Ainda com muitos machucados nos braços e nas pernas, Lívia Jacobus de Medeiros, 19 anos, permanece com imagens vivas na memória do atropelamento que culminou na morte do noivo, Guilherme Joaquim da Silva, 19, na tarde da última sexta-feira (31).
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Foto: Paulo Pires/GES
Ela afirma que não houve discussão no trânsito, como relatado logo após o acidente. A perseguição começou na rótula do Guajuviras e prosseguiu pela Avenida Boqueirão até o momento em que o Citroën C4 derrubou Lívia e o companheiro no asfalto.
“Eu estava na carona da moto, então sei o que realmente aconteceu”, afirma. “Ele começou a nos fechar na altura da rótula do Guajuviras e não parou mais de vir atrás. Ele queria nos fazer mal”, aponta a ocupante do Honda CG pilotado por Silva.
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Lívia recorda que eles chegaram a parar em uma sinaleira ao mesmo tempo que o condutor, momento em que questionou o homem do “carro branco”. “Eu olhei e perguntei por que estava fazendo aquilo, mas ele não respondeu. Só me encarou. Era um olhar de ódio, sabe? Como eu nunca tinha visto antes. Ele tinha raiva”, relata.
Silva tentou escapar do carro, mas acabou sendo atingido quase na esquina da Avenida Boqueirão com a AJ Renner. Lívia caiu para um lado, enquanto o noivo voou com a força do impacto.
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“Foi tudo muito rápido”, recorda. “De repente, eu estava no asfalto quente gritando por socorro enquanto o sangue dele se esvaia pelo chão”, se emociona. “Não adiantava mais nada, porque ele já estava morto. Só que eu não sabia e fiquei lá gritando.”
Lívia prestou depoimento na Polícia Civil. Desde então, vem recebendo apoio de parente e amigos para superar o momento difícil. Ela estava há cinco anos com Silva e vivia há um ano com ele.
“Nós estávamos noivos e cheios de planos”, conta. “Começamos a namorar há cinco anos e agora parecia que tudo estava dando certo. Ele não merecia isso. A gente tinha tanto a conquistar.”
Prisão preventiva
Preso em flagrante horas depois do atropelamento do trabalhador, Fernando Avila Molossi, 51, é professor de Física do campus Sapucaia do Sul do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul). Até então sem nenhuma ocorrência registrada contra ele, Molossi é acusado de perseguir e atropelar intencionalmente o motoboy, que estava em uma motocicleta Honda CG no momento do acidente.
Segundo a Polícia Civil, o Citroën C4 que era guiado pelo professor teria sido levado para uma oficina instantes após o crime. O objetivo de Molossi era consertá-lo o mais depressa possível, mas ele não conseguiu.
A Brigada Militar (BM) achou o suspeito com o veículo na garagem de casa horas depois, quando houve o flagrante. Imagens de câmeras de segurança auxiliaram no reconhecimento do carro, visto fugindo do local. (CLIQUE AQUI E VEJA VÍDEO)
Durante audiência no último sábado (2), a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, o que deve garantir a permanência do suspeito preso atrás das grades por, pelo menos, 90 dias.
“A defesa está tentando alegar que ele sofre por problemas psicológicos”, afirma o advogado da família da vítima, Rainer Mendonça. “Estamos lutando contra isso com todas as nossas forças. Este homem tem que permanecer preso.”
A reportagem tentou contato com a defesa de Molossi, mas ainda não foi possível. No sábado, sem um defensor, ele acabou se valendo da Defensoria Pública do Estado, fato confirmado pela assessoria de comunicação do órgão.
Investigação
A Polícia Civil trabalha para concluir o inquérito. Conforme a delegada Graziela Zinelli, responsável pela DPHPP de Canoas, houve uma perseguição ao motociclista.
“Houve uma discussão no trânsito e, depois disso, ele [Molossi] passou a perseguir o motociclista até o atingir”, explica. “Chegou até a passar com o veículo por cima de uma parte da moto.”
Se comprovada a intenção de causar o acidente, o caso fica definido como homicídio doloso de trânsito. Por ser considerado um crime mais grave, a pena para este tipo de crime é maior. O período de prisão pode variar de 6 a 20 anos de reclusão, conforme o Código Penal.
A companheira do motociclista, Lívia Jacobus de Medeiros, estava na garupa e sobreviveu ao acidente. Ela contou em detalhes o que aconteceu para a Polícia, que não teve dúvidas sobre a intenção do suspeito.
“Houve uma conversa antes e a vítima que sobreviveu chegou a perguntar para o motorista no carro o que ele queria e por que estava fazendo isso”, explica Graziela. “Ele não respondeu nada.”