Completa nesta quarta-feira (15) um ano da morte de Antônia Pereira, de 6 anos, que faleceu oito dias após a irmã gêmea, Manuela Pereira, em Igrejinha. A mãe das crianças, Gisele Beatriz Dias, foi acusada de matar as filhas e irá a júri pelos crimes, em data ainda não definida.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
A mulher foi presa na data da morte da segunda menina e segue detida preventivamente na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba.
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“Eu não vou ter minhas meninas de volta, então não vai ter Justiça”, disse pai
Em entrevista exclusiva ao Grupo Sinos no dia 11 de maio, o pai das gêmeas, Michel Percival Pereira, relembrou o ocorrido. “Não entendo o que aconteceu”, afirmou.
Michel espera que a ex-mulher pague pelos crimes. “Eu não vou ter minhas meninas de volta, então não vai ter Justiça. O que eu espero é que a Gisele seja condenada.”
O pai contou que sente muita falta das filhas. “Era eu que amarrava o cadarço delas. Era eu que vestia elas para ir para a escola. Era eu que esperava a topique para botar elas para ir para a escola. Era eu que esperava elas chegarem. Eu sinto falta delas a todo momento.”
Para ele, as meninas eram um presente de Deus. “Elas eram completamente diferentes uma da outra. Uma tinha o cabelo liso, a outra tinha o cabelo crespo. Uma era mais gordinha, a outra era mais magrinha. Uma era mais espoleta e a outra era mais carinhosa… Eram totalmente diferentes. A Antônia, ela era a chefe da turma, ela que comandava a brincadeira. A Antônia era quem cuidava da Manuela. A Manuela já era mais doce. Era mais carinhosa, mais meiga.”
Pereira conta que não suspeitou de nada quando Manuela morreu na segunda-feira do dia 7 de outubro de 2024. Ele relatou que foi trabalhar e que, por volta das 7h30, Gisele ligou e disse que a filha havia passado mal.
O pai das meninas contou que a mulher disse que a filha havia dado um grito e desmaiado. Na sequência, ele buscou a menina, já inconsciente, e a levou ao Hospital Bom Pastor, onde a equipe tentou reanimá-la, mas não conseguiu. Inicialmente, acreditava-se que a menina pudesse ter tido um infarto.
A possibilidade de crime só foi explicada a Pereira na semana seguinte, quando a segunda filha morreu de forma semelhante. “[A Gisele] não ficou junto em nenhum momento. Nem com a Antônia, nem com a Manuela. Só que eu não percebi que ela não tentou nem socorrer a Manuela. Ela não tentou nem socorrer a Antônia. Eu devia ter prestado atenção.”
Mortes por asfixia
Segundo o Instituto-Geral de Perícias (IGP,) a necropsia revelou que as mortes foram provocadas por um processo de asfixia, mas a forma como aconteceu não pôde ser especificada.
A denúncia do Ministério Público destaca os dois óbitos aconteceram no momento em que as meninas estavam sob os cuidados exclusivos da mãe. A motivação, conforme sustentado pelo MP, teria sido passional, relacionada a ciúmes e desejo de vingança contra o agora ex-companheiro, pai das crianças.
Em julho, o juiz de direito Diogo Bononi Freitas, da Vara Criminal da Comarca de Igrejinha, decidiu que a mãe das meninas será levada a julgamento pelos crimes de duplo feminicídio qualificado, denunciação caluniosa e por submeter crianças a vexame e constrangimento. O magistrado reconheceu indícios suficientes de que as crianças foram mortas por asfixia.
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Audiência de custódia
Em 25 de abril deste ano, foram ouvidas 25 testemunhas, entre elas médicos, peritos, psicólogos, policiais, vizinhos, familiares e professores. Os depoimentos indicaram um padrão de comportamento emocionalmente frio, dependência química e distanciamento da ré em relação às filhas, além de instabilidade psicológica, episódios de surto e histórico de internações psiquiátricas.
Profissionais da saúde mental relataram que a acusada demonstrava afeto apenas por um filho falecido e chegou a afirmar que “as meninas ficariam bem sem ela”. O filho mais velho de Gisele, Michel Percival Pereira Júnior, foi morto a tiros em novembro de 2022, em Santa Maria.
Antes da morte das meninas, Gisele passou por mais de 10 internações psiquiátricas. Ela ficou internada no Hospital Bom Pastor até o final de setembro do ano passado e recebeu alta dias antes da morte das meninas.
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O que diz a defesa
A defesa da mãe das gêmeas, representada pelo advogado José Paulo Schneider, afirma que aguarda julgamento de recurso. “Não há uma previsão ainda de julgamento pelo júri e muito menos se ela vai ser julgada na comarca. Eu pretendo fazer pedido de desaforamento para que ela não seja julgada em Igrejinha.”
O que diz a assistência de acusação
A assistência de acusação, feita pelo advogado Fábio Fischer, diz que a expectativa é de que o feito seja levado ao plenário do júri em breve. Quanto ao pai, “este ainda vivencia o luto e confia plenamente no Poder Judiciário para que a Justiça seja feita”.