Canoas atingiu em 2025 um marco na história da segurança pública: o menor número de homicídios já registrado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado.
Os indicadores garantem ao Município o patamar de cidade segura perante a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera aceitável a taxa de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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Assim, Canoas, que possui 347.657 habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alcançou o patamar almejado pelas autoridades em segurança. Foram 30 mortes de janeiro a dezembro.
O número parecia impensável há uma década. A saber, há dez anos, o município chegou ao número de 150 assassinatos. A redução percentual no período, portanto, é de 80% nos chamados crimes contra a vida.
O resultado obtido faz parte de um conjunto de esforços das polícias e do poder público, mas pode-se dizer que começou a ser construído um ano antes da pandemia em 2019.
Foi em fevereiro daquele ano que o Estado lançou o RS Seguro, programa criado visando a diminuição dos crimes letais com metas bem estabelecidas a serem cobradas e integração entre as polícias.
As medidas estabelecidas para conter a violência de lá para cá acabaram sendo aprimoradas até a obtenção de resultados sólidos, com as forças de segurança agindo estrategicamente onde os crimes acontecem.
Não há como negar, entretanto, o mérito de homens e mulheres responsáveis pela segurança da cidade no ano passado, já que o cenário apresentado nos últimos doze meses é ímpar na história recente da cidade.
Segundo o secretário de Segurança de Canoas, Alexandre Alberto Rocha, o empenho da Brigada Militar e da Polícia Civil ao longo do último ano foi visível para frear ações de facções criminosas que atuam na cidade.
“O trabalho da Brigada Militar e da Polícia Civil é incessante. Tanto o policiamento ostensivo da Brigada quanto as investigações criminais da Polícia Civil foram determinantes”, avalia.

Foto: Paulo Pires/GES
Protocolos de sete medidas
O diretor do Departamento Estadual de Homicídios, o delegado Mario Souza ressalta que, desde a época em que assumiu a Polícia Civil, em Canoas, em 2019, o objetivo era a diminuição dos crimes.
Ao assumir o Departamento de Homicídios e estabelecer o batizado protocolo de sete medidas, entretanto, houve um incremento no combate ao crime organizado, que passou a ser sistemático e focado em ações práticas.
“Um protocolo foi montado para enfrentar o crime organizado, que é o responsável por ordenar a maior parte das mortes”, explica. “Hoje, o criminoso que puxa o gatilho sabe que encarará as consequências e não apenas ele. Os mandantes por trás do crime também.”
Titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Canoas, a delegada Graziela Zinelli aponta ser gratificante que, além dos números, foi possível devolver a sensação de segurança para a população.
“As pessoas terem esse sentimento de que as vidas não estão sendo perdidas a qualquer momento dá uma satisfação muito grande”, observa. “Acho que chegar a este patamar é um marco para a segurança da cidade.”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Mais produtividade, reforça comando da Brigada
Na avaliação do tenente-coronel Clóvis Ivan Alves, à frente do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), há o entendimento da corporação de que não basta apenas a apresentação de números. É preciso manter a sensação de segurança.
“Queremos que a pessoa saia para a rua e se sinta segura em uma cidade que hoje está dentro do patamar da ONU. Há dez anos, isso era impossível de se pensar”, frisa. “Esta redução dos crimes letais é acompanhada por uma série de indicadores que estão reduzindo e não apenas um.”
Para o oficial, o aumento da “produtividade” foi preponderante para o resultado obtido, já que ele impacta diretamente na criminalidade. Somente veículos parados em blitz, foram 103 mil no ano que passou.
“Até o carro em que estava o senhor prefeito acabou sendo abordado em uma blitz”, destaca. “Quer dizer, trabalhamos muito a visibilidade do policiamento. Sabemos que onde há um policial, não há crime. Ninguém quer cometer um delito onde está um policial.”
Além das ações efetivas de policiamento e serviço de inteligência, com operações pontuais, principalmente, durante a noite, Ivan destaca a semente plantada pelo Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência nas comunidades.
“O Proerd é uma semente importante”, afirma. “Tivemos mais duas mil crianças com certificado do Programa neste ano. O saldo é muito positivo, porque estas crianças somam esforços em casa ou na escola por uma cidade melhor.”

Foto: Paulo Pires/GES
Reforço da Guarda Municipal
O secretário de Segurança de Canoas reforça que o efetivo da Guarda Civil, além de cuidar dos espaços públicos e cuidar das escolas, também executou um trabalho de policiamento comunitário.
“Foi definido pelo STF [Supremo Tribunal Federal] que as Guardas podem fazer o policiamento, com abordagens”, adverte. “Fizemos prisões e apreensões ao longo do ano, principalmente, em torno das nossas escolas.”
Veja os crimes que marcaram 2025 em Canoas

Foto: REPRODUÇÃO
Morte no trânsito
No dia 31 de janeiro, o jovem Guilherme Joaquim da Silva, 19 anos, que estava em uma motocicleta com sua namorada, foi atropelado por um motorista de 51 anos, que acabou preso horas depois, em flagrante, pelo crime de homicídio doloso. Segundo a Polícia, ele aparentava sinais de embriaguez, mas se negou a realizar o teste de bafômetro.
“Ele vinha numa perseguição pela Avenida Boqueirão”, contou na época a delegada Graziela Zinelli. “Câmeras revelaram que ele atingiu o condutor da moto de maneira intencional.”

Foto: POLÍCIA CIVIL/DIVULGAÇÃO
Mistério sem fim
Os jovens Pedro Henrique Di Benedetto Rodrigues, Vítor Juan Santiago e Carolina Oliveira de Lima desapareceram na noite do dia 6 de abril, em Canoas. O consequente inquérito policial culminou na prisão e indiciamento pelo triplo homicídio de sete pessoas envolvidas. Os corpos, entretanto, não foram encontrados.
“Lamentamos muito que nenhum dos presos tenha revelado o local onde estão as vítimas”, observa a delegada Graziela Zinelli. “Porém, é um caso que permanece sendo trabalhado pela DHPP e as buscas continuam pelo paradeiro.”

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
Perseguição e tiros
No meio da tarde do dia 18 de julho, criminosos armados perseguiram e atiraram contra um homem que dirigia um Ford Focus pela na Avenida Engenheiro Irineu Carvalho Braga, no bairro Rio Branco. A vítima acabou batendo em um ônibus que circulava na via. O assassinato representa um dos casos que permaneceram sem solução no ano passado.
“Embora o nosso índice de elucidação seja alto, este homicídio permanece em investigação a fim de identificarmos os autores dos disparos”, explica a delegada Graziela Zinelli.