sendo enorme.”

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A delegada também destaca que, não raro, a vítima resolve reatar com o agressor, o que deixa Judiciário e a própria Polícia de mãos atadas na hora de garantir a proteção contra o agressor.

“Há muitas situações em que a mulher retira a queixa e retoma o convívio com o agressor”, observa. “Então, o procedimento policial é encerrado e, invariavelmente, começa um novo ciclo de violência em casa.”

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Brutalidade

Foram sete tentativas de feminicídio anotadas em Canoas durante 2025. São dois crimes a mais que aqueles que chegaram ao conhecimento da Polícia Civil durante o ano passado. O único feminicídio aconteceu no dia 2 de julho.

O assassinato foi brutal: eram 8h50 quando a Brigada Militar foi acionada até uma área no bairro Mato Grande. No local, um homem matou, com golpes de martelo na cabeça, uma mulher de 29 anos.

O assassino confesso acabou encontrado pelos PMs ainda segurando a ferramenta ensanguentada em mãos. Aos 34 anos, ele mantinha um longo histórico de brigas, discussões e violência com a vítima.

“Tiveram um desentendimento e ele começou a bater nela com o martelo simplesmente”, explicou na época a delegada Angélica Giovanella. “Ao investigar, encontramos um extenso histórico de violência doméstica.”

A delegada Angélica Giovanella responde pela DP da Mulher, em Canoas | abc+



A delegada Angélica Giovanella responde pela DP da Mulher, em Canoas

Foto: Paulo Pires/GES

Confira os canais de denúncia disponíveis:

• Em situação de emergência: 190

• Central de Atendimento à Mulher: 180

• Disque Mulher 24 Horas: (51) 99275-8146

• WhatsApp da Polícia Civil: (51) 98444-0606

• Boletim de Ocorrência pode ser feito na Delegacia de Polícia Online da Mulher

• Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam): funciona na Avenida Dr. Sezefredo Azambuja Vieira 2.730, Marechal Rondon, ou em qualquer DP de Polícia. Telefones: (51)3425-9035 e (51)98416-8073

• Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar: (51) 3477-8800; (51) 98413-4102.

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